
A Natureza das Coisas Invisíveis acompanha duas crianças que se conhecem durante as férias e constroem uma relação marcada por descobertas, imaginação e experiências que escapam à percepção dos adultos. A partir desse encontro, o filme observa como elas interpretam o mundo ao redor, lidando com ausência, memória e mudanças familiares a partir de um ponto de vista próprio.
Ficha técnica
Direção e roteiro: Rafaela Camelo
Elenco: Laura Brandão, Serena, Aline Marta Maia, Camila Márdila, Larissa Mauro
Direção de fotografia: Francisca Saez Agurto
Montagem: Marina Kosa
País: Brasil
Ano: 2025
Veja o que associadas e associados da Abraccine estão falando sobre o filme.
TEXTOS
A beleza da direção de atores, que esbanjam naturalidade com texto, é o que mantém A Natureza das Coisas Invisíveis sempre nos trilhos, junto com o delicado e espontâneo senso de humor.
André Guerra, Giro/Diário de Pernambuco
O longa-metragem adota uma linguagem da delicadeza, privilegiando instantes de contemplação e de silêncio. Assim, a morte e as doenças nunca adquirem o status de algo empolgante ou tenso para o espectador: cada protagonista com frágil saúde física e mental parece carregar seus dilemas há muito tempo, sem perspectivas de mudança a curto prazo.
Bruno Carmelo, Meio Amargo
Espiritismo e amadurecimento andam lado a lado em A Natureza das Coisas Invisíveis, a promissora estreia de Rafaela Camelo.
Eduardo Kaneco, Leitura Fílmica
Imagens de santos e de pessoas que já se foram, procissões noturnas, vultos, plantas e bichos simbolizam o misticismo que predomina como um personagem deste filme. Aqui, a natureza das coisas invisíveis diz respeito à intangibilidade do que habita o nível espiritual.
Fabiana Lima, CinemAção
Neste ponto, a obra ganha muito mais força. Não apenas pela quebra narrativa, a partir da linda montagem usando a música “Fazenda”, de Milton Nascimento (e que completa cinquenta anos de seu lançamento em 2026). Rafaela apresenta uma câmera mais observadora, explorando aquele território. Um sítio que carrega as marcas do tempo, pelo olhar de quatro gerações de distância. É um olhar curioso sobre um espaço tão cotidiano e, ao mesmo tempo, tão ancestral…
Jorge Cruz Jr., Apostila do Cinema
Muita coisa acontece nas duas partes, muita coisa se revela aos poucos. O importante a notar é que há um trânsito constante entre três modos de apreender o mundo – ou de três imaginários, melhor dizendo: o das crianças, o de suas mães e o dos idosos (a bisavó, os pacientes internados). É nessa troca – às vezes entrechoque, às vezes comunhão – de pontos de vista sobre a vida e a morte que o filme mostra sua delicadeza, sua originalidade e sua força.
José Geral Couto, Blog do IMS
Como sociedade, não sabemos lidar com o luto, visto ainda por tantos como tabu. Que bom que isso está mudando e novas gerações vêm sendo empoderadas desde muito cedo para lidar com a perda e a morte. Há poesia nelas, e é possível falar delas em belos livros e filmes, como este.
Letícia Magalhães, Cine Suffragette
Apesar de tratar de temas delicados e de difícil abordagem, como o de entender a questão da morte, de gênero, de aceitação do corpo, do cuidado com os idosos doentes e de criar crianças sem pais, A Natureza das Coisas Invisíveis perpassa tudo isso com extrema sensibilidade e cuidado.
Marco Fialho, Cinefialho
A Natureza das Coisas Invisíveis lida com temas pesados e bastante delicados. Mas o faz com uma abordagem leve e corajosa. Muito disso se deve à forma como o roteiro foi estruturado e à condução da narrativa.
Marden Machado, Cinemarden
Mas o que realmente define A Natureza das Coisas Invisíveis é a maneira como captura a capacidade infinita das crianças de encontrar fascinação e divertimento mesmo nas circunstâncias mais difíceis: Glória e Sofia correm, gritam (não de pavor, mas aqueles gritos que as crianças soltam por excesso de energia) e exploram o mundo com uma alegria contagiante – e a naturalidade com que lidam com questões que os adultos muitas vezes evitam — como a morte — é um dos aspectos mais tocantes do longa.
Pablo Villaça, Cinema em Cena
Numa cidade interiorana, que teria, na imagem perpetuada pelo cinema, uma característica mais conservadora, é promovido o enterro da vida anterior de Sofia, com o filme caminhando para o seu desfecho em um olhar pouco usual sobre a finitude, fechando belamente a relação entre crianças e idosos, com as primeiras sempre abertas ao novo — algo que parece se dissipar na fase adulta.
Paulo Henrique Silva, O Tempo
Filmar com crianças e conseguir uma naturalidade na interpretação não é tarefa fácil. Falar de morte, luto e ainda de questões de gênero torna a tarefa ainda mais difícil.
Rafael Carvalho, A Tarde
Mais importante do que é dito, em A Natureza das Coisas Invisíveis o que fica é o intuído, aquilo apenas sentido, mas por vezes não expressado.
Robledo Milani, Papo de Cinema
A Natureza das Coisas Invisíveis é melhor aproveitado ao ter seus desdobramentos saboreados ao longo da história.
Rodrigo de Oliveira, ACCIRS


