Dossiê Frankenstein

Frankenstein apresenta a história do cientista Victor Frankenstein e da criatura que ele cria, mas desloca o foco tradicional do horror para uma relação afetiva, ética e existencial. Nessa versão, o monstro não surge apenas como ameaça, mas como um ser consciente, sensível e profundamente marcado pela rejeição. O filme enfatiza a solidão, o desejo de pertencimento e o peso da responsabilidade moral, tratando a criação como um ato de amor deformado, mais do que como um experimento científico fora de controle.

Ficha técnica
Título original: Frankenstein
Direção e roteiro: Guillermo del Toro
Baseado no romance de: Mary Shelley
Elenco: Oscar Isaac, Jacob Elordi, Mia Goth, Christoph Waltz
Produção: Guillermo del Toro, J. Miles Dale
Fotografia: Dan Laustsen
Trilha sonora: Alexandre Desplat
País: Estados Unidos
Ano: 2025

Veja o que associadas e associados da Abraccine estão falando sobre o filme:

TEXTOS

O texto de Shelley é mantido em seus temas essenciais —a questão do preconceito diante do diferente, ou mesmo do sujeito apartado que decide se assumir como pária e passa a agir contra a sociedade que o rejeitou. Mas o grande tema da versão de Del Toro desvia um pouco do priorizado pela escritora, que falava sobretudo da relação entre criador e criatura. O mexicano preferiu se concentrar em outro tipo de ligação, mais específica, a entre pai e filho.
Bruno Ghetti, Folha de S.Paulo

A câmera, em vez de revelar o conflito, o embeleza. E o que era para ser cruel torna-se contemplativo. Falta carne, sobra verniz. A criatura é mais alegoria do que corpo, mais conceito do que vida. Frankenstein, o monstro, se transforma em um boneco polido demais para ser trágico.
Cecilia Barroso, Cenas de Cinema

Mas, o Frankenstein de Guillermo del Toro se sobressai mesmo pela sua composição visual impecável e digna de todos os recursos permitidos pela opulenta produção. O enredo, porém, pende demais para a fácil mensagem de que o cientista é mais monstruoso do que a criatura feita de pedaços de corpos que ele conseguiu reviver.   
Eduardo Kaneco, Leitura Fílmica

Del Toro não tenta modernizar Shelley, e talvez justamente por isso o filme parece tão fiel à sensação da obra, ainda que não à letra dela. Assistindo, temos a impressão de estar lendo um romance daquele período, respirando a mesma retórica, o mesmo ar soturno, o mesmo fascínio gótico.
Gabriel Pinheiro, Medium

Del Toro é um romântico. Seu filme é bem intencionado, mas como adaptação cinematográfica da obra de Mary Shelley, fica em dívida com a autora. Por mais bonitas que sejam as lágrimas vertidas, não há reconciliação na tortura arrogante a que Frankenstein submete sua criatura, nem na vingança com que ela o busca.
Isabel Wittmann, Feito por Elas

Com Frankenstein, Del Toro começa a sair dos maniqueísmos ao buscar interpretações mais complexas, de que a violência está na origem da sobrevivência dos animais e homens e que ela não é definidora em si de caráter. As ações monstruosas estão em todos, assim como a docilidade e a capacidade de ajudar ao outro.
Marco Fialho, Cinefialho

Esta nova versão de Frankenstein é, antes de tudo, a visão de del Toro para a criação maior de Shelley. O caráter gótico da obra original foi mantido, porém, é visível a marca autoral do cineasta. Do rigoroso apuro visual, que nos brinda com cenários e figurinos magníficos; à requintada narrativa com seu intenso tom trágico e carregada de melancolia.
Marden Machado, Cinemarden

Povoado por diálogos mais interessados no melodrama do que em investigações filosóficas e morais mais instigantes (o máximo que o roteiro consegue é se perguntar “que parte do corpo hospeda a alma”), Frankenstein ainda tenta uma reconciliação comovente em seus momentos finais depois de passar os 130 minutos anteriores esforçando-se para inspirar nossa máxima antipatia por Victor, causando mais exasperação do que compaixão.
Pablo Villaça, Cinema em Cena

VÍDEOS

Messias Adriano
Wanderley Teixeira

PODCASTS

Meninos, Eu Vi!, de Rodrigo James

ENTREVISTAS

Paula Jacob, para Harper’s Bazaar: “Frankenstein”: por dentro da concepção da criatura, vivida por Jacob Elordi

Um comentário sobre “Dossiê Frankenstein

  1. Pingback: Dossiê Oscar 2026 - Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Deixe uma resposta