Uma história de júris

Por Orlando Margarido

A iniciativa dos júris Abraccine nasce há 15 anos, junto com a associação, mas, curiosamente, como causa e não como consequência. Isso porque um dos principais objetivos quando um grupo ainda pequeno de críticos de todo o país se uniu em torno da ideia de fundar uma entidade de âmbito nacional era regulamentar a desordenada formação de júris intitulados “da crítica” que grassavam pelos festivais do país. Muitas vezes, não havia mínimo controle de regras e qualificação dos nomes envolvidos, escolhidos pela direção dos eventos.

Assim, em dezembro de 2011, depois das conversas fundadoras em Paulínia, foi reunido em Gramado o primeiro colegiado com abraccineiros e colegas gaúchos em parceria com a Accirs, a associação local que até hoje mantém o vínculo para a escolha dos jurados na tradicional vitrine. Em dezembro do mesmo ano, foi a vez do Fest Aruanda, de João Pessoa, receber um grupo eleito de associados à Abraccine para avaliar sua mostra competitiva.

De lá para cá, foram mais de uma centena de júris estabelecidos em torno de dez festivais, com alguma variação no decorrer do tempo. Nessa busca por organizar e lapidar a atividade, a associação delimitou regras de atuação em um primeiro documento batizado de decálogo, hoje chamado Orientações para Júris Abraccnine, com itens além dos dez iniciais. Nele, define-se, por exemplo, qual deve ser a mínima representatividade de ineditismo dos filmes concorrentes para o recorte a avaliado, como também se institui uma ética de conduta dos jurados, com sugestões na apreciação mais condizente ao ofício da crítica etc.

A trajetória não se deu sem discussões internas, debates muitas vezes acalorados, e até alguns enfrentamentos mais rudes – comuns em qualquer grupo similar de indivíduos que procuram impor sua visão de cinema, de mundo. A prática amadureceu e os festivais, por seu lado, souberam reconhecer o esforço coletivo para melhorar a qualidade do trabalho, abraçarando a marca Abraccine. Com boa vontade e adaptação do orçamento quando possível, atendem a associação no intuito de democratizar a ida de integrantes que pouco têm oportunidade de viajar e participar dos júris. A cooperação é afinada a cada edição para que esse compromisso, um dos braços mais importantes da entidade, se mantenha por mais quinze anos.

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