A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) lamenta a morte do produtor e fotógrafo Luiz Carlos Barreto, aos 98 anos, nesse 22 de julho. Cearense de Sobral, Barretão, como era conhecido, foi um dos mais importantes nomes da produção no cinema brasileiro. Tido como o pai do Cinema Novo, pelo envolvimento com os cineastas e as obras destes a partir das décadas de 1950 e 1960, esteve ligado a cerca de uma centena de filmes, como produtor, roteirista ou fotógrafo. Na filmografia, constam grandes sucessos da bilheteria nacional, a exemplo de Dona Flor e seus Dois Maridos, dirigido pelo filho Bruno Barreto e visto por 12 milhões de espectadores.
Barreto iniciou uma carreira como fotojornalista na revista O Cruzeiro, atividade que o possibilitou conhecer a fundo o Nordeste. Numa dessas jornadas, foi apresentado a Glauber Rocha, que filmava seu primeiro longa-metragem, Barravento, e inspirou Barreto a entrar para o cinema. A estreia se deu no mesmo ano de 1962, com o roteiro de Assalto ao Trem Pagador, e, em seguida, a elogiada fotografia de Vidas Secas, de outro cinemanovista, Nelson Pereira dos Santos.
Em 1965, fundou sua primeira produtora, a Difilm, logo depois transformada na LC Barreto Produções, em sociedade com a mulher Lucy Barreto. Ativista na batalha pelo cinema nacional, esteve ligado à criação da Lei do Audiovisual e do Canal Brasil, este fundado com colegas entre diretores e produtores. Nos anos 2000, produziu com orçamento recorde Lula – O Filho do Brasil. O filme foi codirigido pelo filho Fábio Barreto, falecido há sete anos. Barretão ainda deixa os filhos Cláudio e Paula, esta também produtora.

