Sobre a 37a Mostra (I)

Bressane e ‘Sem Essa Aranha’

Paulo Henrique Silva (MG)

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“Vivemos uma grande tirania, de ordem bancária. A gente não vê a cara do bandido e passamos a ter uma nova escravidão: a do salário. Nossa felicidade está no salário. É aquilo pelo qual lutamos, não havendo tempo disponível para o ócio”, reclama Júlio Bressane para uma pequena e atenta plateia numa das salas do complexo Augusta.

Convidado pela 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o diretor de filmes muito singulares, que fogem do mero entretenimento, como Matou a Família e Foi ao Cinema (1969) e A Erva do Rato (2008), está diante de uma tela verde (seu depoimento está sendo gravado e será reunido num livro) para falar dos filmes que marcaram sua vida.

O que presenciamos hoje na cultura mundial não passa de um milagre para Bressane. O cinema de arte seria uma espécie de devoção que se filia à espera pela recepção dos padres no deserto, eremitas que moravam no deserto da Nítria, no Egito, a partir do século III, e que testavam a fé das pessoas fazendo-as esperar por meses na porta do monastério.

“Não era um sinal de indiferença do padre, mas uma forma de testar o desejo do outro de querer aquilo. Desde quando (o cineasta suíço Jean-Luc) Godard disse que o cinema despareceu, não há quem mais faça isso. Hoje disputamos com restaurantes e parques de diversão. Depois de 12 horas de trabalho, mastigamos uma pedra. De fato, a maneira de se receber e sentir arte desapareceu”, analisa.

Bressane não é de todo desesperançoso. Do contrário, não estaria ainda fazendo cinema. “A sobrevivência vai se dando, nos intervalos. As coisas mudam de valor, sobrevivendo ao ganhar outro sentido. Um exemplo antropológico clássico são o arco e flecha, que sobreviveu como brinquedo de criança”, compara.

Apesar de dizer que o cinema saiu do museu para ir ao zoológico, Bressane é categórico ao afirmar que “os novos tempos não são ruins”. Para ele, todos os tempos são ruins. “Vivemos a época do homem acéfalo, mas é preciso concordar que é um prodígio viver sem cabeça, não?”, indaga, provocando risos na plateia.

De acordo com Bressane, o que engrandece a obra de uma época é o fato de ser justamente contra ela. “O escritor João Francisco Lisboa já dizia que a força de uma década está em querer sair dessa década. Os anos 70 foram um horror, porém havia um reação sensível a eles. Claro que era minoritária, mas a voz ficou ali”.

É o momento para falar da importância de Sem Essa Aranha (1970), produzido pela Bel Air, criada por ele e Rogério Sganzerla no final dos 60. Assim se quebra uma das regras do  projeto “Filmes da Minha Vida”, elegendo apenas um filme no lugar de um apanhado de obras que influenciaram sua carreira atrás das câmeras.

“Dez filmes, é muita coisa”, justifica. A escolha, apesar de favorecer a sua própria obra cinematográfica, diz muito sobre as opções de estilo de Bressane, já que ele não esconde o aprendizado e a admiração por Sganzerla, diretor de Sem Essa Aranha, com quem criou o movimento do Cinema Marginal.

“Ele é um nome central da história do cinema. No Brasil, é o melhor, disparado”, assinala o diretor carioca, de 67 anos, que veio a São Paulo também para lançar seu mais recente longa-metragem, Educação Sentimental, sobre uma solitária professora é tocada pela beleza de um rapaz desconhecido.

Para Bressane, a obra de Sganzerla, em especial Sem Essa Aranha, é um experimento que vem da tradição cinematográfica, como Cidadão Kane, de Orson Welles, e Ivan, o Terrível (1944), do russo Sergei Eisenstein, só que transformado, “dando força ao que é inatual”. O contemporâneo, em suas palavras, é anacrônico.

A força das imagens estaria nos mitos adormecidos, com o filme remetendo à morte de Virgílio do livro de Hermann Broch. “Seria apenas uma evocação, não uma tradução intersemiótica, do espírito criativo desse livro, em que sua força está na repetição, com seu objeto principal sendo a própria arte”.

Segundo o realizador, “como todo grande filme, está falando de si próprio, da construção do cinema”. Formado por nove planos-sequência, cada uma com dez minutos, Sem Essa Aranha acompanha um banqueiro (Jorge Loredo, o Zé Bonitinho) que vive perigosamente e divido entre três mulheres (uma loira, uma morena e uma negra).

Com Helena Ignez – atriz do longa e viúva de Sganzerla – na plateia, Bressane fala de uma obra abstrata, em que cada plano-sequência é um ideograma que precisa ser revisto para se encontrar um possível caminho de interpretação. “Embora não seja um filme para ser explicado”, alerta.

Ele lamenta que a produção ficou abandonada no tempo, sem virar tema de pesquisas aprofundadas. “Por causa dessa curiosidade salarial dos dias de hoje, não tivemos estímulos para ir de encontro a tamanha complexidade. É algo que alimentaria a todos nós, um ponto de apoio na areia movediça que vivemos”, registra.

Bressane pondera que o filme foi um projeto inacabado, que não teve seguidores. “Um filme popular sofisticado que nos transformaria se o mundo fosse mundo. Não é utilitário, mas a arte não tem utilidade nenhuma. Mas que daria um grande prazer, daria. Como uma esporrada genial. Agora está na memória. Perguntado o que aconteceria se ninguém lesse o seu livro, um grande escritor afirmou que ele ficaria na memória de Deus. Esse é o caso”.

Pílulas sobre a Mostra de Cinema de São Paulo

Rafael Carvalho (BA)

Lições de Harmonia (Uroki Garmonii, Cazaquistão/Alemanha/França, 2013)

direção: Emir Baigazin e María Florencia Álvarez

Há alguns anos, o Cazaquistão, país remoto e de que pouco ouvimos falar, trouxe para a Mostra de São Paulo um filme encantador e melancólico em boa medida, Tulpan. Este ano mais um filme vem chacoalhar a maratona cinéfila, agora num registro bem mais endurecido e brutal, estudo de um estado de violência perpetuada em círculos viciosos.

Lições de Harmonia poderia passar como mais uma história sobre bullying, esse tema “modinha recente”, mas o filme é mais que isso. Aslan (Timur Aidarbekov) é um garoto de um vilarejo rural no Cazaquistão, muito perfeccionista e acuado pela gangue de meninos no colégio. Seus modos retraídos parecem vir não só de uma personalidade já arredia por si só, mas também da intimidação que sofre na escola. Tem poucos amigos.

O filme traduz muito bem esse estado de solidão e hermetismo a partir de uma narrativa muito rígida, com câmera quase sempre estática e enquadramentos em busca de certa simetria, além de contar com uma fotografia asséptica que deixa tudo muito límpido, apesar da dureza e brutalidade que ronda a história. É um filme que se faz também com muitos silêncios, reflexo interior do próprio Aslan.

Mas o curioso é como os desenhos de crueldade vão surgindo nos personagens, inclusive no protagonista. Do garoto acuado pela gangue mirim, ele vai demonstrando sua propensão à maldade através dos experimentos cruéis que faz com animais. Passamos a não duvidar de suas pretensões vingativas, embora ele também esteja à mercê desse ambiente em que violência gera mais violência, num contManakamanao cruel que não poupa ninguém. As verdadeiras lições aprendem-se na prática.

Manakamana (Idem, Nepal/EUA, 2013, ao lado)

direção: Pacho Velez e Stephanie Spray

Documentário curiosíssimo, que exige certa cumplicidade do público, Manakamana é dessas obras escondidas em meio a uma programação gigante de um evento assim, mas acaba se revelando uma pequena pérola. Não é um filme fácil, mas cresce muito, principalmente depois da sessão, muito por conta dos tipos humanos a que somos confrontados.

Manakamana apresenta um dispositivo narrativo muito rígido: uma câmera parada filma frontalmente as pessoas que entram na cabine de um teleférico e nunca as abandona até completar o trajeto de uma ponta a outra de uma região montanhosa. Será assim o filme inteiro. Estamos no interior do Nepal num contexto marcadamente religioso (ou turístico), pois aquelas pessoas fazem esse trajeto para visitar o templo de Manakamana para saudar a deusa Bhagwati, ou assim parece.

O filme não nos dá muitas informações sobre isso, tudo que saberemos virá pinçado das falas e conversas das pessoas que passam por ali. Ao poucos é possível entendendo esse contexto. E, no fundo, o que importa mesmo ao filme é tentar revelar as facetas múltiplas das pessoas que realizam essa viagem. Desde aqueles que parecem habitantes típicos do país, com suas vestes características, até turistas estrangeiros e outros passageiros atípicos (como um grupo de fãs de heavy metal até um bando de bodes).

É como se o filme questionasse o que esconde esses rostos e interpelasse o espectador a buscar respostas, a preencher lacunas. A dupla de diretores consegue também dimensionar esses tipos quebrando certas imagens canônicas ou quase sagradas (como o aparecimento de duas senhoras chupando picolé e sujando-se toda, ou mesmo os garotos roqueiros). Na sua rigidez narrativa, Manakamana se abre para muitas possibilidades. Basta olhar de frente.

Miss Violence (Idem, Grécia, 2013)

direção: Alexandros Avranas

Mais um conto moral vindo da Grécia, esse país em crise financeira que parece espalhar para os outros campos (político, social, familiar, artístico) seu descontentamento com a realidade atual. A família, como instituição sagrada, surge nos filmes como em situação de falência, e esse é mais um trabalho que vem corroborar esse estado de coisas em decadência.

Se um dos maiores problemas desse filme (como de tantos outros) é que ele parece existir para causar choque, há ao menos a parcimônia em deixar seus momentos mais “impressionáveis” para o final. Por isso é importante não saber muito do enredo e se deixar curioso pela estranha família que passamos a acompanhar.

Logo de início uma das filhas suicida-se no dia do seu aniversário. O choque da família aos poucos vai dando lugar a comportamentos e diálogos que revelam algo de estranho ali, algo fora da normalidade, especialmente na atitude controladora do avô (Themis Panou), a figura paterna e chefe daquele ambiente, já que nunca encontramos o pai dos filhos de Eleni (Eleni Roussinou).

O mérito do longa está na apropriada condução em que o diretor dá a relações frias e misteriosas entre aqueles personagens, ao mesmo tempo em que instiga o espectador a desvendar os reais segredos escondidos ali. O problema é quando toda essa carga de enigma torna-se um capricho demorado para revelar um choque que vem em forma de cena duríssima, feita para causar impressão. Há bons momentos no decorrer do filme, como a sequência inicial que deixou a sala lotada em total silêncio, mas Miss Violence tem muito mais de rasteiro do que possa parecer.

Cortinas Fechadas (Pardé, Irã, 2013)

direção: Jafar Panahi e Kambuzia Partovi

Um homem chega numa casa e de lá parece não poder mais sair. Vive escondido de todos e tudo, ainda mais por ter em sua companhia um cachorro, animal que a lei islâmica no Irã não permite que viva em residências. De repente, no meio da noite, recebe a visita de um jovem casal que invade a casa por estar sendo perseguido, em especial ucortinas fechadasma jovem que não pode ser encontrada pelas forças oficiais do país.

Cortinas Fechadas começa como esse filme em que casa se confunde com cativeiro e esconderijo, lugar de repouso e de perigo. Mas é preciso ressaltar que esse é um filme para quem conhece a situação pessoal em que vive Jafar Panahi hoje, em prisão domiciliar, acusado de subversão contra o Estado iraniano por fazer filmes que criticam seu país. É preciso também ter certa relação com alguns filmes anteriores do cineasta, em especial O Espelho e O Círculo.

Do último, a ideia de um país que mantém um grupo em cativeiro (no caso, as mulheres; e a personagem feminina aqui é como uma síntese de todas aquelas que são perseguidas no trabalho anterior) reverbera no aprisionamento de outro grupo constantemente vigiado (o dos artistas, de forma geral). E do primeiro filme, Panahi reprisa a ruptura narrativa que o divide em dois, num dos momentos mais incríveis do filme, sem nenhum tipo de alarde que denuncie o real objetivo e foco dessa história.

É quando Cortinas Fechadas transforma-se num filme-ensaio em primeira pessoa, assim como era a obra anterior de Panahi, Isto Não é um Filme, mas operando de uma forma muito mais subjetiva e silenciosa que só reforça a dor de um homem calado em sua arte (em contraposição ao filme anterior que era muito verborrágico também).

Existe nele uma série de referências e pequenos detalhes que enriquecem muito a compreensão de uma obra por demais aberta e que essa primeira impressão nunca será capaz de dar conta. Mas é muito interessante pensar na primeira metade do filme como uma história possível que existe na cabeça do diretor, mas interrompida pela própria dificuldade do cineasta em continuar com sua arte. E também entender a figura do roteirista como um alter ego do próprio cineasta que luta para concluir suas ideias, recebendo a visita de suas próprias criações.

É um filme doloroso e tristíssimo por isso que representa, ao mesmo tempo que vislumbra uma coragem muito grande em enfrentar uma situação tão difícil. É sobre a impossibilidade de fazer, já fazendo. Não do jeito que se quer, mas na forma daquilo que lhe assalta naquele momento. Vislumbramos um cineasta acuado por vários fantasmas que ele tenta espantar jogando na tela (e se jogando) como quem resiste da melhor forma que encontra.

O fim do mundo passa por aqui

Alysson Oliveira (SP)

riocorrente_xlgHá uma imagem bastante forte e bastante divulgada do filme Riocorrente, de Paulo Sacramento – premiado pelo júri da Abraccine na Mostra –, que traz um rio coberto em chamas cruzando São Paulo. Essa cena, que também é o pôster do longa, impressiona não apenas pela qualidade dos efeitos especiais, mas, especialmente, por sua contundência e seu sentido apocalíptico. Já O Rio nos Pertence – também exibido no festival –, de Ricardo Pretti, a imagem simbólica mais marcante é o Rio de Janeiro coberto por uma bruma que a tudo engole e consome.

Num certo sentido ambos são filmes pós-apocalípticos e, como é típico nos melhores representantes do gênero, figuram o mal-estar da contemporaneidade, o esmaecimento de nós mesmos, sujeitos e sujeitas pós-modernos engolidos pela fragmentação e incompreensão. Também, conforme é comum, nenhum dos longas traz o fato em si que desencadeia o “fim do mundo”. Muito além de não importar o ponto de partida, há também nossa incapacidade de compreender, de figurar o começo o fim – ou, pior ainda, já acabou e não percebemos.

O crítico e professor norte-americano Fredric Jameson diz em seu Archeologies of the Future, um estudo sobre utopia e ficções científicas, que “é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo”. E é exatamente essa contenção que se materializa nos dois filmes. A incapacidade – não apenas dos longas, não apenas das artes, mas de todos nós – de ir além do mundo em que vivemos e conhecemos.

Riocorrente tem como protagonistas um trio: Renata (Simone Iliescu), o jornalista Marcelo (Roberto Audio) e o ladrão de carros Carlos (Lee Taylor). Todos numa espécie de crise existencial. Acrescenta-se a eles um garoto de rua, chamado de Exu (Vinícius dos Anjos), que fica sob os cuidados de Carlos, com quem pratica pequenos roubos. Cada um deles, a seu modo, tem uma (in)capacidade de lidar com o fim do mundo que parece se aproximar.

Sacramento, que também assina o roteiro, lida com o realismo durante boa parte do filme, porém, a medida em que se aproxima de seu clímax, a realidade parece não bastar, e a fantasia (um tanto doentia) é a saída, enquanto o fogo, uma espécie de catalisador.

Esse é o mesmo caminho que Pretti – também autor do roteiro de seu filme – percorre em O Rio nos Pertence. Marina (Leandra Leal) se ausentou de sua vida por 10 anos. Foi outra pessoa, abandonou amigos e a única irmã (Mariana Ximenes), conheceu novas pessoas, fez novos planos com um americano. A chegada de um postal onde se lê o título do filme é o que a faz voltar ao seu antigo mundo, retomar laços. Aos poucos, a personagem se revela, é construída com sutileza pelo talento da atriz e a sensibilidade do diretor-roteirista.

O Rio do filme passa longe dos dois extremos retratados no cinema – o de cartão postal e o das favelas. É uma cidade etérea, transfigurada, borrada por uma neblina que esconde os contornos e deixa tudo manchado – tal qual o emocional dessa personagem fragmentada como o seu tempo presente. Quem são esses ‘nos’ a quem o Rio pertence? E porque Marina tem tanto medo deles?

Se o capitalismo, que não morre, nunca é escancarado nos filmes, ele ainda é a lógica que dita as regras das vidas dessas pessoas – assim como das nossas, é claro. Ele se faz presente em sua ausência, em sua sombra que paira sobre os personagens, sobre o Brasil, ao qual narrativas não mais explicam. De certa forma, Riocorrente e O Rio nos Pertence são o passo seguinte a O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, exibido na Mostra do ano passado e em circuito no começo do ano.

Podemos ler cada um dos dois filmes como uma ficção-científica, que, citando novamente Jameson, “não nos dá ‘imagens’ do futuro (…) mas desfamiliariza e reestrutura nossa experiência do nosso próprio presente”. Uma outra cena bastante marcante em Riocorrente traz ratos devorando pilhas de um dos maiores jornais de São Paulo. Num outro momento, um banca de jornal é, para usar uma palavra da moda, vandalizada. Sacramento transforma em imagens a descrença quase generalizada nas fontes de informação convencionais – o que não é nada exagerado, basta ver a manchete de capa da Folha de S. Paulo de 8 de novembro que induzia ao erro ao omitir o prefixo ‘ex’ da palavra ex-prefeito.

Como em O Som ao Redor, nesses dois filmes, os finais não apontam caminhos, soluções. Atestam apenas que os seus sujeitos pós-modernos são as figuras de nosso tempo, em suas complexidades e complicações. Dois filmes que ainda têm muito a ser discutidos.

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Um comentário sobre “Sobre a 37a Mostra (I)

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