Dossiê Uma Batalha Após a Outra

Atualizado em 27 de fev. de 2025, às 11h23

Uma Batalha Após a Outra - Dossiê Oscar 2026 Abraccine

Uma Batalha Após a Outra (2025) acompanha Bob Ferguson, um ex-revolucionário que vive afastado de qualquer militância até ser forçado a agir novamente quando sua filha é sequestrada. No passado, Bob integrou um grupo de guerrilha armada e acumulou inimigos que nunca desapareceram por completo. O retorno do mais cruel deles, após 16 anos fora de cena, obriga Bob a se unir a antigos companheiros e novos parceiros em uma corrida contra o tempo. Ao mesclar temas como polarização, apatia e a ascensão da extrema-direita, o filme de Paul Thomas Anderson articula ação, drama e tensão política ao mostrar como decisões do passado seguem determinando o presente.

Ficha técnica
Título original: One Battle After Another
Direção e roteiro: Paul Thomas Anderson
Elenco: Leonardo DiCaprio, Teyana Taylor, Chase Infiniti, Sean Penn, Regina Hall, Benicio del Toro, Alana Haim, Wood Harris
Produção: Paul Thomas Anderson, Adam Somner
Fotografia: Michael Bauman
Montagem: Andy Jurgensen
Trilha sonora: Jonny Greenwood
País: Estados Unidos
Ano: 2025
Gênero: Drama

Veja o que associadas e associados da Abraccine estão falando sobre o filme

TEXTOS

Paradoxalmente, por mais que seja o filme de PTA com mais ação e dinamismo de sua carreira, talvez seja o que mais convida a reflexões políticas e sociais de seu país e do mundo.
Aílton Monteiro, Diário de um Cinéfilo

Não se trata de um filme de ação no sentido típico da palavra, mas uma obra de deslocamento constante e quase maníaco.
André Guerra, Giro/Diário de Pernambuco

Poder, confronto, embate ideológico, mudanças radicais, polarização extrema, a sociedade tomada pela violência e pelo desencontro, são alguns dos elementos de Uma Batalha Após a Outra que, na verdade, é antes de tudo um filme de ação, irônico, com muito humor e muito questionamento.
Antonio Carlos Egypto, Cinema com Recheio

Ao colocar Bob e Willa nesse centro instável, PTA revela que o futuro não está nos extremos, mas tampouco está garantido por quem tenta ficar entre eles. A sobrevivência depende de outro tipo de imaginação política, uma que o filme não romantiza, mas que apresenta como possibilidade remanescente.
Cecilia Barroso, Cenas de Cinema

O fio da meada é calcado na crítica social e política contundente, e ao abordar temas delicados como o neofascismo, o ressurgimento de grupos supremacistas, a desinformação em massa e o colapso humanitário nas fronteiras, o filme se posiciona como um espelho crítico da realidade.
Daniel Herculano, Clube Cinema

Uma Batalha Após a Outra se sobressai não só nos personagens, mas também nas cenas de ação. Depois de apresentar quase ininterruptas sequências emocionantes ao longo de todo o filme, Paul Thomas Anderson reserva a melhor de todas para o final.
Eduardo Kaneco, Leitura Fílmica

É um filme que a todo tempo se inclina ao centro, é bobo ao tentar satirizar o que necessita ser satirizado e inefetivo em propagar a ideia de uma revolução que ele mesmo parece desacreditar.
Fabiana Lima, Peliplat

Outra caraterística de Paul Thomas Anderson é o tom crescente de sua narrativa (…), que nasce numa observação mais superficial até camadas tão complexas serem desencadeadas, até o limite em que a única solução é “partir para a violência”.
Fabrício Duque, Vertentes do Cinema

O filme não dá voz ao Estado, nem pretende ser o retrato de algum nome particular de qualquer ordem; trata-se de uma ficção cujos ecos são evidentes ao nosso tempo, ainda que Anderson abdique de uma visão a respeito de qualquer época.
Francisco Carbone, Rota Cult

À parte a infinidade de temas contemporâneos aflorados no filme – da imigração aos conflitos raciais, da proliferação das armas ao ressurgimento de grupos supremacistas (a Ku Klux Klan agora como um clube de ricos engravatados) –, importa destacar o vigor e a fluência com que Paul Thomas Anderson transita entre os gêneros clássicos: thriller político, comédia, suspense, drama familiar e até mesmo o western.
José Geraldo Couto, Blog do IMS

Dizer mais estragaria a surpresa de apreciar no cinema a inteligência criada pela narrativa de Anderson. Qualidade que passa pela ironia não apenas dos diálogos, mas também por uma sapiência cinematográfica em como filmar cenas de ação. A perseguição no final do filme, mesclado a paisagem no resultado da correria, é já antológica.
Luiz Joaquim, Cinema Escrito

O tom com que PTA envolve sua obra é o cômico, muito embora o humor vindo de um filme dele nunca seja o do riso fácil, e sim um que está imposto pela situação e pelo bizarrismo dos acontecimentos.
Marco Fialho, Cinefialho

Um filme que não perde o ritmo um segundo sequer e consegue ser ágil, divertido, ousado e atual nos temas que evoca e na forma como os aborda. É possível fazer um filme de afiada crítica social sem ser panfletário e tocando fundo na ferida de uma sociedade completamente perdida? PTA prova que sim.
Marden Machado, Cinemarden

Mantendo a narrativa sempre em movimento e criando uma atmosfera de tensão que a trilha enlouquecedora de Jonny Greenwood eleva a níveis quase insuportáveis, Uma Batalha Após a Outra é impecável tanto em suas proezas técnicas mais sutis (o rejuvenescimento digital de DiCaprio no primeiro ato é um dos melhores até hoje) quanto em sua grandeza visual na sequência em uma rodovia que amarra a projeção e que, convertendo a estrada em uma montanha-russa (ou em um mar agitado por ondas gigantescas, o que estabelece uma rima elegante com uma fala dita pelo personagem de Del Toro), usa o mormaço como filtro e ressalta cada grão cinza do asfalto, transformando-a em uma das perseguições de carro mais esteticamente prazerosas que já vi.
Pablo Villaça, Cinema em Cena

Paul Thomas Anderson trabalha a câmera com a urgência de quem não permite respiro. Em parceria com o diretor de fotografia Michael Bauman, cria uma mise-en-scène que privilegia o movimento, quase coreográfica, mas sem exibicionismo.
Paulo Camargo, A Escotilha

As duas primeiras partes parecem uma introdução mais comedida a um grand finale tresloucado, cheio de comicidade e que, diante dos extremos políticos, glorifica a resistência.
Paulo Henrique Silva, O Tempo

A trilha, por exemplo, é criativa e adota um tom gaiato que realça o caráter satírico do filme — que, assim como o romance Vineland (1990), ridiculariza o estado policial americano, a paranoia política de um país que nunca superou a Guerra Fria e o comportamento performático, por vezes caricato, do que restou da contracultura dos anos 60 — , até que essa moldura sonora se repete, se esgota e cansa.
Rodrigo Torres, Revista Cine Café

Nesse terreno, percebe-se uma fratura decisiva entre forma e conteúdo. A forma surge vibrante, inventiva, cheia de soluções visuais e rítmicas. O conteúdo traz peso histórico e conflito social, com um posicionamento que atravessa a construção dramática. Em vez de submeter uma camada à outra, o filme coloca ambas em disputa.
Sihan Felix, Críticos

A partir daqui a história avança num misto de ação, suspense e diversos momentos de humor, resgatando personagens ao longo do caminho e mantendo um ritmo intenso do início ao fim.
Stephanie Espíndola

Entretanto, Anderson não quer replicar ou homenagear os seus mestres, usa deles como repertório, mas aos moldes de seu próprio cinema e das possibilidades do presente.
Victor Russo, Filmes & Filmes

Ao longo de todo Uma Batalha Após a Outra, o cineasta trafega por gêneros e emoções diversas. Anderson faz um filme que sabe ser ácido, certeiro em sua crítica, mas cheio de senso de humor e humanidade para as relações entre os seus personagens.
Wanderley Teixeira, Chovendo Sapos

PODCASTS

VÍDEOS

2 comentários sobre “Dossiê Uma Batalha Após a Outra

  1. Pingback: Dossiê 15º Prêmio Abraccine - Melhores do Ano - Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

  2. Pingback: Dossiê Oscar 2026 | Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Deixe uma resposta