Cândido Faria (1849-1911)

Por Suyene Correia (para o site do Jormal da Cidade – SE)

No último sábado (17/12/2011), comemorou-se o Centenário de Morte do laranjeirense, Cândido Aragonez de Faria (1849-1911), um dos mais representativos artistas sergipanos. Chargista, cartazista e artista plástico completo, o nome de Cândido Faria pode soar desconhecido para a maioria dos sergipanos, mas na história da Caricatura Brasileira e dos primórdios da Sétima Arte, sempre foi uma referência.

Responsável pela criação de mais de 300 cartazes de filmes produzidos pela famosa Casa Pathé, o sergipano antes de escolher a capital francesa como derradeira residência, morou no Rio de Janeiro, Porto Alegre e Buenos Aires. Filho do médico José Cândido Faria e da espanhola Josefa Aragonez, Cândido Faria nasceu em Laranjeiras em 1849, mas por conta da morte do pai, vítima de cólera num surto ocorrido no Estado em 1855, não demorou muito para se mudar com a mãe e os irmãos para o Rio de Janeiro, onde viviam parentes maternos.

Lá, cursou o Liceu de Artes e Ofício e a Escola de Belas Artes, mostrando vocação para o desenho. Juntamente com o irmão Adolfo, que viria a se tornar famoso fotógrafo em Paris, Cândido fundou o seu primeiro jornal – O Mosquito – dando início aos empreendimentos na área jornalística. Mais tarde, mudando-se para Porto Alegre, funda dois jornais – Diabrete e Fígaro – e monta seu primeiro ateliê, oferecendo curso de arte.

Vai morar em seguida, em Buenos Aires, onde também atua no ramo editorial, desta vez com o jornal e a revista La Cotorra e, em 1882, então com 33 anos, segue em direção a Paris, onde posteriormente, transforma-se num dos mais requisitados desenhistas e cartazistas, do final do século XIX e início do século XX.

Segundo o pesquisador Luiz Antônio Barreto, juntamente com o conterrâneo Horácio Hora, pintor que fez fama na capital francesa, Cândido Faria é um dos artistas mais representativos do Estado, tendo em vista o trabalho desenvolvido no exterior. “Eles foram até contemporâneos num determinado momento, sendo seus ateliês vizinhos na França. Mas ao contrário de Horácio Hora, que sempre vinha a Sergipe, mesmo morando no exterior, não tenho conhecimento de Cândido ter voltado à sua terra natal, depois de estabelecido residência em Paris”.

O pesquisador, inclusive, teve um maior contato com a obra do cartunista, na década de 1990, quando chegou em suas mãos, uma carta de Felipe Aragonez de Faria, único neto de Cândido. Na época, Luiz Antônio Barreto era secretário de Cultura do Estado e começou a dialogar com o descendente francês, a fim de lhe auxiliar sobre documentos ligados a seu avô.

“Desde então, ele tem vindo com uma certa frequência a Sergipe, a fim de pesquisar dados sobre seus tataravós e finalizar um projeto que envolve o lançamento de três livros: um sobre a família Aragonez, outro sobre o médico José Cândido Faria e, por fim, uma obra sobre Cândido Faria”, diz Barreto.

Enquanto, aguarda a chegada do octogenário Felipe Aragonez de Faria em Aracaju, a fim de realizar uma exposição de cartazes originais, comemorativa aos 100 anos de morte do famoso cartunista, Luiz Antônio Barreto presta uma homenagem ao ilustre desenhista, no Instituto Tobias Barreto, sediado na Biblioteca da Universidade Tiradentes, Campus Farolândia.

Numa sala interativa do Instituto, é possível conhecer um pouco mais sobre a história de Cândido Faria, através de “banneres” que trazem uma biografia resumida e reprodução de cartazes criados pelo sergipano.

                                   

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