44ª Mostra SP: Filmes brasileiros

#eagoraoque, de Rubens Rewald e Jean-Claude Bernardet

“Tal provocação recaía nos intelectuais – e por extensão em quem faz cinema – que são de esquerda, classe média, estão sempre querendo fazer a revolução, mas não têm vivência para além de sua classe social. Atualizando o debate, intrínseco em todas as cenas de #eagoraoque: o intelectual branco de classe média que quer defender pessoas periféricas, negras, mas que está no mesmo papel que sempre esteve, defendendo o status quo e negligenciando as pautas identitárias.”
Ivonete Pinto


Ana. Sem Título, de Lúcia Murat

“Ao criar, a partir de uma gravura, a personagem da artista plástica e performer brasileira Ana, desaparecida durante a ditadura militar, Murat se dispõe a percorrer o labirinto em que a região latino-americana se envolveu a partir da década de 1960, vale dizer, de sua geração.”
Luiza Lusvarghi

“Melhor fluidez se encontra nas próprias intervenções artísticas das performances criadas por Ana, encontrada em supostos registros antigos em preto e branco ou rolos de super-8.”
Nayara Reynaud


Casa de Antiguidades, de João Paulo Miranda Maria

“Miranda Maria sabe como dispor os elementos, como trazer a narrativa para a superfície sem ser óbvio em sua emersão. Há toda uma elaboração de planos, de construção cênica e bons elementos para a história que merece ser destacada, assim como a habilidade para fazer com que tudo funcione junto, da maneira que ele espera que seja.”
Cecilia Barroso

“A proposta alegórica, em si, não seria um problema, porém, quando acompanhada de uma encenação engessada, ela não se desenvolve em terreno fértil.”
Nayara Reynaud

“Nesse sempre forma e conteúdo parecem se equilibrar bem, mas é um conceito narrativo que se sustenta até o fim (bem como a ideia do instintivo e animalesco como pulsões humanas mais primitivas, ideia martelada pelo filme a todo instante), de forma muito segura até, mas dentro das suas inconstâncias.
Rafael Carvalho


Chico Reis Entre Nós, de Joyce Prado

“A maior riqueza do documentário é buscar nos personagens da atualidade os nossos Chico Reis, reavivando por meio das imagens e das falas a importância do sentimento de pertencimento à comunidade e a um coletivo, e o papel transformador que esse lugar pode trazer.”
Luiza Lusvarghi


Cidade Pássaro, de Matias Mariani

“Nesse falar de descobertas, reencontros e desencontros, fala de questões profundas, como desejo, pertencimento e incomunicabilidade.”
Cecilia Barroso

“Esse destino escolhido por tantos “pássaros humanos” é tratado com uma ambiguidade ímpar na direção arquitetônica de Mariani, ressaltando simultânea beleza e desamparo nas imagens de edifícios abandonados, pichados ou no mar de prédios do horizonte de São Paulo.”
Nayara Reynaud


Cracolândia, de Edu Felistoque

“Isso acarreta em uma visão parcial à Cracolândia, que seria totalmente válida, embora sujeita a críticas, mas que se mostra desonesta ao se vender como um olhar imparcial, sem partidarismo aos dois polos que mais se destacam na condução do tema”
Nayara Reynaud


Curral, de Marcelo Brennand

“De certo modo, a narrativa é abastecida totalmente por política, com o desenvolvimento do protagonista sempre perpassado pelo clima ininterrupto de disputa na cidade, seja em seu relacionamento com o filho e a ex-esposa (Mayara Millane) ou no caso com a combativa Mariana (Carla Salle), sem tanto aprofundamento.”
Nayara Reynaud


Êxtase, de Moara Passoni

“Há algo de óbvio, nas ossadas, como uma dança macabra que diferentemente une em vida, em contraposição com a cidade de Costa e Niemeyer e sua supervalorização da forma. Há algo de estranho, na adrenalina da corrida encenada e na da manifestação resgatada de arquivo.”
Cecilia Barroso


Filho de Boi, de Haroldo Borges

“Se a trama da jornada de amadurecimento aqui é simples, paira em toda a obra a complexa problemática de uma masculinidade que se encrusta em uma atmosfera a ponto de torná-la insustentável”
Nayara Reynaud

“Muito singelo, o filme funciona nesse choque familiar não-declarado entre pai e filho, que se desenvolve na maior parte do tempo sem palavras, remetendo a um universo primitivo, rural, ancestral, em que a arte oferece algumas janelas para a expressão.”
Neusa Barbosa

“Mas tudo isso são reflexões que as “Na verdade, Filho de Boi acaba sendo uma jornada de auto-conhecimento e assim, de ruptura com a figura paterna. Como todo adolescente que precisa negar os pais para se compreender enquanto ser individual, mas que depois está pronto para uma reconciliação.”
Amanda Aouad


Glauber, Claro, de César Meneghetti

“Sem os depoimentos, seria tarefa inglória  desconstruir este que é um dos mais codificados do diretor, o que menos se comunica e um dos mais desconhecidos.”
Ivonete Pinto

“De certo modo, o filme é nostálgico, como não poderia deixar de ser. Mas, de outro, também serve de lembrete para a enorme fertilidade da cultura. Melhor nunca esquecer.”
Neusa Barbosa


Livro dos Prazeres, de Marcela Lordy

“Lordy, entretanto, foi além, e quis mergulhar de fato no universo da escritora, que era praticamente a protagonista de toda a sua literatura, e chamou para isso a atriz perfeita, Simone Spoladore, que pode encarnar a obsessão, a sensualidade e o fatalismo dessa mulher que fascinou o seu tempo, e nos deixou romances absurdamente angustiantes e originais.”
Luiza Lusvarghi


Mar de Dentro, de Dainara Toffoli

“Mas claro que aqui a proposta está longe de ser tão radical. No entanto, eu diria que temos sim um filme menos interessado em contar uma história do que em nos fazer mergulhar no turbilhão emocional vivido pela protagonista.”
Ailton Monteiro

“Em nenhum momento Mar de Dentro desbanca para a pieguice ou preocupa-se em mostrar uma transformação quase mágica de Manuela. Os desafios do puerpério estão em cada cena sem filtros ou julgamentos. É um filme sobre maternidade que não endeusa essa condição.”
Bianca Zasso

“O ponto forte do filme está nos pequenos detalhes: nas rotinas, nas descobertas, nas delicadezas, na forma como mostra como cada pessoa tem um palpite, mas, no final, o que resta é a solidão da mãe e suas escolhas, ainda que em um contexto tão privilegiado.”
Isabel Wittmann

“Construindo sem pressa o desenrolar da trama que cria pistas e recompensas, mas também subverte algumas expectativas.”
Amanda Aouad


Mulher Oceano, de Djin Sganzerla

“É singular como a diretora aproxima a identidade de duas cidades tão distintas através de personagens e rituais tão tipicamente pertencentes a cada uma delas.”
Neusa Barbosa


As Órbitas da Água, de Frederico Machado

“Consolidando uma narrativa de poucos diálogos, quem fala são os corpos das suas personagens, tomados por desejo e repulsa. Seus movimentos desencadeiam ações e reações em toda a aldeia.”
Alysson Oliveira


Sobradinho, de Marília Hughes e Cláudio Marques

“Marília e Cláudio promovem o encontro desse mito vivo com três agentes locais, que atravessam a História em conjunto com sua sobrevivente que escolheu estar ali, no desterro, reconstituindo de maneira sensorial a origem do expurgo forçado àquelas ruas repletas de abandono.”
Francisco Carbone

“Ainda assim, o registro histórico e atual do impacto socioambiental segue sendo importante e pertinente em um país no qual, independentemente do governo vigente, as hidrelétricas continuam a desalojar brasileiros de suas terras, vide Belo Monte, Jirau e Santo Antonio.”
Nayara Reynaud

“Sobradinho amplia a reflexão iniciada em Desterro, mas a mistura de linguagens e materiais de arquivo acaba não valorizando tanto o que a obra tem de melhor. É, de qualquer forma, um material instigante.”
Amanda Aouad


Valentina, de Cássio Pereira dos Santos

“Valentina é um filme importante não só pelo que traz aos que repelem tudo aquilo que não conhecem, mas por representar na tela pessoas a quem esse espaço sempre fora negado.”
Cecilia Barroso

“Cássio Pereira procura uma naturalidade no registro, embora o texto, por vezes, oscile neste sentido, seja em diálogos ou na caracterização de personagens secundários.”
Nayara Reynaud


Verlust, de Esmir Filho

“O apuro estético do diretor até encanta, com destaque também à fotografia de Inti Briones e ao desenho de som de Martín Grignaschi, mas esta bela embalagem não se sustenta com uma lânguida narrativa sobre relações familiares e de cumplicidade em crise, circundados por uma maresia existencial.”
Nayara Reynaud

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s