44ª Mostra SP: Filmes Estrangeiros

17 Quadras, de Davy Rothbart

“Com os acontecimentos nos EUA nos últimos meses, em especial a ascensão do Black Lives Matter, 17 Quadras ganha ainda mais potência em seu retrato sincero e destituído de manipulação de pessoas que tentam sobreviver mesmo que o governo não se importe com elas.”
Alysson Oliveira

“Repleto de passagens dolorosas e um close-up impossível de encarar, 17 Quadras nasceu como um registro familiar, que se transforma em filme quando encontra a sucessão de horrores que aguardava na esquina e invade suas vidas”
Francisco Carbone

“O resultado é uma curiosa tentativa de conversa unilateral que funciona quase como um confessionário, ainda que muitas imagens sejam criadas justamente pelos objetos do filme, que se tornam atores-diretores.”
Isabel Wittmann

“A cadência que Rothbart definiu para contar essa história real, que tomou 20 anos para acontecer – e que, ao final do filme, acena com uma possibilidade de redenção – é envolvente e comovente.”
Luiz Joaquim


Al-Shafaq: Quando o Céu Se Divide, de Esen Isik

“Um pouco mais de nuances poderia ajudar o filme a alcançar dimensões mais sutis do problema.”
Antonio Carlos Egypto

“Esteticamente, a direção de Isik é pontuada por influências distintas, embora seus planos e a cadência estejam mais próximas da cinematografia suíça, a dramaturgia e o tom do filme remetem às produções mais comerciais da Turquia.”
Cecilia Barroso

“Não há grandes sobressaltos na trama, porque os eventos seguem caminhos esperados, mas o drama é utilizado na medida certa como comentário a essa realidade.”
Isabel Wittmann

“O limite entre essas três instâncias (disciplina, rigor e excesso) – difícil de ser percebido e com possíveis consequências trágicas, como a sucedida ao professor Samuel Paty –, é o que parece interessar, em primeiro lugar…”
Luiz Joaquim


O Ano da Morte de Ricardo Reis, de João Botelho

“O recurso do fluxo de consciência é um pouco mais complicado para se fazer na adaptação para o cinema, especialmente quando não se adota uma narração em voice-over. João Botelho opta por contar tudo com imagens e com os diálogos de seus personagens. E que imagens!”
Ailton Monteiro

“O jogo de luz e sombra reflete o mal estar do pós-guerra, as incertezas de um continente mergulhado no caos e também a inquietação das personagens, uma espécie de reflexo do tempo histórico em que vivem.”
Alysson Oliveira

“O filme nos leva aos anos 1930, por meio de uma mise-en-scène meticulosamente trabalhada em todos os detalhes.  Cenários, figurinos, ambientação, figuras humanas muito bem caracterizadas e uma fotografia em preto e branco deslumbrante.”
Antonio Carlos Egypto

“A escolha por construí-lo como um noir cabe ao contexto histórico de 1936, não só em termos estéticos, mas especialmente para reforçar o clima da Europa naquele período pré-II Guerra Mundial.”
Nayara Reynaud


Aranha, de Andrea Chignoli

“Apesar da interessante química entre Valverde e Fontaine, não existe necessariamente um grande desenvolvimento dessa relação, bem como há uma diluição do debate político em questão, ainda mais pela escolha autoral de Wood, da mesma maneira que a narrativa não engrena nas suas duas facetas temporais.”
Nayara Reynaud

“É um retrato cristalino do fascismo que, tantos anos depois, reemerge – agora, tendo como alvos imigrantes estrangeiros, como os haitianos.”
Neusa Barbosa

Aranha trabalha também em dois tempos, resgatando no presente figuras que estavam inseridos naquela luta e hoje são escroques burgueses da pior espécie, lutando para sustentar os privilégios que historicamente lhes caíram nas mãos como legados.”
Rafael Carvalho


Berlin Alexanderplatz, de Burhan Qurbani

“Qurbani traz a trama para os nossos dias, uma proposta interessante que se perde em algum momento ao longo de pouco mais de 3 horas de duração.”
Alysson Oiveira

“São declarações e movimentações quase teatrais, que se trazem uma estranheza charmosa, também trazem um deslocamento temporal por vezes surreal, como personagens que ouvem diálogos escondidos em cenários e cenas que se desenvolvem de maneira a encenar um vaudeville; nem sempre acontece organicidade no todo.”
Francisco Carbone


O Charlatão, de Agniezka Holland

“A ficcionalização da figura histórica não cria um personagem crível, uma vez que além de poucos momentos de raiva, ele aparece como uma figura absolutamente estoica e resiliente. Holland tenta delinear uma denúncia a um regime autoritário e o faz endossando e defendendo a pseudociência.”
Isabel Wittmann

“Essa construção é apenas pincelada por acessos de raiva menos trabalhados pelo roteiro do que os momentos de penitência, algo que terá consequências quando o final demonstra um protagonista mais amoral do que apresentado antes.”
Nayara Reynaud

“Procurando não julgar seu personagem, o filme apresenta um ser humano complexo, que a paixão por Palko humaniza e fragiliza sobremaneira.”
Neusa Barbosa


City Hall, de Frederick Wiseman

“Cada peça do filme é como o pedaço de um mosaico, que se completa ao longo das 4 horas e 35 minutos de duração, trazendo para mais perto do espectador paciente o coração e a batida de uma cidade, sem deixar de incluir os aspectos burocráticos do cotidiano.”
Neusa Barbosa

“O maior entendimento, certamente, é de que tais fragmentos de cena não são puramente ilustrativos, mas sim compreensivos.”
Rafael Carvalho


Coronation, Ai Weiwei

“O diretor transita entre o tom de denúncia e o de solidariedade para com as vítimas e seus familiares sem ser pedante. É um gesto que agrega sentido ao filme, já que os danos da pandemia já foram espetacularizados o suficiente por parte dos veículos de imprensa pelo mundo.”
Diego Benevides

“A proposta de filmar e lançar o documentário tão rapidamente, enquanto ainda estamos vivendo toda essa situação, torna-o mais interessante, pois Coronation já nasce como um documento historicamente posicionado.”
Isabel Wittmann

“Seria algo a se esperar sendo um filme de um artista contestador ao regime como Weiwei, ainda mais com a negligência das autoridades locais no começo da então epidemia, em dezembro de 2019, mas chega a ser surpreendente os relatos obtidos, dado a censura local.”
Nayara Reynaud

“Alguns segmentos do filme somam mais do que outros para substanciar esta reflexão que Wei Wei procura sempre injetar no seu trabalho, em relação à liberdade e singularidade dos indivíduos diante do Estado.”
Neusa Barbosa


Cozinhar F*der Matar, de Mira Fornay

“Mas a narrativa funciona como um estudo de personagens, que, como cobaias de um experimento, tentam em vão sair do labirinto onde se colocaram.”
Isabel Wittmann

“Como na literatura de acumulação em que se baseia, Cozinhar F*der Matar tem um traçado narrativo complexo, que precisa de inserções para ser pleno.”
Cecilia Barroso

“O problema é que a forma como esta desequilibrada tragicomédia do absurdo faz essa crítica também é incapaz de trazer mudanças, retroalimentando, em alguns momentos, o mal a qual aponta.”
Nayara Reynaud


Crianças do sol, de Majid Majidi

“O ator mirim Rouhollah Zamani, que faz o personagem Ali, de 12 anos, tem um desempenho que vale o filme e não por acaso foi premiado em Veneza.”
Antonio Carlos Egypto

Tocante e admirável, vai  na contramão do que muita gente considera ser um típico filme iraniano: tem ação, suspense, humanismo sem sentimentalismo e uma narrativa clássica com encadeamentos imprevistos.
Ivonete Pinto


O Despertar de Fanny Lye, de Thomas Lay

“Clay faz um cinema com sensibilidade contemporânea – o filme é uma espécie de western feminista numa sociedade puritana, mas com toque do passado.”
Alysson Oliveira

“Essa convergência também ocorre nas influências de um filme de gênero que contém vários dentro de si. Mais notadamente o drama de época, o já mencionado faroeste e o terror rural”
Nayara Reynaud


Dezesseis Primaveras, de Suzanne Lindon

“Suzanne tem maturidade suficiente para manter um romance com outra pessoa? Não há qualquer traço de intimidade entre o casal. Com 73 minutos, é um filme revela interesse em levantar questões, mais do que trazer respostas, e esse é um dos seus méritos.”
Alysson Oliveira

“A essência da dramaturgia concentra-se no que há de alegre em cada pequena conquista da moça ao lado de sua primeira paixão.”
Luiz Joaquim


Entre Mortes, de Hilal Baydarov

“O diretor assume uma postura covarde ao não acreditar no poder imagético que possui muito menos na inteligência do espectador, ao apresentar esquetes sobre diferentes formas de abuso e posteriormente contar com um trio de testemunhas oculares que assiste o que ocorre e narra as cenas, como a esclarecer o que não ficou claro e tirar qualquer pretensa subjetividade que a história poderia apresentar.”
Francisco Carbone

“O principal mérito da obra está nesse olhar para a violência física e psicológica contra as mulheres e, embora a ideia de Davud como ‘salvador’ delas pareça errônea, o mesmo personagem que reflete a situação e o próprio rumo final da narrativa vêm dizer que ele não serve a este papel.”
Nayara Reynaud


Gênero, Pan, de Lav Diaz

“A filmagem é muito bonita e expressiva, ao mostrar tanto os personagens como a floresta e a ilha misteriosa.  Há algo hipnotizante no ar.”
Antonio Carlos Egypto

“Dentro desta natureza bruta, entre montanha e floresta, os homens são pequenos, insignificantes, prisioneiros de relações viciadas, conduzidas por policiais, capangas, milicianos, que exploram a todos, semeando o medo.”
Neusa Barbosa


Kubrick por Kubrick, de Gregory Monro

“Permite que se faça uma radiografia eficiente do trabalho e da busca desse criador em dialogar com aquilo que o mobilizava diante do mundo, a partir das obras literárias que ele apreciava e levava às telas.”
Antonio Carlos Egypto

“Mas o filme é simpático e gostoso de assistir e alguns dos comentários são interessantes e informativos, como um complemento agradável à pontuando a obra do diretor.”
Isabel Wittmann

“É diferente quando estamos diante de um verdadeiro artista, rigoroso, exigente e temos a rara oportunidade de saber o que pensa, seus métodos, como cria, de onde vem o impulso que anima sua obra.”
Fatimarlei Lunardelli


Mamãe Mamãe Mamãe, de Sol Berruezo Pichon-Rivière

“Por mais que tentem, existe sempre uma linha que elas não conseguem ultrapassar. Uma linha silenciosa, justamente onde a dor cria raiz, onde o choro se interdita e o grito implora para sair pela garganta.”
Diego Benevides

“Trata-se de um universo de mulheres e suas emoções mais profundas e a diretora consegue nos fazer mergulhar nos pequenos detalhes.”
Isabel Wittmann

“Simples, preciso, e comovente em sua concisão, Mamãe, mamãe, mamãe antecipa mais um novo talento nascente na cinematografia argentina.”
Luiz Joaquim

“É possível dizer que Mamãe, Mamãe, Mamãe perde um pouco da força nesta segunda parte, mas assim como as personagens, a obra tem paciência e ternura suficientes para encontrar o seu caminho de casa.”
Nayara Reynaud


A Morte do Cinema e do Meu Pai Também, de Dani Rosenberg

“Há vida pulsante em seu filme, e ele a captura de maneiras que variam entre o ultrarrealismo e a busca pela poesia, em iguais acertos.”
Francisco Carbone

“Aqui temos um cineasta que está fazendo um filme dentro do filme, usando sua família como atores e atrizes, mas que estão todos atuando versões próximas de si mesmos, enquanto a família lida com a doença aparentemente irrecuperável do patriarca.”
Rafael Carvalho


Mosquito, de João Nuno Pinto

“A jornada de Zacarias é marcada por delírios de colonialismo que se dissolvem na loucura da febre. A direção firme de João Nuno Pinto nos conduz por suas incoerências e Mosquito explicita as contradições do personagem, que se enoja com a violência, mas toma parte nela, como uma engrenagem ativa da brutalidade imperialista.”
Isabel Wittmann

“Então o filme não caminha sozinho pelas referências familiares de Pinto, mas principalmente recria imageticamente o contexto da historicidade dos fatos apresentados – a invasão do colonizador sobre a terra colonizada não é apenas um dado para criar legenda, mas uma construção de planos que ratifiquem essa História, ao mesmo tempo em que conta a história.
Francisco Carbone

“O filme explora a passagem do real ao alucinatório, e vice-versa, o tempo todo, criando um clima intrigante e dando margem a sequências curiosas, audaciosas, estranhas”
Antonio Carlos Egypto

“Talvez, o principal trunfo de Mosquito, e igualmente seu maior problema, seja colocar o filme em estado delirante desde as primeiras cenas”
Nayara Reynaud


Nadando Até o Mar Ficar Azul, de Jia Zhangke

“O que o cineasta faz questão de frisar sem rodeios, são pensamentos, ditos populares que transmitem  uma certa essência moral do povo chinês. Ele repete algumas frases que julga relevantes…”
Ivonete Pinto

“Assim, junta as pontas do velho e do novo, do rural e do urbano, do camponês e do intelectual, levantando um pouco do véu da identidade chinesa.”
Neusa Barbosa

“Um documentário de grande alcance, que extrai de boas conversas, complementadas por imagens cuidadosamente produzidas ou recolhidas, um mundo inteiro a revelar.”
Antonio Carlos Egypto


Os Nomes das Flores, de Bahman Tavoosi

“O diretor não nega sua origem iraniana e estabelece um diálogo com o cinema de seu país, mesmo filmando na Bolívia, duas nações com paisagens e modos de vida tão distintos.”
Alysson Oliveira

“Também há beleza na busca pela verdade dos fatos e no resgate histórico ali presente. Que significado tem tudo isso nos dias de hoje, em que parece que nada mudou, apesar de tudo o que a Bolívia e o mundo viveram durante estes últimos 50 anos?”
Antonio Carlos Egypto

“A sua direção contemplativa até encanta, mas não progride a trama, cujo tom fabular indicado pela narração, não é capaz de desenvolver suficientemente as pessoas que compõem este retrato bucólico para que o público crie empatia por elas.”
Nayara Reynaud


Nossa Senhora do Nilo, de Atiq Rahimi

“O diretor é eficiente na composição do ambiente interno do colégio, embora o andamento da história atenda a algum didatismo, sem comprometer a seriedade do tema geral.”
Neusa Barbosa

“A direção de Rahimi se permite dois momentos de experimentação lúdica, emulando um filme francês em preto e branco e na animação das pinturas egípcias ganhando vida, mas, no geral, apresenta um caráter convencional”
Nayara Reynaud


Pai, de Srdan Golubovic

“Pai é também um recado político. Uma tese sobre como uma guerra selvagem e a estrutura de um estado liberal, igualmente selvagem, pode esfacelar seres humanos íntegros.”
Ivonete Pinto

“A identificação com o personagem e a situação vivida por ele parecem inevitáveis, pelo sentido humano e também pelo desempenho contido e equilibrado do ator que interpreta Nikola.”
Antonio Carlos Egypto

“Se o mundo já é cruel com o personagem, o filme percebe que não precisa lhe infligir mais dor e sofrimento para além daquilo que já está desenhado nas duras circunstâncias em que o protagonista se encontra.”
Rafael Carvalho


Pilatos, de Linda Dombrovszky

“Dombrovszky dirige um filme claustrofóbico com a maior parte das cenas dentro de casa. Mas, quando há externas, é como se houvesse um respiro para a narrativa. Hámori e Györgyi estão excelentes como mãe e filha numa relação delicada, repleta de sutilezas, palavras não ditas e frustrações que se acumulam.”
Alysson Oliveira

“O filme é excepcionalmente maduro para uma autora estreante, não apenas pelos lindos planos, pela fotografia, e pelo trabalho de atores, mas pelo tema escolhido e pelo recorte preciso que ela faz dos dois mundos que jamais se encontram, o da mãe e o da filha.”
Luiza Lusvarghi


O Problema de Nascer, de Sandra Wollner

“Essa consciência, ou semi-consciência, se torna ainda mais próxima do espectador, pois é a própria robô que conta sua história, ainda que de maneira confusa e fragmentada. Como é fragmentada a própria narrativa.”
Ailton Monteiro

“O mais interessante O Problema de Nascer é a forma como Sandra Wollner se apropria dos temas mais debatidos em filmes de ficção científica sobre androides mas os utiliza de outras formas.”
Isabel Wittmann

“A problematização proposta aqui estaria na ideia de ‘memória’ e suas implicações, tendo Elli/Emil como um objeto, uma máquina com forma de gente que existe para suprir carências.”
Luiz Joaquim

“Não deixa de ser questionável por usar a questão de modo acessório e abandoná-la totalmente na segunda metade da trama, sem aprofundamento ou questionamento.”
Nayara Reynaud


Rose Interpreta Julie, de Joe Lawlor e Christine Molloy

“A tensão do filme é bem construída e acompanhamos com atenção as ações de Rose, mas elas nunca parecem se desenvolver à altura da atmosfera. O desfecho nada climático aborda as questões morais apresentadas tomando a resposta mais simples.”
Isabel Wittmann

“Lawlor e Molloy filmam algumas cenas com precisão cirúrgica e um tom quase totalmente frio – especialmente as aulas de Rose na faculdade de medicina veterinária.”
Alysson Oliveira


A Saída dos Trens, de Adrian Cioflâncã e Radu Jude

“O documentário obedece a um modelo muito rígido, alternando as fotos dos mortos e os depoimentos dos sobreviventes – em geral, as viúvas, irmãs, mães ou filhas das vítimas -, em relatos que são quase rigorosamente iguais.”
Neusa Barbosa

“Em certa medida, o filme lembra o trabalho que Svetlana Aleksiévitch faz, no âmbito literário, do resgate oral de histórias brutais e violentas que compõem a História que se quer apagar da sua nação.”
Rafael Carvalho


A Santa do Impossível, de Marc Raymond Wilkins

“Wilkins é bem-intencionado, mas nem sempre supera algumas limitações dos clichês de filmes sobre imigrantes ilegais nos EUA.”
Alysson Oliveira

“Não é por culpa de seus intérpretes que A Santa do Impossível acaba se revelando um produto que transmite passagens antiquadas e soluções engessadas em conservadorismo, mas do próprio olhar estrangeiro de um projeto que não consegue ir além de reafirmar clichês.”
Francisco Carbone


Sem Ressentimentos, de Faraz Shariat

Sem Ressentimento não ousa, nem arrebata, mas é um retrato sensível de crescimento sendo estrangeiro em sua terra.”
Isabel Wittmann

“Ainda assim, há aquelas retração mediante o público externo, que se dissipa conforme a paixão aflora; ou seja, a fórmula clássica.”
Francisco Carbone


Sportin’ Life, de Abel Ferrara

“O filme talvez não desperte o mesmo entusiasmo em pessoas que não tem alguma intimidade com a obra do cineasta, já que há diversas referências, diversos hipertextos”
Ailton Monteiro

“A estrutura de um diário evita qualquer conexão mais significativa entre as “cenas”, e as conversas parecem quase aleatórias. Há momentos, nas entrevistas, em que Ferrara comenta sobre seu processo criativo, mas nunca de maneira muito densa – tudo lhe parece um tédio.”
Alysson Oliveira


Stardust, de Gabriel Range

“Este aqui é um projeto, uma ante-sala, uma preparação. E, por isso talvez, um pouco frustrante.”
Neusa Barbosa

“Ainda assim, a narrativa não possui uma potência propulsora para essa pretensa jornada de autoconhecimento, nem investe numa dramaturgia palpável”
Nayara Reynaud


Summertime, de Carlos López Estrada

“Summertime é um filme em volume alto e nervoso, tenso e generoso ao mostrar um retrato da juventude contemporânea de Los Angeles com sua diversidade étnica, o que irá refletir-se na arte que produzem.”
Alysson Oliveira

“Mas o filme pulsa de forma calorosa e jovial, não se importa com verossimilhanças, além de apresentar uma coleção de personagens impagáveis com suas manias, dores e sapiências populares.”
Rafael Carvalho


Suor, de Magnus von Horn

“A câmera não tira os olhos dela. Somos convidados a participar de sua intimidade, inclusive quando ela não precisa fingir o sorriso que normalmente usa diante das câmeras.”
Ailton Monteiro

“Se o filme é bem-sucedido, muito se deve à interpretação comprometida de Kolesnik, numa personagem que beira o ridículo, mas é humanizada a cada nova cena.”
Alysson Oliveira

“Com uma câmera ágil, buscando seu foco de interesse a cada instante na movimentação ou nos leves zooms, como se emulasse o ritmo frenético dos aplicativos e sua demanda por atenção, Horn abre o filme a todo vapor”
Nayara Reynaud


Walden, de Bojena Horackova

“Não há peso na construção do relacionamento e, mesmo com as reflexões contemporâneas, não é possível entender onde ele acabou. O drama político que poderia ter se delineado também é desperdiçado, servindo apenas de pano de fundo superficial.”
Isabel Wittmann

“O grande problema do roteiro escrito por Horackova, ao lado de Marc Cholodenk e Julien Theves, é não estimular que o espectador desenvolva afeição pelos personagens, além de não desenvolver mais este pano de fundo político.”
Nayara Reynaud


Welcome to Chechnya, David France

Welcome to Chechnya poderia facilmente ter sido um outro filme, muito mais eficiente em sua denúncia, se o diretor se preocupasse mais com as pessoas e menos com o choque das imagens.”
Isabel Wittmann

“Como trabalha nesse registro temático sobreposto à investigação de linguagem, em Welcome to Chechnya até vemos David France conseguir criar um dispositivo que dê um brilho, ainda que sutil, a sua obra de relevância inquestionável.”
Francisco Carbone

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