Dreams (Sex Love) – Dossiê 15º Prêmio Abraccine

Dreams (Sex Love)

Dreams (Sex Love) acompanha uma adolescente que se apaixona perdidamente por sua professora e transforma esse sentimento em escrita. Ao registrar o que vive e imagina, ela cria uma narrativa própria sobre desejo, intimidade e exposição, enquanto a situação começa a escapar do controle.

Ficha técnica
Título original: Drømmer
Direção e roteiro: Dag Johan Haugerud
Elenco: Ella Øverbye, Selome Emnetu, Ane Dahl Torp, Anne Marit Jacobsen
País: Noruega
Ano: 2024

Veja o que associadas e associados da Abraccine estão falando sobre o filme.

TEXTOS

No final, o roteiro efetua inúmeros saltos temporais, correndo para informar o que aconteceu a todos os personagens citados num futuro próximo. Dag Johan Haugerud se sente na obrigação de encontrar uma conclusão didática a cada conflito (o livro, o amor, a reação aos pais), inclusive definindo a sexualidade da filha e da professora — algo que dispensava de maneira bastante orgânica até então.
Bruno Carmelo, Meio Amargo

Em Dreams, Haugerud evoca o clássico, mas o reformula, incorporando os debates sobre a literatura para a própria estrutura do longa, num exercício de metalinguagem sutil e inteligente.
Chico Fireman, Filmes do Chico

Como sempre na obra deste diretor, há uma sólida exposição de argumentos, que aguçam e enriquecem o público, incluindo aquele que nunca se deparou com os temas abordados no filme.
Eduardo Kaneco, Leitura Fílmica

A maestria de Dreams, neste coming of age, está em não apelar à fórmula pronta, de dramas potencializados ao maniqueísmo tóxico e moralismo das formas de se amar, como o julgamento destrutivo e policiado dos olhares retrógrados.
Fabrício Duque, Vertentes do Cinema

Imagine o leitor que este tipo de circunstância, quase cômica, serve na verdade para o diretor falar do que aflige o nosso tempo em termos de identidade e de como os dramas podem ser conduzidos.
Ivonete Pinto, Cinema Escrito

As ironias, sutilezas e jogos internos potencializam o prazer de fruir um filme delicado, intenso, cambiante como a adolescência de uma garota – algo que não seria possível sem o extraordinário talento e carisma da jovem atriz Ella Øverbye.
José Geraldo Couto, Blog do IMS

É possível ainda dizer que Dreams é um filme sustentado basicamente mais por um roteiro bem azeitado do que por uma encenação caprichada e o início do filme explicita muito sua proposta de realização: enquanto vemos imagens de céu e nuvens, ouvimos a voz de Johanne ao fundo falando de seus sentimentos, de um ponto de vista de uma jovem em conflito consigo mesma.
Marco Fialho, Cinefialho

Outro aspecto admirável da produção reside em sua recusa de trazer a natureza homoerótica da paixão de Johanne para o centro dramático do filme: em nenhum momento Johanne se questiona por ter se apaixonado por outra mulher ou teme que a reação de sua mãe seja negativa em função disso (na realidade, seu temor diz respeito às mentiras que contou para poder ficar tanto tempo fora de casa).
Pablo Villaça, Cinema em Cena

É engraçado que o longa cria uma metalinguagem com a literatura, relacionando Johanne a uma história que ela lê e depois transformando seus longos escritos em livro.
Victor Russo, Filmes & Filmes

Contudo, o trunfo de Dreams reside mesmo em seu roteiro, escrito por um autor que sabe explorar o voice-over ao contrapor o que está sendo narrado com o que está sendo mostrado.
Rodrigo Torres, Revista Cine Café

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