Manas – Dossiê 15º Prêmio Abraccine

Manas

Manas acompanha Marcielle, uma adolescente que vive em uma comunidade ribeirinha na Ilha do Marajó. Em um ambiente marcado por estruturas familiares rígidas e relações de poder naturalizadas, ela começa a perceber e questionar a violência ao seu redor.

Ficha técnica
Direção: Marianna Brennand
Roteiro: Marianna Brennand, Camila Agustini, Carolina Benevides
Elenco: Jamilli Correa, Fátima Macedo, Rômulo Braga, Dira Paes, Samira Eloá, Enzo Maia, Emily Pantoja, Gabriel Rodrigues
Direção de fotografia: Pierre de Kerchove
Montagem: Isabela Monteiro de Castro
País: Brasil, Portugal, Bélgica
Ano: 2024

Veja o que associadas e associados da Abraccine estão falando sobre o filme.

TEXTOS

O longa-metragem busca se equilibrar sobre uma linha bastante delicada entre a sutileza e a obviedade. Ele deseja ser, ao mesmo tempo, cuidadoso com as atrizes mirins, mas também suficientemente claro para o espectador.
Bruno Carmelo, Meio Amargo

Como drama e filme-denúncia, Manas poderia se resumir a esse terrível arco de Marcielle. Porém, Marianna Brennand quer algo mais, quer ser uma força de mudança.
Eduardo Kaneco, Leitura Fílmica

Manas incorpora os signos, e suas características do redor, os transformando em uma obra de cinema. É um filme que segue fiel até o final.
Fabrício Duque, Vertentes do Cinema

Com uma carga de beleza que também é uma provocação ao que está sendo mostrado e retratado aqui, ampliando a coragem de sua realizadora a níveis bem altos, Manas não se restringe a gritar seu tema central. Talvez pela delicadeza com que esse recorte é administrado, outras questões estão cedidas ao projeto, umas com mais reverberação e debruçamento, outras com menos.

Francisco Carbone, Cenas de Cinema

A admirável organicidade da narrativa, a relação quase palpável dos personagens entre si e com a paisagem, tudo isso só é possível graças a um roteiro enxuto, ao elenco afinado, a uma impecável direção de atores e, principalmente, à extraordinária atuação da protagonista Jamilli Correa, num papel dificílimo, que transita entre o lúdico e o trágico, fazendo pensar na adolescente Mouchette do filme clássico de Robert Bresson.
José Geraldo Couto, Blog do IMS

Não há escape para as manas: a violência vem de todos os lugares.
Letícia Magalhães, Cine Suffragette

A violência exposta em Manas, com a exploração sexual de uma menina de 13 anos, seria menor ou menos grave? No plano dos fatos, não é. No plano ficcional é diferente? Talvez seja, pois a ficção conta com a reação planejada da plateia. O artista deseja provocar algo.
Luiz Zanin Oricchio, Estadão

Desde o começo o que espanta positivamente é a enorme capacidade da jovem Jamilli Correa de expressar com muita segurança e sensibilidade o turbilhão de sensações que atravessa a sua personagem.
Marcelo Müller, Papo de Cinema

Um dos pontos mais interessantes de Manas é a forma com que a diretora vai nos apresentando cada detalhe do universo abordado, assim como as suas relações afetivas, antes mesmo de inserir os conflitos que lhes são inerentes.
Marco Fialho, Cinefialho

A diretora de maneira sutil deixa óbvio desde o início da narrativa que se trata da realidade vivida não apenas por Marcielle, mas também pelas meninas e mulheres que são obrigadas a aceitar aquela difícil, solitária e dolorosa rotina.
Marden Machado, Cinemarden

A montagem, marcada por pausas e cortes secos, reforça o impacto emocional da narrativa. Não há alívios fáceis, nem catarses redentoras. Manas não oferece soluções: propõe, ao contrário, o enfrentamento do desconforto, o mergulho no não dito, o reconhecimento da dor como experiência coletiva.
Paulo Camargo, A Escotilha

Com a habilidosa câmera de Pierre de Kerchove e a precisa montagem de Isabela Monteiro de Castro, Marianna Brennand parece exorcizar toda a sorte de desgostos (presentes na narrativa), na emblemática cena final.
Ricardo Daehn, Correio Braziliense
Entretanto, não é só a realidade histórica que distancia Manas de Iracema (Iracena – Uma Transa Amazônica, 1975), é principalmente o tempo de cada um na história do cinema brasileiro, além, claro, de uma demarcação entre olhar masculino e feminino e proximidade e distanciamento da percepção de quem conduz a obra.
Victor Russo, Filmes & Filmes

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