O universo das comédias eróticas, durante muitos anos chamadas de “pornochanchadas”, ainda é bastante desconhecido, especialmente devido ao preconceito que acompanhou o formato nas décadas de 1960 e 1970, quando a produção encabeçou alguns dos grandes sucessos de bilheteria do país.
O curso “Por dentro das Comédias Eróticas Brasileiras” busca trazer novos olhares e novas abordagens sobre o gênero que reuniu nomes como Carlos Reichenbach, José Miziara, Fauzi Mansur, Carlos Mossy e Jean Garrett. Mais do que mulheres nuas e filmes de conteúdo picante, essa produção estava recheada de crítica social.
Produzido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), o curso será ministrado por especialistas do tema: Adolfo Gomes, Fernanda Pessoa, Gabriel Carneiro, Matheus Trunk e Tatiana Trad Netto. Serão cinco aulas online, via plataforma de videoconferência, em duas semanas (nos dias 29, 30 e 31 de julho e 5 e 8 de agosto de 2024), sempre no horário das 20h.
Saiba mais sobre cada professor e conheça o cronograma dos módulos logo abaixo. Para receber o certificado de participação é necessário comparecer a pelo menos 70% das aulas.
Inscrição
O curso tem vagas limitadas. Para críticas e críticos filiados à Abraccine, a participação é gratuita. Para o público externo, o curso tem preço único de R$150,00. O pagamento deve ser feito à vista, no ato da inscrição. Se você tem interesse, informe seus dados e anexe o comprovante de pagamento neste formulário. O prazo é até 23 de julho*.
*ATUALIZAÇÃO: prazo prorrogado até 26 de julho. Últimas vagas!
Bolsa diversidade
Assim como em cursos anteriores realizados pela Abraccine, serão concedidas bolsas destinadas à diversidade identitária de raça e gênero. Para este curso, há 10 (dez) bolsas disponíveis com 100% de gratuidade para fazer o curso. A pessoa interessada deve preencher formulário próprio e aguardar o resultado, que será comunicado por e-mail até 19 de julho.
Confira a programação do curso “Por dentro das Comédias Eróticas Brasileiras” (todas as aulas terão início às 20h):
29/7 – Introdução às comédias eróticas a partir do estudo de caso do documentário “Histórias que nosso cinema (não) contava”
Com Fernanda Pessoa
30/7 – Beco e Boca: dois polos de produção e suas distinções – I
Com Gabriel Carneiro
31/7 – Beco e Boca: dois polos de produção e suas distinções – II
Com Adolfo Gomes
5/8 – O paradoxo do feminino nas comédias eróticas brasileiras
Com Tatiana Trad Netto
6/8 – Indo além da comédia e a concorrência do sexo explícito
Com Matheus Trunk
Minibios dos professores:
Adolfo Gomes é cineclubista e crítico de cinema. Atua ainda como curador palestrante/debatedor, avaliador e instrutor de oficinas tais como: “Olhar o cinema – uma introdução à cinefilia” (Iphan – Belém-PA), “Cinema Corsário – uma viagem pelos filmes de gênero” (Panorama Internacional Coisa de Cinema – Salvador -BA) , “Gostoso de ver: uma revisão da pornochanchada brasileira” (Festival Internacional Lume de Cinema/MA) e “A Crítica de Cinema como Haikai” ( Cine UFBA – Salvador – BA). Foi redator da revista eletrônica “Contracampo”, do site “Scream and Yell”, e teve artigos publicados em jornais como “O Liberal” (PA) e “A Tarde” (BA). Colaborou também com a revista de cinema “Cine Rocinante”.
Fernanda Pessoa é uma premiada cineasta e artista visual brasileira, que trabalha principalmente com documentário e cinema experimental. Doutoranda na ECA/USP com pesquisa sobre o cinema experimental feito por mulheres na América Latina, mestre em Audiovisual na Sorbonne Nouvelle, sob orientação de Philippe Dubois. Dirigiu os longas “Histórias que nosso cinema (não) contava” (Prêmio Guarani Melhor Documentário, DocLisboa, Festival du Nouveau Cinéma, Cinélatino Toulouse, Mostra de Tiradentes, Festival de Brasília), “Zona Árida” (Menção Honrosa no DokLeipzig) e “Vai e Vem” (Sheffield DocFest, DokLeipzig, Olhar de Cinema, RIDM) e os curtas “Igual/Diferente/Ambas/Nenhuma” (IDFA, IDA Shortlisted, DOC NYC), “A Ordem Reina” (É Tudo Verdade, BIENALSUR) e “Solidariedade” (Oberhausen). Participou da Berlinale Talents 2019.Atualmente trabalha na pré-produção de seu quarto longa documental e no desenvolvimento de seu primeiro longa de ficção, selecionado para o Berlinale EFM Fiction Toolbox Programme 2024.
Gabriel Carneiro é jornalista, escritor, crítico e pesquisador de cinema. Doutorando e Mestre em Multimeios pela Unicamp. Sócio fundador da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). Escreveu, entre outros, para a Revista de CINEMA e para os sites Cinequanon e Revista Zingu!, do qual foi editor-chefe. Tem textos publicados em livros, coletâneas e catálogos diversos. Organizou, com Paulo Henrique Silva, os livros Animação brasileira (2018), Curta brasileiro (2019) e Cinema fantástico brasileiro (2024), pertencentes à coleção 100 Filmes Essenciais. Dirigiu e escreveu os curtas Aquela rua tão Triumpho (2016) e Esboçando Miziara (2020), entre outros. Estreou no romance com Olhando para as estrelas só vejo o passado (Patuá, 2023).
Matheus Trunk é jornalista, escritor e roteirista. Formou-se em jornalismo na Universidade Metodista de São Paulo e é mestre em comunicação audiovisual na Universidade Anhembi Morumbi. Autor dos livros “O Coringa do Cinema” (Giostri, 2013) e “Dossiê Boca: personagens e histórias do cinema paulista” (Giostri, 2014).
Tatiana Trad Netto é doutora e mestra em Cultura e Sociedade (UFBA), há mais de dez anos pesquisa o cinema brasileiro, sobretudo o produzido entre as décadas de 1960 e 1980 (durante a ditadura civil militar) e a participação das mulheres nas produções de vanguarda como o Cinema Novo, Cinema Marginal, mas também as Comédias Eróticas , conhecidas popularmente como Pornochanchada. Produziu uma dissertação sobre Helena Ignez e sua inventividade nas representações femininas no cinema marginal, além de uma tese acerca da participação das mulheres em alguns filmes de Pornochanchada.


