Dossiê 47º Festival de Cinema de Gramado

De 14 e 22 de agosto, aconteceu o 47º Festival de Gramado. A Abraccine teve os seus representantes no evento, onde repetiu, mais uma vez, a parceria com a Accirs – Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul no júri da crítica. 

Como de costume, a associação gaúcha publicou um dossiê com textos textos de alguns dos críticos presentes. Além de reflexões sobre cada um dos títulos selecionados para a edição deste ano, a presença e o protagonismo das mulheres, o reflexo da sociedade nas telas e a luta pela arte se destacaram.

“Pacarrete”, de Allan Deberton | Foto: Luiz Alves

Críticas completas nos links.

“De Pacarrete a Hebe Camargo, muitas versões do feminino atravessaram os filmes de Gramado em 2019 – no melhor e no pior sentido. De todo modo, pode-se notar uma evolução, na multiplicidade de perfis destas mulheres que percorreram os longas nacionais, estrangeiros e também curtas, dirigidos ou não por diretoras – o que mostra que também os homens estão se abrindo para a necessidade de ultrapassar os clichês limitantes do passado.”
O feminino em muitas visões, por Neusa Barbosa, integrante do júri Accirs/Abraccine, coordenadora de conteúdo do site Cineweb

“Fosse no campo da direção ou no da interpretação (ou em ambos os casos simultaneamente, como na coprodução mexico-costarriquenha Dos Fridas, de Ishtar Yasin) ou fosse nos temas pontuados pelos filmes, era a perspectiva feminina, dentro de seu universo de relacionamento com o que lhes cerca, que gerava as melhores experiências dentro do Palácio dos Festivais neste 2019.”
47º Gramado (2019) – Balanço: O cinema é delas, por Luiz Joaquim, integrante do júri Accirs/Abraccine, editor do site Cinema Escrito

“O cinema de Emiliano Cunha vem se desenhando como um cinema de surpresas. A chave de seus curtas envolve sempre o inesperado e o espectador nunca fica indiferente quanto ao final dos filmes. Levar esta estratégia para um longa é mais complicado, mas não deixa de ser excitante para o público.”
O paradoxo de “Raia 4”, por Ivonete Pinto, professora dos cursos de Cinema da UFPel e editora da Revista Teorema

“No drama, tem início uma longa e violenta noite, que fará o músico e seus companheiros passarem por situações revoltantes.  Neste ponto, a produção levanta outra crítica social, revelando o abismo em que vive um homem branco de classe média em relação a negros moradores de periferias, em temas como a intolerância, o racismo e o abuso de poder policial.”
Linchamentos virtuais e reais na pauta de “O Homem Cordial”, por Adriana Androvandi, jornalista e crítica de cinema do jornal Correio do Povo

“Como estudo de personagem, ‘Pacarrete’ descortina a vida da protagonista basicamente dentro de sua própria casa, utilizando-se de raros momentos na cidade ou na vizinhança apenas para dar novas e importantes pinceladas nesse retrato muito humano que preza pela objetividade, sem se dispersar com qualquer outra subtrama, ainda que existam outros personagens suficientemente interessantes para gerar mais material.”
“Pacarrete”, de Allan Deberton, por Matheus Pannebecker, editor do blog Cinema e Argumento

“No mundo interior de Judith, uma cuidadora com alma artística, devaneios, delírios e realidade passam a se entrelaçar de forma cada vez mais intrincada. O filme fala sobre o tempo, o duplo, a morte. Máscaras, caveiras, bonecos, altares típicos do culto mexicano à morte são reincidentes.”
Vozes e corpos femininos costarriquenhos na competição de longas latino-americanos, por Carla Oliveira, colaboradora na revista digital do cineclube Academia das Musas e do fanzine Zinematógrafo

“Não há, em Os Pássaros de Massachussetts, uma opressão ou assombro constante da cidade perante os personagens. Embora o tédio e a melancolia estejam ali (e não poderiam deixar e estar), há inclusive um certo conforto, humor e pequenos encantos a cada esquina dos bairros residenciais de classe média pelos quais a câmera passeia. Confesso que é mais parecida com a Porto Alegre que vejo ao sair nas ruas.”
Os pássaros de Massachussetts, por Giordano Gio, colaborador do fanzine Zinematógrafo e do site Fila K

“A obra clama pela valorização e pelo resgate da história e da memória, lembrando que as gerações passadas já foram resistência naquele pedaço geográfico, inclusive lutando por sua sobrevivência e sua liberdade – a exemplo dos quilombolas e do Cangaço, retratado nas paredes do museu da vila. Ilustrando a neologia “nordestern”, o faroeste contemporâneo também traz a representação do invasor norte-americano, em uma narrativa de thriller com linguagem universal.”
Aclamado ‘Bacurau’ estreia nesta quinta-feira nos cinemas de todo o Brasil, por Caroline Silva, editora de cultura no Jornal do Comércio

“Em um esmerado esforço de reconstituição de época, Legalidade é um título visualmente muito interessante. Zeca Brito teve a oportunidade de filmar no Palácio do Piratini, o que faz toda a diferença para contar aquela história. Existe um tom bastante didático na trama, mas isso acaba por ser um ponto positivo. Como essa parte da nossa História não é muito contada nas escolas, o cineasta parece ter pego a responsabilidade para si.”
Legalidade, por Rodrigo de Oliveira, editor da revista digital Almanaque 21

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