Dossiê: 10º Olhar de Cinema

Entre os dias 6 e 14 de outubro, aconteceu o 10º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, pelo segundo ano seguido online devido à pandemia de Covid-19. Os filmes selecionados foram exibidos na plataforma própria do evento.

A Abraccine manteve sua parceria com o Olhar de Cinema para a entrega do Prêmio do Júri Abraccine. Nesta edição, nosso júri foi formado pelos críticos Yasmine Evaristo, Wallace Andrioli Guedes e Emanuela Siqueira. Saiba mais sobre a premiação aqui.

Confira a seguir o dossiê com textos produzidos por associadas e associados da Abraccine sobre filmes exibidos no 10º Olhar de Cinema.

Boa leitura!

O Bom Cinema

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“O ponto de partida de ‘O Bom Cinema’ é uma espécie de ‘encíclica’ para a arte cinematográfica do século passado, que, no decorrer do percurso, flagra sua subversão dionisíaca, nas próprias entranhas da ‘Instituição’ católica – a célebre primeira escola de cinema paulista, São João, de formação jesuíta e que foi ponto de aglutinação de uma geração de cineastas iconoclastas (Carlos Reichenbach na proa).”
Por Adolfo Gomes

Leia também os textos de Sérgio Alpendre e Wallace Andrioli.

A Calmaria Depois da Tempestade

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“Apesar da atmosfera de horror que A Calmaria Depois da Tempestade nos faz vivenciar, uma pergunta simples e fundamental não para de ecoar: qual Gaviria filmou a cena que acabamos de ver, o pai através de uma segunda câmera que não a que vimos em cena, ou a filha, que fazia o making of? ‘Mas o que não vemos / é quem dirige o olhar’, repetem incansavelmente Godard e Anne Marie Miéville em Comment Ça Va (1971). Fica o gosto amargo na boca.”
Por Juliana Costa

Leia também os textos de Neusa Barbosa e Pedro Tavares.

Capitu e o Capítulo

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“Entre a câmera e o corpo repousa um véu. Esse tecido cobre a razão, mas deixa a imaginação exposta pela fresta. Embora filmado em locação acanhada, Capitu e o Capítulo (Julio Bressane, 2021) é quase todo atravessado pela profundidade de campo. Às vezes o horizonte é parte de uma mesa, noutras é a extensão de uma pintura pregada na parede. Assim é o olho do artista diante da exatidão. Um quadro traça seu recorte, entretanto nunca se encerra, pois a paisagem sempre está aquém da fantasia.”
Por Roberto Cotta

Leia também os textos de Adolfo Gomes, Neusa Barbosa e Rafael Carvalho.

Carro-Rei

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“A direção de Renata Pinheiro (Açúcar) e a fotografia de Fernando Lockett (Oscuro Animal) são coesas e causam um efeito impactante em algumas cenas, como no momento em que todes são convocades para ir de encontro ao sistema político, que está proibindo a circulação de carros antigos. A escolha de temperaturas mais frias, na maior parte da projeção, em um longa com momentos de tanta passionalidade das personagens, por exemplo,  é uma estratégia que acrescenta a construção de atmosfera e fomenta traços de personalidades daqueles indivíduos presentes ali.”
Por Enoe Lopes Pontes

Leia também os textos de Neusa Barbosa e Rafael Carvalho.

Um Céu Tão Nublado

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“Tirando seu título de uma referência a Nostromo, de Joseph Conrad, o diretor colombiano Álvaro Pulpeiro traça uma viagem sensorial e conceitual pela Venezuela. Dispensando entrevistas, realiza um documentário observacional que se entrega aos ritmos do tempo e dos personagens que a câmera captura, organizando um universo complexo e contraditório com o poderoso recurso do desenho sonoro do lituano Tomas Blazucas.”
Por Neusa Barbosa

Leia também os textos de Camila Vieira e Sérgio Alpendre.

A Cidade dos Abismos

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“Sonhos são imaginados ou descritos. Há deleite na sonoridade de idiomas que não conhecemos e nas composições de Arrigo Barnabé. A cidade em preto e branco aparece saturada e distorcida por luz e velocidade. Ela é o fundo de cenas nas quais os personagens, em uma frontalidade que os dignifica, declamam poesia ou cantam. Quando o corpo de um deles sangra e se desvanece no ar, sua projeção dança muito acima da cidade, um abismo infinito.”
Por Carla Oliveira

Leia também os textos de Juliana Costa e Rafael Carvalho.

Conferência

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“O modo como o testemunho se alia ao gesto ficcional ganha outra dimensão dentro do teatro: não só por ser o lugar onde tudo aconteceu, mas sobretudo por se tratar de um espaço cênico. Um microfone passa de mão em mão e alguns planos aproximam-se dos rostos dos personagens. Os relatos são prolongados e incomodam os proprietários atuais do teatro. Natasha insiste que os participantes não abandonem o teatro até encerrar a cerimônia. Ela defende ser importante não ter medo e não esquecer, em memória dos que morreram.”
Por Camila Vieira

Leia também os textos de Amanda Aouad e Ivonete Pinto.

Crime Culposo

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“O que impressiona é a estranheza de tudo. Alguns diálogos parecem saídos de uma mesa de bar cheia de cinéfilas (isto é um elogio), e algumas situações, sobretudo com as moças da projeção próxima à nascente, são cômico-fantásticas, tão mais absurdas por estarem sendo vistas dentro de um cinema. O próprio comportamento da câmera, por vezes, abandona o naturalismo do testemunho e parte para movimentos fantasmagóricos e um tanto surpreendentes, como quando uma panorâmica nos leva à projeção do cinema e outra, dentro desta última, nos leva à projeção de O Cervo na mata. A construção em abismo fica ainda mais evidente.”
Por Sérgio Alpendre

Leia também os textos de Enoe Lopes Pontes, Ivonete Pinto e Rafael Carvalho.

O Dia da Posse

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“Vivemos uma saturação de imagens de claustro (ainda antes da pandemia). Saturação de exibição de vidas privadas. Mas há algo neste novo Allan Ribeiro que não cansa. O Brendo Washington filmado por ele não é grandioso no sentido dramatúrgico, no entanto por alguma razão temos prazer em ouvir seus raciocínios às vezes engraçados, às vezes sérios e reflexivos, muitas vezes indicando uma personalidade mitômana.”
Por Ivonete Pinto

Leia também os textos de Amanda Aouad, Enoe Lopes Pontes, Neusa Barbosa, Rafael Carvalho, Sérgio Alpendre e Wallace Andrioli.

Esqui

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“Sem aderir a um discurso explícito, Manque La Banca não se omite de posicionamentos firmes e entrega um filme ousado, com momentos próximos do absurdo, que fala sobre as pessoas que são as reais habitantes daquelas montanhas e a forma como preservam a sua dignidade e a sua cultura, através de mitos, de união e de lutas constantes.”
Por Carla Oliveira

Leia também os textos de Adolfo Gomes e Juliana Costa.

Estilhaços

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“São imagens impressionantes. Não apenas pelas explosões e pela documentação do cenário do acidente, mas também pelo registro do desespero da população. Em determinado momento, o pai de Garayalde dá carona a uma mulher com um filho no colo que chora desesperada achando que seu marido está morto. Há um valor histórico indescritível em tudo isso.”
Por Amanda Aouad

Leia também os textos de Camila Vieira, Carla Oliveira, Juliana Costa, Neusa Barbosa e Rafael Carvalho.

Garotas/Museu

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“Da mesma forma que o espaço do museu expõe um amontoado organizado de obras, o filme também vai acumulando não só o que as meninas falam sobre os trabalhos artísticos com suas perspectivas bastante heterogêneas, mas também em que medida elas conseguem se enxergar no lugar das figuras retratadas ou mesmo identificar se um quadro foi criado por um homem ou uma mulher.”
Por Camila Vieira

Leia também os textos de Juliana Costa e Sérgio Alpendre.

Nós

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“O filme segue um fluxo de pensamentos a partir das intervenções da diretora e dos entrevistados que, apesar de bem cadenciados, seguem rumos muito diversos (ainda que variantes sobre o mesmo tema), muitas vezes com um excesso de ideias nas quais nem sempre é possível se deter com a devida atenção.”
por Rafael Carvalho

Leia também o texto de Neusa Barbosa.

Nũhũ Yãg Mũ Yõg Hãm: Essa Terra É Nossa!

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“Isael e Sueli Maxakali levam a dimensão política do seu cinema ainda mais longe. Se nos filmes anteriores eles materializaram espíritos, neste eles restituem o seu território.”
Por Juliana Costa

Leia também o texto de Amanda Aouad.

Por Trás da Linha de Tijolos Vermelhos

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“Uma informação básica e que aparentemente passa como uma sombra em Por Trás da Linha de Tijolos Vermelhos é a consequência de um tempo assolador dos protestos registrados. Após seis meses de ocupação das ruas de Hong Kong, um capítulo novo então é escrito e registrado por câmeras que não possuem donos, identidade, conceitos estéticos ou até mesmo uma função para elas fora o imediatismo de seu registro.”
Por Pedro Tavares

Leia também o texto de Neusa Barbosa.

As Preces de Delphine

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As Preces de Delphine é um retrato, na tradição mesmo dos portraits, em que o quadro intenta descrever (também entender?) figuras humanas. A câmera de Mbakam mira frontalmente a mulher que conta detalhes da sua vida difícil em Camarões, os conflitos com a família, as muitas brigas e desentendimentos, fala de como entrou para a prostituição e de como chegou à Bélgica fugindo de opressões.”
Por Rafael Carvalho

Leia também o texto de Neusa Barbosa.

O Protetor do Irmão

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“Para além da tensão fílmica proposta no enredo em termos de encontrar um socorro médico para Memo naquele fim de mundo, com a comunicação igualmente precária por falta de sinal telefônico, O protetor irmão também funciona competentemente, em termos dramatúrgicos, como um valioso registro da infância perdida pelas crianças curdas da região.”
Por Luiz Joaquim

Leia também os textos de Pedro Tavares e Rafael Carvalho.

Rio Doce

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“Fellipe Fernandes, em seu primeiro longa, mantém o tom baixo, mas não se poupa de cutucar o cinema social: alfineta a sociedade branca colonialista e educada recifense, nordestina, expondo sua superficialidade e sua fragilidade, ao mesmo tempo que esta sociedade paga de ética.”
Por Chico Fireman

Leia também os textos de Amanda Aouad, Luiz Joaquim e Rafael Carvalho.

Rolê – Histórias dos Rolezinhos

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“A progressão da obra pode parecer que o assunto muda em algum momento, já que o rolê em si perde o foco em determinado momento, mas tudo faz parte de um mesmo assunto. Racismo. E vícios de uma sociedade colonial e escravocrata. O que o documentário quer demonstrar é que, quando um negro “ousa invadir” o espaço da classe média alta branca, há consequências negativas para esses seres humanos que ainda são vistos como inferiores por um grupo.”
Por Amanda Aouad

Leia também o texto de Rafael Carvalho.

O Sonho do Inútil

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“É realmente tocante como o diretor consegue capturar a alma de cada um de seus amigos e mostrar o sentimento que existe entre eles, mesmo depois de anos afastados. Mas este não é apenas um filme de afeto, também é uma obra que registra a vida na periferia com dignidade e evitando um olhar mais clichê.”
Por Chico Fireman

Leia também os textos de Amanda Aouad, Juliana Costa e Rafael Carvalho.

Sonhos de Damasco

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“O sentimento de exílio, obviamente, é forte, e tinge o filme com uma melancolia indelével. Mas não é o saudosismo que dá o tom, apesar de estar bem presente. É mais um sentimento de revolta incontida, porém administrada pela narrativa. O grande trunfo do filme é que ele se recusa a aderir totalmente aos registros da moda, sempre procurando subvertê-los pela invenção, pela impossibilidade de sabermos o que virá a seguir.”
Por Sérgio Alpendre

Leia também o texto de Camila Vieira.

Um Verão Incomum

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“A paranoia: a distância do medo. Todos são suspeitos. O suspense da imagem de segurança, que só pela sua existência já revela o perigo. O olho quer ver, mas a imagem não pode dar mais do que a opacidade da sua superfície. Como as imagens em Blow Up (1966), que se recusam a se mostrar quando o perseguidor está tomado pela desmedida.”
Por Juliana Costa

Leia também o texto de Rafael Carvalho.

Zinder

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“Em ‘Zinder’, de Aïcha Macky, há o cuidado de não explicitar ou tornar redundante os atos de violência em si, mas entender como seus vestígios atravessam os corpos e os discursos de quem faz parte dos ‘palais’.”
Por Camila Vieira

Leia também o texto de Rafael Carvalho.

Mais críticas

“Apenas o Sol”, por Pedro Tavares

“Belos Carnavais”, por Enoe Lopes Pontes

“Colmeia”, por Enoe Lopes Pontes

Filmes de Kamal Aljafari, por Sérgio Alpendre

“A Máquina Infernal”, por Carla Oliveira

“Mirador” e mais filmes, por Chico Fireman

Memórias de deslocamento e afirmação feminina (“No Salão Jolie” ), por Neusa Barbosa

“Palavra Grande”, por Enoe Lopes Pontes

“Quando Chegar a Noite, Pise Devagar”, por Enoe Lopes Pontes

“Recordação” e mais filmes, por Rafael Carvalho

“Rumo ao Norte” e mais filmes, por Sérgio Alpendre

Trajetos de identidade e afirmação na Palestina e na América Latina (“Porto da Memória” e “Nunca Mais Serei a Mesma”), por Neusa Barbosa

Um conto de fadas russo e uma viagem sensorial pela Venezuela (“Tzarevna Descamada”), por Neusa Barbosa

“Virar Mar”, por Pedro Tavares

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