Dossiê Pecadores

Atualizado em 27 de fev. de 2025, às 10h48

Pecadores (2025) - Dossiê do Oscar 2026 - Abraccine

Pecadores (2025) acompanha dois irmãos gêmeos que retornam à cidade onde cresceram em busca de um recomeço. O reencontro com o lugar, porém, os coloca diante de uma história marcada pela violência, pelo racismo e pelo apagamento cultural. Ambientado em uma comunidade profundamente ligada à música, às tradições e aos rituais herdados de gerações anteriores, o filme articula o horror como metáfora de um passado que insiste em sobreviver.

Ficha técnica
Título original: Sinners
Direção e roteiro: Ryan Coogler
Elenco: Michael B. Jordan, Hailee Steinfeld, Wunmi Mosaku, Delroy Lindo, Jack O’Connell
Produção: Ryan Coogler, Sev Ohanian, Zinzi Coogler
Fotografia: Autumn Durald Arkapaw
Montagem: Michael P. Shawver
Trilha sonora: Ludwig Göransson
País: Estados Unidos
Ano: 2025

Veja o que associadas e associados da Abraccine estão falando sobre o filme.

TEXTOS

Aliás, Coogler às vezes soa quase didático (no bom sentido do termo), mas há muitos simbolismos mais sutis que merecem um pouco mais de atenção. A própria necessidade do vampiro precisar que a pessoa o convide para entrar é também representativo de quanto o artista negro americano foi perdendo sua preciosa música para os brancos, de olho no que havia de melhor, e prontos também para usufruírem daquela arte incrível, como é o caso do blues e do jazz, e mais adiante do rock.
Aílton Monteiro, Diário de um Cinéfilo

No deserto de ineditismo que se tornou o calendário de lançamentos nos últimos meses, todas as produções de grande porte feitas a partir de material original merecem crédito apenas por existir. Quando se trata de um filme com o impacto formal, temático e narrativo de Pecadores, no entanto, vira um acontecimento.
André Guerra, Giro/Diário de Pernambuco

Pecadores reverberou como nenhum outro este ano: porque conjuga forma, discurso e usa fantasia como poucos conseguem.
Chico Fireman, Filmes do Chico

E como a simbiose entre os vampiros e os seres humanos é uma metáfora para a relação entre o bem e o mal, entre a luz e a escuridão. E essa relação dualista é percebida no filme ao mostrar um possível caminho de redenção para os irmãos protagonistas Faísca e Fumaça – Smoke e Stack, incrivelmente interpretado por Michael B. Jordan, antes criminosos.
Daniel Herculano, Clube Cinema

A premissa, acima de tudo, é genial. Coogler revitaliza um subgênero clássico do terror ao acrescentar a poderosa lenda do pacto com o diabo do músico de blues Robert Johnson (1911-1938).
Eduardo Kaneco, Leitura Fílmica

Elementos das religiões de matriz africana se encontram com a mitologia dos vampiros, em uma trama que entrega, na maior parte do tempo, um resultado de alta qualidade.
Enoe Lopes Pontes, Coisa de Cinéfilo

Aqui, o vampirismo é uma representação da usurpação da identidade preta (indígena e asiática, também), o roubo da memória coletiva dessa comunidade e sua tentativa de apagamento. Tal proposição, por sinal, não é nada sutil, a narrativa sugere arquétipos aos personagens do núcleo central com clara finalidade de discutir temáticas caras ao filme.
Fabiana Lima, CinemAção

Aqui, sem as obrigações de um discurso prévio (que, sim, ele conseguia trazer para a embocadura de suas lentes), existe uma tela em branco que pode ser preenchida com as tintas que bem lhe convém. Isso também promove uma liberdade de gênero a Pecadores, que não apenas se desobriga a representar apenas uma vertente, como passeia por diferentes olhares com desenvoltura e uniformidade, transformando a experiência em uma comunhão de cenários alternativos.
Francisco Carbone, Cenas de Cinema

O problema está no roteiro. Irregular e mal ajambrado em vários pontos. Nem todos os personagens são bem construídos e, sobretudo, a organização da trama é desequilibrada. Passa tempo demais na apresentação inicial, retardando o conflito principal, para depois resolvê-lo rápido demais. A trama dos vampiros, que poderia render muito mais tensão e complexidade, se resolve de forma simplista.
Gabriel Pinheiro, Medium

Em suma: Pecadores é um excelente produto comercial vendido para horas de lazer numa sala de cinema no fim de semana. Entretanto, uma generalização assim é aterradora. É um pecado ver Pecadores só como atração num parque de diversão.
Humberto Silva, Cinema Escrito

Há grandes momentos visuais ao longo de Pecadores, como a cena em que a câmera flutua por sobre o salão do clube, enquanto a música de Sammie faz com que outras energias espirituais, inclusive modernas, apareçam no local. É um momento que poderia parecer artificial e bobo, mas funciona pela força imagética que o diretor e seus colaboradores conjuram.
Ivanildo Pereira, Cine Set

Mesmo quando monstros e criaturas ainda parecem invenções para discutir coisas que não se podia debater séria e abertamente naquela época, o cineasta já está falando de almas sequestradas, estratégias de homogeneização, necessidade de resistência e a busca por algo que mantenha a nossa individualidade.
Marcelo Müller, Kinorama

Ryan Coogler não se contenta em apenas retratar um drama racial e político na terra da Ku Klux Klan, opta por acrescentar a isso uma fantasia de terror afro-vampiresca surpreendente passada nos anos 1930, repleta de simbolismos culturais de dominação branca e resistência negra.
Marco Fialho, Cinefialho

O mais interessante em Pecadores é que apesar de trazer uma abordagem original em relação aos vampiros, ele não se afasta da mitologia clássica que conhecemos em relação aos sugadores de sangue. Por fim, como é comum na filmografia do cineasta, temos um subtexto histórico-político-social que faz toda a diferença. E embalado por uma trilha sonora que toca na alma.
Marden Machado, Cinemarden

Em uma das sequências mais impactantes do filme, seu blues se transforma em uma catarse audiovisual que colapsa as fronteiras entre décadas e estilos – de Jimi Hendrix a DJs de vinil, de danças tribais a break – compondo um quadro que celebra a continuidade histórica da expressão musical negra como forma de resistência e reinvenção.
Paulo Camargo, A Escotilha

O que incomoda no filme de Ryan Coogler (…) é a passagem de gêneros, feita possivelmente para criar um sobressalto no espectador, mas que acaba perdendo de vista alguns ingredientes determinantes no desenvolvimento da história e dos personagens, especialmente da dupla de irmãos interpretada por Michael B. Jordan.
Paulo Henrique Silva, O Tempo

Estruturalmente, Pecadores começa e termina como um típico filme de equipe de super-heróis: primeiro recrutando personagens carentes de dimensão, mas cheios de carisma; depois, abusando das cenas pós-créditos. Repare, porém, que esses códigos servem ao autorismo de Ryan Coogler, reforçando a ideia de comunidade negra que permeia sua obra.
Rodrigo Torres, Revista Cine Café

Em termos físicos mesmo, o filme constrói um espaço que parece sempre menor que os corpos que o habitam. A opressão se manifesta na mise-en-scène: corredores estreitos, interiores sufocantes, janelas sem saída. O espaço fílmico é extensão da estrutura social. Em vários momentos, o filme abandona a narrativa e mergulha em experiência sensorial.
Sihan Felix, Críticos

Coogler vai a fundo no que acredita e assim como algumas poucas obras recentes a abordar o racismo de maneira potente (como os filmes de Jordan Peele e a série Lovecraft Country) é no distanciamento com o real que Pecadores encontra sua força sensorial.
Victor Russo, Filmes & Filmes

PODCASTS

Meninos, Eu Vi!, de Rodrigo James

VÍDEOS

Messias Adriano

ENTREVISTAS

Blues, trauma e mitologia negra em Pecadores – Cecilia Barroso, para Cenas de Cinema

2 comentários sobre “Dossiê Pecadores

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