Dossiê Prêmio Abraccine 2019: TOP 10 Filmes Estrangeiros

Melhor Filme Estrangeiro

Parasita, de Bong Joon-Ho

Destaques Abraccine (ordem alfabética)

Assunto de Família, de Hirokazu Koreeda

“Tudo poderia ser clichê e raso, porém, esse é um filme que passa longe dos estereótipos.”
Amanda Aouad

“Sabemos que eventualmente a realidade terá que invadir este núcleo eletivo, mas os melhores momentos do filme se encontram no idílio do grupo.”
Bruno Carmelo

“O improvável torna-se suportável, o vínculo com aqueles personagens torna-se real, e ansiedade pelo futuro de cada um deles se estabelece.”
Cecilia Barroso

“E bandido bom não é bandido morto. É o bandido que talvez ame mais do que você odeia.”
Daniel Oliveira

“Ao adotar uma estrutura que lembra a de um drama romântico, com direito a idas à praia em família, o cineasta transforma seu filme em um comentário ainda mais ácido dessa sociedade consumista que se ufana de sua riqueza sem se preocupar com a dor de quem não é privilegiado e pode gozar de todos os seus benefícios.”
Luiza Lusvarghi

“Somente aos poucos o público vai entendendo que a dinâmica existe além de relações parentais verdadeiras e que uma nova vai se construindo com a menina.”
Nayara Reynaud

“A outra grande qualidade de Kore-eda é deixar fluir as emoções de uma história intimista sem transbordar para a pieguice jamais.”
Neusa Barbosa

PODCAST
Cinema na Varanda, com Chico Fireman

Coringa, de Todd Phillips

“O longa aspira a ser um comentário inflamado e incendiário sobre o nosso tempo, mas é como se Phillips e o roteirista Scott Silver tivessem lido mal Freud, Guy Debord e o Alan Moore do V de Vingança e, sentindo-se sagazes o bastante, juntassem tudo num caldeirão e jogassem na tela com um lança-chamas.”
Alysson Oliveira

“Trazer uma visão mais realista de Gotham, em meio ao caos e pobreza extrema diante de poucos privilegiados que olham para os excluídos de cima torna tudo ainda mais intenso.”
Amanda Aouad

“O filme de Todd Philips é surpreendentemente forte e impactante.  Não se sai do cinema sem sentir o peso da questão.”
Antonio Carlos Egypto

“Desde o começo do projeto, a ideia foi tomar emprestado do universo das HQs um personagem rico, apaixonante, para, a partir dele, criar um drama humano denso, elaborado, sem focar em cenas envolvendo superpoderes ou efeitos visuais extraordinários.”
Bruno Ghetti

“São muitos planos efetivos nessa busca pelo desacerto e inadequação, e pela exteriorização do personagem, mas a vontade de mostrar a própria capacidade às vezes chama mais atenção do que a história, assim como a inabilidade com a trilha sonora, que por uso excessivo, contraria o objetivo opressor.”
Cecilia Barroso

“Adotando uma estética que remete, e muito, aos filmes dos anos 1970 e 80, Coringa tem a cara de uma produção da chamada Nova Hollywood, especialmente das obras do início da carreira de Scorsese.”
Daniel Medeiros

“A melancolia ou a pulsão de morte do personagem, sua recusa aos modelos morais, me parecem a contribuição mais interessante do filme, nos momentos em que consegue escapar do psicologismo e compartilhar uma experiência do presente, mas sem exposição narcisística autocentrada.”
Marcelo Ikeda

“Na realidade, Phillips opta por relegar ao público os questionamentos, sejam da trama ou morais, o que tem gerado as críticas a um filme que divide opiniões de formas extremas.”
Nayara Reynaud

“Distante de qualquer denúncia rasa e insustentável de um suposto teor irresponsável em suas ideias niilistas, a obra de Todd Phillips concede ao seu público uma possibilidade imensa de reflexão.”
João Paulo Barreto

PODCAST
Cinema na Varanda, com Chico Fireman
Cinematório Café, com Renato Silveira

Dor e Glória, de Pedro Almodóvar

“Mesmo com um protagonista masculino, as mulheres continuam sendo fortes e guiando os passos das personagens seja na figura materna ou na amiga empresária que cuida dele.”
Amanda Aouad

“Aí estão lembranças, recordações, mas também acontecimentos que poderiam ter existido ou serem criados, expectativas, decepções, hipóteses, exageros.”
Antonio Carlos Egypto

“Neste filme, toda forma de alegria manifesta um fundo de tristeza, de modo que nenhuma cena abraça por completo a felicidade nem o desespero.”
Bruno Carmelo

“Beleza e desejo, vontades e obsessões têm relação direta com a criação de um artista, e quando ele não consegue transformar isso em arte, é como se estivesse à beira da morte.”
Bruno Ghetti

“Mais do que reencontro, Dor e Glória é uma espécie de reconstrução, como se a jornada trouxesse alívio, compreensão e vigor para um “novo” homem, com seu cinema modificado assim como ele.”
Cecilia Barroso

“É, literalmente, uma linha da vida, costurando (como a mãe) os vários momentos de uma história que alinhava quem é Almodóvar.”
Daniel Oliveira

“No uso do cinema como modo de reconstrução de suas memórias, Pedro Almodóvar, apesar de não trazer aqui uma assumida autobiografia, coloca, assim mesmo, sua labuta como forma de salvação.”
João Paulo Barreto

“No entanto, há certa contenção narrativa e até estética nesta obra, cujo tom se assemelha a de um filme-testamento de Almodóvar”
Nayara Reynaud

“Aqui, Almodóvar retoma suas cores intensas, seja nos cenários, seja nos figurinos, seja na temperatura das paixões do passado, que assolam a memória de Salvador, um cineasta de sucesso que se recolheu da vida social, abatido por seus problemas físicos e uma depressão.”
Neusa Barbosa

“No interior de Salvador está o âmago de Almodóvar, que deixa de lado qualquer distração, sem nunca abandonar suas cores, desejos e histórias.”
Robledo Milani

PODCAST
Cinema na Varanda, com Chico Fireman
Cinematório Café, com Renato Silveira

Em Trânsito, de Christian Petzold

“É uma aposta arriscada de Petzold, que pode alienar parte do público e demanda atenção e empenho daqueles que entrarem no seu jogo.”
Alysson Oliveira

“O ponto mais estranho do projeto reside na abordagem de temas espinhosos com a banalidade de quem filma o quotidiano de uma família qualquer.”
Bruno Carmelo

Em Trânsito é um longa filmado majoritariamente em lugares de passagem – quartos de hotel, salões de cafés, salas de espera – porque seus personagens não têm lugar no mundo.”
Daniel Oliveira

“A singularidade da versão cinematográfica está, primeiramente, na mistura orgânica entre passado e presente, uma vez que o enredo se passa no século XXI.”
Marcelo Muller

“A ideia de repetição, tal qual a transitoriedade, surge também em seus questionamentos mais profundos sobre a existência humana”
Nayara Reynaud

PODCAST
Cinema na Varanda, com Chico Fireman

Era Uma Vez em… Hollywood, de Quentin Tarantino

“O roteiro, quesito que sempre foi um dos fortes do diretor, acaba não funcionando tão bem aqui.”
Amanda Aouad

“O nono longa-metragem do diretor Quentin Tarantino poderia ser um poema de amor ao cinema e a possibilidade que ele dá de mudar destinos, mesmo que seja de mentirinha.”
Bianca Zasso

“Antes, apenas a violência de Tarantino parecia inconsequente, agora, toda a narrativa se comporta como se acontecesse apesar do espectador.”
Bruno Carmelo

“É muito triste ver um homem que já revolucionou uma arte hoje fazer produtos tão pouco desafiadores e enquadrados.”
Bruno Ghetti

“Nele, ao invés de confrontar os fantasmas e deficiências de seus dois protagonistas, o cineasta opta por terminar o filme exaltando-os como heróis.”
Daniel Oliveira

“Mesmo com esse peso histórico e brutal em suas linhas, Tarantino conseguiu dar ao seu público uma maneira recompensadora e mais justa de revisitar aqueles fatos.”
João Paulo Barreto

“São inúmeras as citações a programas famosos e gente renomada, num processo que exala uma soma deliciosa de memória afetiva e fetichismo”
Marcelo Muller

“Tarantino usa o poder do cinema para evitar o crepúsculo de seus deuses, dando ao menos a promessa de mais um amanhecer a eles.”
Nayara Reynaud

“Ele remexeu na panela de Hollywood, que ele conhece com uma obsessão de nerd, mas sobretudo na própria auto-referência.”
Neusa Barbosa

PODCAST
Cinema na Varanda, com Chico Fireman
Cinematório Café, com Renato Silveira

O Irlandês, de Martin Scorsese

“Scorsese constrói tudo isso meticulosamente, sem pressa. Sua estratégia narrativa é a de dilatar o tempo e justapor dois momentos do passado do protagonista.”
Alysson Oliveira

“A narração em voz over guia o ritmo, a câmera passeia pelo cenário construindo a crônica cotidiana ao mesmo tempo em que as imagens trazem um tom épico.”
Amanda Aouad

“O talento do diretor nos garante uma narrativa muito intensa e envolvente, com momentos marcantes e impactantes, mas dentro de um ritmo lento, que nos permite observar, atentar para detalhes, pensar sobre o que estamos vendo.”
Antonio Carlos Egypto

“O momento em que parte do elenco encontra a fragilidade é quando o diretor manifesta fragmentos da solidão e velhice em colisão com memórias do passado.”
Barbara Demerov

“E por falar em quietude, Scorsese fez da falta de palavras a grande marca da, até agora, melhor personagem feminina de seus filmes. Peggy, a filha de Sheeran com mais destaque na trama, fala pouco mais que três frases durante O Irlandês, mas suas aparições são soberbas justamente pelo seu silêncio aterrorizante.”
Bianca Zasso

“Os elementos são todos muitos familiares, planos-sequência, trilha marcante, movimentos de câmera; a dinâmica dos personagens também encontra ecos de um passado já conhecido, embora agora com alguns papéis invertidos.”
Cecilia Barroso

“Sem preciosismo ou olhar superestimado, é inegável que estamos diante de um momento precioso da cinefilia quando entramos em uma sala de cinema para assistir a uma nova obra dirigida por Martin Scorsese.”
João Paulo Barreto

“É revigorante ver um cineasta desse calibre ampliando concepções sobre um tema tão explorado na sua filmografia e atores dessa envergadura, em estado de graça, fazendo algo de uma potência enorme.”
Marcelo Muller

PODCAST
Cinema na Varanda, com Chico Fireman e Cecilia Barroso
Cinematório Café, com Renato Silveira

Nós, de Jordan Peele

“Chama a atenção a maneira como o filme trabalha seus elementos, estimulando a reflexão mesmo nas cenas mais tensas com as mais diversas associações como a utilização das músicas ‘Good Vibrations’ ou ‘Fuck the Police’, por exemplo.”
Amanda Aouad

“Peele aposta numa narrativa questionadora, com direito a um longo discurso de Red (também Lupita Nyong’o) interrompendo um ágil momento de terror, além de encontros dilatados com os duplos substituindo os tradicionais sustos do horror-espetáculo.”
Bruno Carmelo

“Em sua tensa construção, Peele alcança, sem nenhuma obviedade, lugares interessantes e explora várias questões sociais relevantes, como o confinamento e a separação, a alternância de poder, o silenciamento e a união.”
Cecilia Barroso

“Toda essa iconografia e requinte visuais – associados às referência à Bíblia, história dos EUA, cultura pop – mostram um Jordan Peele mais seguro e ambicioso que em Corra!.
Daniel Oliveira

“Um dos signos mais presentes na narrativa é a idéia de musicalidade e ritmia. Não só as canções no filme são material dramático essencial, mas há um conjunto crucial de cenas onde o ritmo, a dança são um valor.
Juliano Gomes

“No bloco intermediário de Nós, Peele utiliza com gosto alguns cânones, especialmente os que dizem respeito aos congêneres nos quais, igualmente, o período idílico de um grupo de pessoas é atravessado pela brutalidade de outrem.”
Marcelo Muller

“A definição de humanidade é posta em xeque por Peele, misturando o que e quem se considera humano ou animalesco enquanto o instinto de sobrevivência, de defesa dos seus, de violência e de almejar uma vida melhor perpassa todos os personagens, sendo os originais ou suas cópias.”
Nayara Reynaud

“Está dado o cenário em que Peele constrói mais uma fantasia política sinistra, temperada com toques de humor negro e aberta a interpretações de vários naipes.”
Neusa Barbosa

PODCAST
Cinema na Varanda, com Chico Fireman
Cinematório Café, com Renato Silveira

O Paraíso Deve Ser Aqui, de Elia Suleiman

“Suleiman não para de nos surpreender, de nos provocar, sempre com leveza, com muita inteligência e sofisticação.  Sem se valer de nenhum recurso fácil, como seriam o sexo ou a violência.”
Antonio Carlos Egypto

“Com uma fotografia composta, em sua maioria, por planos abertos onde o protagonista é quase um pontinho, pequenino diante das grandezas das cidades por onde passa, O Paraíso Deve Ser Aqui está interessado mais na condição, ora castradora, ora orgulhosa, de estar sempre com nossa nacionalidade visível do que em fazer uma crítica específica a maneira como franceses e americanos tratam quem chega de fora.”
Bianca Zasso

“Talvez o discurso político se torne ainda mais forte devido graças à escolha de representar uma ideia ao invés de contá-la ou demonstrá-la.”
Bruno Carmelo

“O rigor, a precisão milimétrica do jogo de composições, ainda que articulados a um certo minimalismo, o tornam quase um experimento formal cinematográfico.”
Marcelo Ikeda

“O premiado diretor oferece aqui mais um filme minimalista, em que ele interpreta aquele seu constante personagem praticamente mudo – ele pronuncia algumas frases apenas na porção final, em Nova York -, que examina com olhar atento às contradições de um mundo intrigante e paradoxal, e não só na Palestina.”
Neusa Barbosa

“Com uma postura quase chapliniana frente ao exterior, em que a resignação tem papel tão fundamental quanto o embate silencioso daqueles que não desistem, Elia Suleiman faz de O Paraíso Deve Ser Aqui não uma dúvida, mas, ao invés disso, uma afirmação.”
Robledo Milani

PODCAST
Cinema na Varanda, com Chico Fireman

Synonymes, de Nadav Lapid

“Em seu ponto de vista crítico (ou talvez seja melhor dizer cínico), Synonyms faz um uso bastante criativo da linguagem cinematográfica.”
Bruno Carmelo

“Por meio de uma profusão caótica, Lapid consegue equilibrar os signos, dando muita força a sua mensagem.”
Cecilia Barroso

Synonymes é um filme de fluxo, é cinema em movimento, é sobre tentar materializar o impalpável, o incômodo, o estado de espírito.”
Chico Fireman

“Yoav, que está presente na maioria das cenas, muitas delas vividas nas ruas de Paris, é um feixe de nervos expostos a ponto de explodir.”
Neusa Barbosa

Synonymes faz das suas imagens o seu real discurso, mais do que aquilo que é proferido em diálogos aparentemente banais, mas que encontram significados somente após muita reflexão.”
Robledo Milani

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