O Último Azul – Dossiê 15º Prêmio Abraccine

O Último Azul

O Último Azul acompanha Tereza, uma mulher idosa que vive em um futuro próximo onde o Estado determina o envio de pessoas mais velhas para colônias isoladas. Diante dessa imposição, ela decide fugir e atravessar o país em busca de um último gesto de autonomia.

Ficha técnica
Direção: Gabriel Mascaro
Roteiro: Gabriel Mascaro, Tibério Azul
Elenco: Denise Weinberg, Rodrigo Santoro, Miriam Socarrás, Adanilo, Rosa Malagueta, Clarissa Pinheiro
Direção de fotografia: Guillermo Garza
Montagem: Omar Guzmán Castro, Sebastián Sepúlveda
País: Brasil, México, Chile, Holanda
Ano: 2025

Veja o que associadas e associados da Abraccine estão falando sobre o filme.

TEXTOS

Utilizando o elemento da fantasia, do imponderável, do inusitado, do surpreendente, O Último Azul faz sua provocação abrindo horizontes que o simples realismo teria muito mais dificuldade para oferecer.
Antonio Carlos Egypto, Cinema com Recheio

Com O Último Azul, o diretor atinge um ponto de maturidade muito interessante na carreira, condensando todos os interesses, motivos narrativos e ferramentas de linguagem de suas obras precedentes de maneira orgânica, discreta, evitando que um elemento chame mais atenção que os demais.
Bruno Carmelo, Meio Amargo

Se a emoção não é abraçada totalmente, O Último Azul possui méritos suficientes que fazem este ser um problema (quase) menor.
Caio Pimenta, Cine Set

Em uma aventura de protagonismo inusitado, onde se busca a vida e se enfrenta o sistema para alcançar o que se quer, O Último Azul não pensa no fim como tragédia inevitável; o apresenta como opção à negação da dignidade. Há aqui humor e leveza. Uma leveza que chega com o peso de crítica ao silêncio que naturaliza o abandono dos mais velhos.
Cecilia Barroso, Cenas de Cinema

O Brasil saiu de um período de distorção moral tão perversa que pensar na possibilidade proposta pelo filme — um governo que, sob o pretexto da recompensa, obriga idosos a se retirar do convívio social para viver em colônias afastadas das cidades — não parece tão absurdo assim.
Chico Fireman, Filmes do Chico

O filme revela uma evolução de Gabriel Mascaro como diretor, porém prejudicado por um roteiro (que ele assina junto com Tibério Azul) que explora uma variante no subgênero idosos na ficção-científica complicando desnecessariamente alguns detalhes…
Eduardo Kaneco, Leitura Fílmica

O Último Azul é também um filme de mise-en-scène, porque quer nos ambientar na metafísica captada de uma invisibilidade sensorial (da névoa que cria a fantasia e do tom de absurdo com a “homenagem do Governo”).
Fabrício Duque, Vertentes do Cinema

Essa colocação futurista, tanto no gráfico quanto no narrativo, criam uma força ostensiva no que vemos, e a tentativa de parecer orgânico no trabalho, como um todo, eventualmente não se mostra alcançado.
Francisco Carbone, Rota Cult

Estamos também em outro território caro a Gabriel Mascaro: toda exploração leva a surpresas. Elas podem ser boas ou más, agradáveis ou não, comportam riscos também.
Ignácio Araújo, Folha de S.Paulo

Minha questão com o filme é que todo o discurso ousado proposto pela produção não se materializa em uma criação audiovisual digna desta ousadia. Isso não anula o ótimo trabalho de provocação e sua boa recepção é compreensível a partir do olhar universalista sobre uma questão urgente. É muito eficiente no conteúdo, mas não tão competente à luz do cinema de gênero no qual se insere.
Jorge Cruz Jr., Apostila do Cinema

Esse “boat movie”, como alguém definiu, é de uma riqueza inesgotável ao explorar a interação entre os indivíduos, o contexto social e a paisagem humana por onde eles trafegam.
José Geraldo Couto, Blog do IMS

Em O Último Azul, predomina o tom fantástico da ficção especulativa para narrar a história de Tereza, que é cerceada por um poder que não tem imagem, não tem líder – o governo é algo que se vislumbra por meio de funcionários uniformizados que reproduzem falas aprendidas em algum treinamento, sem nenhuma empatia.
Luiza Lusvargh, Editora Poytheama

O Último Azul investe também em um lado lúdico, com um fictício caracol que tem uma baba azul que pingado no olho produz um efeito lisérgico. Esse elemento espiritual sugere mais um ponto de um universo utópico que Tereza cria para si, em contraponto à distopia da colônia de idosos implantada por um governo ufanista.
Marco Fialho, Cinefialho

A narrativa começa de maneira dura, seca e burocrática. Afinal, aquela realidade é assim. À medida em que Tereza avança em sua viagem é visível uma mudança não apenas em sua postura, mas também no visual do filme, que assume uma tonalidade, digamos assim, mais psicodélica.
Marden Machado, Cinemarden

Brilhante também em sua direção de arte (obra de Dayse Barreto), O Último Azul cria um futuro que parece ao mesmo tempo familiar e estranho, usando locações reais — como uma área tomada por casas de palafita — e complementando-as com elementos que reforçam a atmosfera distópica (e, neste sentido, vale apontar novamente como a realidade dos que pouco têm já soa como distopia para quem não é obrigado a enfrentá-la cotidianamente).
Pablo Villaça, Cinema em Cena

Ao tematizar o descarte dos corpos envelhecidos, Gabriel Mascaro toca numa ferida global, mas o faz com marcas estéticas muito brasileiras: o realismo mágico, a presença do rio, o humor agridoce, o hibridismo entre festa e tragédia.
Paulo Camargo, A Escotilha

O Último Azul se permite sonhar e brincar. Um filme subversivo, no qual sua protagonista idosa se traveste para fugir e experimenta um flerte lésbico pela primeira vez. E uma sátira excêntrica, que por vezes lembra a comédia lacônica do incontornável Aki Kaurismäki.
Rodrigo Torres, Revista Cine Café

Realizador de títulos como Ventos de Agosto (2014), Boi Neon (2015) e Divino Amor (2019), o diretor e roteirista pernambucano Gabriel Mascaro narra em O Último Azul uma fábula contemporânea em que critica com sensibilidade o etarismo, o utilitarismo que descarta pessoas e coisas e o capitalismo que degrada o meio ambiente.
Roger Lerina, Matinal Jornalismo

Se o longa não pontua ou pune a personagem por suas contradições é justamente porque a jornada de Tereza é muito mais interessante como essa figura humana, que cruza com outras pessoas igualmente complexas e palpáveis, como Cadu (Rodrigo Santoro), Roberta (Miriam Socarrás) e Ludemir (Adanilo).
Victor Russo, Filmes & Filmes

VÍDEOS

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