
Sirât acompanha Luis e seu filho Esteban, que chegam ao sul do Marrocos para procurar Marina, filha e irmã desaparecida após participar de uma rave. Sem informações concretas, eles passam a circular entre festas com um grupo de viajantes, seguindo pistas frágeis e relatos imprecisos. A busca os leva por diferentes regiões do deserto, transformando o deslocamento em desespero.
Ficha técnica
Título original: Sirāt
Direção e roteiro: Óliver Laxe e Santiago Fillol
Elenco: Sergi López, Bruno Núñez Arjona, Jade Oukid, Stefania Gadda, Joshua Liam Henderson, Tonin Janvier, Richard Bellamy
Fotografia: Mauro Herce
Montagem: Cristóbal Fernández
Trilha sonora: Kangding Ray
País: Espanha, França
Ano: 2025
Veja o que associadas e associados da Abraccine estão falando sobre o filme:
TEXTOS
É um filme que mexe com todo mundo, dá até para detestar, mas não dá para esquecer, nem ficar indiferente. Reflete o mundo em que vivemos, o clima de guerra que o define, o temor até de uma Terceira Guerra Mundial. O ambiente explosivo em que estamos todos envolvidos e também o desencanto e o desamparo.
Antonio Carlos Egypto, Cinema com Recheio
Rejeitando tanto o realismo social tipicamente europeu quanto o espetáculo do sofrimento em padrões hollywoodianos, Laxe oferece sua versão da travessia religiosa pelo deserto.
Bruno Carmelo, Meio Amargo
Esteticamente, Laxe faz uma obra de primeiríssimo nível. Se o cineasta não é tão bem-sucedido para elaborar implicitamente uma mensagem ou uma “moral da história” com seu filme (parece querer embutir alguma observação geopolítica, mas ela nunca se constrói de fato), ao menos em termos sensoriais ele consegue nos transmitir bastante coisa.
Bruno Ghetti, Revista Cult
Dante descreveu as almas condenadas com um misto de horror e compaixão. Em Laxe, a compaixão ainda existe, mas o horror venceu. Sirāt é habitado pelos novos danados, velhos, pessoas com deficiência, refugiados do nada. Sobreviventes de guerras invisíveis, abandonados à margem da sobrevivência. São os que não têm mais lugar no mundo, nem no discurso da salvação.
Cecilia Barroso, Cenas de Cinema
O roteiro impacta menos do que a direção de Oliver Laxe, que consegue colocar uma alta carga dramática nos momentos mais trágicos
Eduardo Kaneco, Leitura Fílmica
A forma em que essas tragédias se dão, inclusive, estão mais para uma demonstração de sadismo da direção, em ver aqueles corpos sendo expurgados pelo prazer de sentir a explosão do som do que em função da suposta crítica geopolítica, ou de um sentido metafísico/espiritual islâmico.
Fabiana Lima, CinemAção
Se o autor aqui pretende nos levar até a catarse das ações, além do limite da perda e desafiar nossos instintos mais primitivos, essa crise não é impingida apenas ao espectador. Sirât é uma experiência coletiva, um caso palpável de ininterrupto estado de tensão provocado por tudo o que está em cena.
Francisco Carbone, Cenas de Cinema
O tempo é o do contraste entre as Batidas por Minuto (BPM) da música Techno, acelerada, contra o parado do deserto. E o espaço é o da liberdade sugerida pelo “nada” ao redor, a quilômetros e quilômetros de distância.
Luiz Joaquim, Cinema Escrito
A ideia de Oliver Laxe é boa: evitar excessos de explicações e construir uma narrativa que nos cative tanto pela atmosfera quanto pelos simbolismos. No entanto, especialmente ao começar a “explicar” demais as coisas por meio de códigos nem sempre criativos, ele incorre num didatismo mal camuflado.
Marcelo Müller, Kinorama
Sirât é um filme altamente expositivo e explícito em suas ações e isso pode chocar os mais sensíveis, que podem sair do cinema absolutamente impactados e traumatizados.
Marco FIalho, Cinefialho
Se o início nos apresenta longas cenas de dança durante a festa, logo há a substituição por outra espécie de balé sob a trilha sonora de música eletrônica, com longos planos dos carros rasgando o imenso deserto pelo qual os automóveis passam. A movimentação (tanto dos corpos, quanto das máquinas), se faz necessária para a fuga.
Messias Adriano, Tardes de Cinema
Esta aparente desconexão entre a temática ostensiva do filme e as reflexões que provoca são resultado de uma abordagem narrativa corajosa em seu conceito e impecável em sua execução, comprovando a evolução do cineasta desde seu fraco Mimosas, de 2016, e do ótimo O Que Arde (2019).
Pablo Villaça, Cinema em Cena



Pingback: Dossiê Oscar 2026 | Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema