Agnès Varda (1928-2019)

Um dossiê de Agnès Varda não poderia ser tradicional. A melhor forma de homenagear uma cineasta pioneira é trazendo reflexões diversas em mídias igualmente diversas. Por isso, abrimos com dois capítulos do podcast Feito por Elas com a participação de Isabel Wittmann e Camila Vieira, críticas da Abraccine:

O segundo episódio faz parte da campanha #OPodcastÉDelas, criada pela Domenica Mendes, do Perdidos na Estante. Saiba mais no site Feito por Elas.

 

A seguir, algumas críticas de filmes da cineasta feitas pelos membros da Abraccine. (clique no nome para ler o texto completo)

Agnès-Varda

Os Catadores e Eu

“Podemos falar de um movimento ensaístico. Diferentemente da tese, o ensaio se sente livre, não se vê na obrigação de expor ou argumentar, nem demonstrar nada. Os Catadores é provavelmente um dos maiores ensaios cinematográficos já realizados. É bom lembrar que a palavra ensaio ingressou na literatura francesa no século XVI com Montaigne, o que marca até hoje uma vertente da ensaística francesa. Além deter a liberdade de todos os meandros e digressões, e de não se sentir adstrito a uma argumentação lógica e conclusiva, o ensaio, nesta vertente, é auto-reflexivo.” Jean-Claude Bernadet

“Essa busca do detalhe, da grandeza que existe nas vidas “menores”, ou mesmo nos lapsos de tempo reduzidos que podem resumir uma vida, a levam a uma brilhante ficção como Cléo das 5 às 7. O que significam essas cifras? Simplesmente o tempo que uma cantora belíssima terá de esperar para receber o resultado de exames clínicos que dirão se ela está mortalmente doente ou não.” Luiz Zanin

Visages Vilages

“Agnès Varda é sem dúvida uma figura cativante. Aos 89 anos, dos quais mais de sessenta foram dedicados ao cinema, a diretora vive uma fase de reconhecimento pleno e foi homenageada com um Oscar honorário por sua trajetória, fato que ironiza, uma vez que mesmo esse seu filme mais recente foi realizado através de financiamento coletivo, como pode ser conferido logo nos agradecimentos dos créditos de abertura.” Isabel Wittmann

“O contraste de gerações está em diversos pontos, não apenas nos dois diretores que nos conduzem nessa jornada investigativa. A própria mistura da composição da imagem nos traz essa sensação de antigo e novo, seja na dinâmica rápida da imagem instantânea contrastando com o ato de imprimi-la. Ou os cenários onde são coladas.” Amanda Aouad

Cléo de 5 à 7

“A maneira como Varda conduz a história de Cléo é extremamente suave e simbólica. A diretora elabora um jogo visual no qual a vaidosa cantora, obcecada por sua própria beleza, olha para algo além de si e, a partir disso, conhece-se melhor. De início, Cléo usa roupas chamativas e uma peruca que a deixa com a aparência de uma boneca viva e atrai os olhares masculinos. Não por acaso, nesses momentos há a presença quase que constante de espelhos no espaço da mise-en-scène, pois Cléo quer ser vista e, caso ninguém a olhe, ela mesma pode fazê-lo.” Susy Freitas

“E não deixa de ser algo observável o olhar de uma cineasta mulher para esta narrativa. Cléo é uma mulher bonita, sensual, mas que não tem sua beleza colocada como objeto de desejo contínuo em tela. Há camadas em sua construção e há sempre um movimento que a enaltece enquanto ser humano com força, vontade e talento próprio. Mesmo algumas conversas do entorno trazem questões feministas como a conversa entre um casal que Cléo ouve em um café.” Amanda Aouad

“Na edição #14 do podcast Em Foco, celebramos a obra da cineasta Agnès Varda, um dos principais nomes do cinema francês, analisando um de seus filmes mais famosos, “Cléo das 5 às 7” (Cléo de 5 à 7, França/Itália, 1962). Participam deste programa: Renato Silveira, Raquel Gomes e Stephania Amaral”. Em Foco

Uma Canta, a outra não

“Na experiência de se aprofundar no cinema de Agnès Varda, Uma canta, a outra não é talvez um dos pontos altos no quesito diversão. Seria de se esperar que as temáticas suscitadas pelo longa levassem a uma fruição até mesmo penosa para espectadores não cinéfilos, mas ela sabe como poucos delinear diferentes camadas textuais em sua obra de maneira que qualquer pessoa assiste a esse filme sem grandes dificuldades, permitindo-se uma leitura crítica adequada a quaisquer conhecimentos prévios, o que não deixa de ser parte da genialidade da diretora.” Susy Freitas

As Praias de Agnès

“Ela se retrata nesse documentário, justapondo suas crenças, preocupações, o seu jeito de ser e de lidar consigo mesma e com o mundo, à fotografia que marcou sua vida, aos seus filmes, aos seus familiares e às suas praias. Segundo ela, ‘Se você abrir uma pessoa, irá achar paisagens. Se me abrir, irá achar praias’ ”. Antonio Carlos Egypto

“Agnès passa, também, pela recordação da infância, do nascimento em Bruxelas, família de origem grega, da aventurosa viagem a Paris, onde se decide pela fotografia, até refazer o rumo e decidir-se pelo cinema. Varda vai se recordando de tudo isso, falando para a câmera, montando suas instalações pelas praias por onde passa, e, em falta delas, mesmo à margem do Sena. Visita casas onde viveu e foi feliz. Lembra-se da cineasta iniciante, numa França machista, na qual eram raras as mulheres que se dedicavam ao cinema, a não ser se quisessem ser atrizes. Agnès queria dirigir. Nesse primeiro filme, prefiguração da nouvelle vague, que assinala com sucesso sua transição da fotografia para as imagens animadas, Agnès já mostra a característica da sua obra, o gosto pelo real.” Luiz Zanin 

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