A 13ª edição dos Prêmios Platino demonstrou a força do atual cinema brasileiro e sua universalidade. O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, foi reconhecido em 7 categorias, incluindo Melhor Filme Ibero-Americano de Ficção, Melhor Direção e Melhor Ator, para Wagner Moura. O documentário Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa, garantiu o troféu de melhor documentário ao investigar as relações entre religião evangélica, política e poder no Brasil contemporâneo. Na televisão, Beleza Fatal, criada por Raphael Montes, foi escolhida como melhor série de longa duração.
Aqui você encontra links para alguns dos filmes vencedores e também textos de nossas associadas e associados para outros filmes premiados e indicados nesta edição. Os títulos listados foram exibidos no Brasil, seja em circuito comercial ou em festivais nacionais.
Veja a lista completa de vencedores do Prêmio Platino 2026:
Melhor filme iberoamericano de ficção: O Agente Secreto
Melhor comédia iberoamericana de ficção: La cena
Melhor filme de animação: Olivia & Las Nubes
Melhor Documentário: Apocalipse nos Trópicos
Melhor Estreia: Surda
Melhor Direção: Kleber Mendonça Filho (O Agente Secreto)
Melhor ator: Wagner Moura (O Agente Secreto)
Melhor atriz: Blanca Soroa (Los domingos)
Melhor Roteiro: Kleber Mendonça Filho (O Agente Secreto)
Melhor ator coadjuvante: Álvaro Cervantes (Surda)
Melhor atriz coadjuvante: Camila Pláate (Belén: Uma História de Injustiça)
Prêmio Platino de Educação e Cinema de Valores: Belén: Uma História de Injustiça
Melhor música original: Tomaz Alves Souza e Mateus Alves (O Agente Secreto)
Melhor direção de montagem: Eduardo Serrano e Matheus Farias (O Agente Secreto)
Melhor direção de arte: Thales Junqueira (O Agente Secreto)
Melhor direção de fotografia: Mauro Herce (Sirât)
Melhor direção de som: Amanda Villavieja, Laia Casanovas e Yasmina Praderas (Sirât)
Melhor figurino: Helena Sanchís (La cena)
Melhor maquiagem e penteado: Ana López-Puigcerver, Belén López-Puigcerver e Nacho Díaz (O Cativo)
Melhores efeitos visuais: Sirât
Confiira os dossiês dos filmes abaixo, clicando nos links:

O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho
Melhor filme iberoamericano de ficção, melhor direção, melhor roteiro (Kleber Mendonça Filho), melhor ator (Wagner Moura), melhor direção de montagem (Eduardo Serrano e Matheus Farias), melhor música original (Tomaz Alves Souza e Mateus Alves) e melhor direção de arte (Thales Junqueira).
Sirât, de Oliver Laxe
Melhor direção de fotografia (Mauro Herce), melhor direção de som (Amanda Villavieja, Laia Casanovas e Yasmina Praderas) e melhores efeitos visuais.

Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa
Melhor documentário
TEXTOS
A narrativa se encerra abruptamente, sem uma finalização de fato, em virtude desta indefinição de corpus e de material. Parece ter dito muitas coisas, porém, ainda insuficientes para a compreensão procurada.
Bruno Carmelo, Meio Amargo
Apocalipse nos Trópicos poderia ser mais incisivo se fosse mais específico. Teve acesso a um dos mais importantes articuladores da politização da fé evangélica e não soube como se aproveitar dessa oportunidade.
Cecilia Barroso, Cenas de Cinema
A lamentar que Apocalipse nos trópicos não tenha deixado mais as imagens falarem por si. Os momentos de silêncio, ou quando os personagens se revelavam por eles mesmos, fizeram o filme crescer.
Ivonete Pinto, Cinema Escrito

Belén: Uma História de Injustiça, de Dolores Fonzi
Prêmio Platino de Educação e Cinema de Valor, melhor atriz coadjuvante (Camila Pláate)
TEXTOS
É nesse deslocamento que o sistema aparece com mais clareza, com as instituições operando de maneira concatenada. O hospital, a polícia e o Judiciário se articulam na produção de uma mesma narrativa, que encontra respaldo em uma lógica que antecede o caso.
Cecilia Barroso, Cenas de Cinema
Não, o que aconteceu com Belén não foi uma “miscarriage of justice”: ela foi desde o início condenada e para tanto era necessário espalhar mentiras. Mas mudar mentalidades ajuda a parar a disseminação de mentiras. Enquanto isso não acontece vamos, país por país, mudando a lei.
Letícia Magalhães, Cine Suffragette

Surda, de Eva Libertad
Melhor filme de estreia, melhor ator coadjuvante (Álvaro Cervantes)
Uma prova da maturidade do projeto reside no enfoque à tentativa opressora de “normalidade” por parte de Ángela. Ela sorri às outras mães da creche, que conversam com ela de modo a ignorar sua deficiência.
Bruno Carmelo, Meio Amargo
Outros dossiês e textos de filmes indicados nos Prêmios Platino 2026:

Manas, de Marianna Brennand
O Último Azul, de Gabriel Mascaro
O Filho de Mil Homens, de Daniel Rezende

Tardes de Solidão, de Albert Serra
Trata-se de um espetáculo queer. Este estranhamento em relação ao real promove a caricatura de uma sexualidade exacerbada, assemelhando-se ao ritual da preparação drag, ainda que inversamente atribuída ao imaginário da masculinidade.
Bruno Carmelo, Meio Amargo
O Olhar Misterioso do Flamingo, de Diego Céspedes
Se existe todo um respeito ao elenco, cujas identidades correspondem aos personagens, ao mesmo tempo há algo que perturba a quem se dispuser a pensar a proposta como um todo, pois o final se configura como um paradoxo.
Ivonete Pinto, Cinema Escrito
Ainda É Noite em Caracas, Mariana Rondón
Essa indefinição impede que o filme possa investir no suspense que viria da presença perigosa da quadrilha liderada por uma bandida violenta instalada logo em frente.
Eduardo Kaneco, Leitura Fílmica


