Confira aqui a cobertura de nossos associados Arthur Gadelha, Bruno Ghetti, Ivonete Pinto e Suzana Vidigal do 79º Festival de Cannes, que aconteceu de 12 a 23 de maio de 2026 na Riviera Francesa.

Natal Amargo, de Pedro Almodóvar
Almodóvar, em chave autocrítica, pinta a si mesmo como egoísta, autocentrado, porém esta fagulha de exposição acaba não sendo suficiente para enxergarmos ali um filme novo.
Ivonete Pinto, Cinema Escrito
O vai-e-vem secretamente autobiográfico de Dor e Glória (2019) – talvez seu último grande filme – tinha perspicácia e transitava entre passado e presente de forma inebriante, invadindo os sonhos, a imaginação e a ficção como se fossem todas uma coisa só. Aqui ele tenta fazer o mesmo, mas seus personagens rasos só expõem que seus anseios não são nem profundos e nem extrovertidos.
Arthur Gadelha, O Povo
Os personagens entram em cena, têm um instante de descontrole emocional e depois vão embora, mas sua movimentação física é a única coisa que fica. O espectador nunca se sente integrado ao que vê.
Bruno Ghetti, Revista Cult
Pronto, Almodóvar falou. Natal Amargo traz suas cores, carrega seu DNA e deixa o gostinho meio amargo de que a chancela de direção e o talento do espanhol estão sedentos por embarcar em outras tramas.
Suzana Vidigal, Cine Garimpo

Terra do Meu Pai, de Paweł Pawlikowski
De certa forma, o filme é uma condenação dessa Alemanha que um dia se achou a salvação da nossa espécie. Mas é uma percepção que se estende a qualquer povo que entra em um processo de perda de humanidade quando se submete cega e implacavelmente a ideologias políticas.
Bruno Ghetti, Revista Cult
Existe uma ideia interessante circunscrevendo o esmero técnico que o diretor polonês sabe guiar como ninguém e a discussão política do mundo, mas a dramaturgia imóvel tende a encontrar o tédio.
Arthur Gadelha, O Povo
Os personagens são oprimidos pela linguagem visual da tela quadrada e pelo no enquadramento das cenas em que os personagens são reduzidos à sua insignificância, quase como se levassem, nas costas, o peso do espaço vazio em cima de suas cabeças.
Suzana Vidigal, Cine Garimpo
Terra do Meu Pai traz questões atuais, que evidentemente podem e devem ser estendidas para a guerra abominável de Israel contra os palestinos. Não se enganem com o preto e branco, há mais nuances naquelas tintas.
Ivonete Pinto, Cinema Escrito

Histórias Paralelas, de Asghar Farhadi
A impressão que dá é que Farhadi, quando sai do Irã, sua ficção cíclica se pasteuriza, fica tudo plano, novelesco e paródico.
Arthur Gadelha, O Povo
Até a metade, o filme sustenta a atenção com algumas reviravoltas. Mas, a partir do momento em que percebemos que o que é visto pode ser imaginação da escritora Sylvie, o jogo fica meio perdido.
Ivonete Pinto, Cinema Escrito
Farhadi se especializou em filmes que envolvem grandes impasses morais, e, com o tempo, esses dilemas se tornaram a própria alma de sua obra. Sem eles, o diretor parece sempre caminhar na corda bamba, desorientado – e, na falta de ter em que se escorar, acaba se segurando no sentimentalismo das situações, tratando-as de maneira pouco cautelosa.
Bruno Ghetti, Revista Cult

Fjord, de Cristian Mungiu
Fjord provoca. Tira os contornos que determinam onde começa e termina nossas certezas e borra tudo.
Suzana Vidigal, Cine Garimpo
Mungiu faz um filme complexo e audacioso, e, mesmo que suas estratégias de afastamento ou sedução dos personagens continuem facilmente detectáveis, sua direção é sempre convicta e direta, conseguindo abarcar todas as nuances de uma situação extremamente complicada – e para a qual o mundo progressista não pode fechar os olhos.
Bruno Ghetti, Revista Cult
O diretor constrói essa trama com uma frieza assustadora, mas que também é a razão da obra ter uma área tão cinzenta quando discute os dois lados.
Arthur Gadelha, O Povo

Hope, de Na Hong-jin
Afora as bobagens de sempre neste tipo de filme, dá para fazer uma análise um pouco mais séria – além da que envolve Hope como um produto de mercado poderoso, há um famoso que não está nos créditos, mas dita as normas do roteiro: Aristóteles.
Ivonete Pinto, Cinema Escrito
Hwang Jung-Min e Ho-yeon Jung tomam as rédeas emocionais do filme inteiro na pele de dois policiais que não descansam à tarefa de exterminar a ameaça.
Arthur Gadelha, O Povo
Pouco importa o significado metafórico das criaturas: o que interessa neste filme, brilhantemente conduzido pelo cineasta, são os prazeres mais mundanos que só o bom cinema de entretenimento é capaz de proporcionar.
Bruno Ghetti, Revista Cult

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