
Baby (2024) acompanha Wellington, um jovem que deixa um centro de detenção juvenil e passa a circular pelo centro de São Paulo em busca de trabalho, abrigo e algum tipo de estabilidade. Nesse percurso, ele conhece Ronaldo, um homem mais velho com quem estabelece uma relação marcada por troca, desejo e dependência. A convivência entre os dois estrutura o filme, que observa o cotidiano nas ruas, as negociações afetivas e as formas possíveis de sobrevivência.
Ficha técnica
Direção: Marcelo Caetano
Roteiro: Gabriel Domingues, Marcelo Caetano
Elenco: João Pedro Mariano, Ricardo Teodoro, Ana Flávia Cavalcanti, Bruna Linzmeyer, Luiz Bertazzo, Marcelo Várzea
Direção de fotografia: Joana Luz, Pedro Sotero
Montagem: Fabian Remy
País: Brasil
Ano: 2024
Veja o que associadas e associados da Abraccine estão falando sobre o filme.
TEXTOS
Caetano conta essa história sem ser tão óbvio, porque filma a cidade em sua prisão e em sua liberdade, permeando a jornada com muito erotismo e até mesmo com humor expansivo, que coloca a esperança ao centro do seu palco.
Arthur Gadelha, O Povo
Moralmente, filmes como Baby são inatacáveis, mas artisticamente, denotam um certo cansaço estético e uma ardilosa automanutenção dentro de uma redoma identitária que, em outros tempos, denotava rebeldia, mas que há anos vem se tornando uma zona de conforto. Quando não um clichê.
Bruno Ghetti, Folha de S.Paulo
É no amor que Baby encontra um lugar no mundo, com o acolhimento improvável de pessoas que, assim como ele, também estão à margem.
Camila Henriques, Cine Set
Este novo longa pode não ter a potência ou a explosão do trabalho anterior do cineasta, mas na sutileza e na delicadeza com que conta a história, no respeito e na maturidade com que olha para os personagens e seus erros, carregado de compaixão e humanidade, confirma o mineiro como um dos grandes nomes do cinema brasileiro atual.
Daniel Oliveira, Cinematório
Quase todos circulam por uma São Paulo nada abastada, exposta de forma personalizada e repleta de cores vibrantes, em especial vermelho e azul.
Daniel Schenker, Rio Show/O Globo
Nesse cenário de poucas opções, o diretor Marcelo Caetano novamente valoriza a liberdade confrontadora dos performers que se apresentam nos espaços públicos – é onde Wellington parece se encontrar, pelo menos nesse momento ainda inicial de sua vida.
Eduardo Kaneco, Leitura Fílmica
Aqui, o filme nasce na sobrevivência. No pedido de ajuda. No limite da ação. De um lado, uma personagem precisa ser cuidada. Do outro, o cuidador.
Fabrício Duque, Vertentes do Cinema
Mesmo o afeto experimentado, e talvez até essencialmente ele, é um motor que trabalha na redoma da masculinidade, se mostrando como crucial para entender o quanto tais figuras de ação revelam sua própria maleabilidade diante do outro.
Francisco Carbone, Rota Cult
O que veremos então, ao longo de um par de horas, são os enlaces e embates desse corpo vibrante e vulnerável com outros corpos e com a metrópole que os envolve, a cidade de São Paulo, apresentada como um organismo vivo e complexo, que ao mesmo tempo atrai, ameaça, fascina e repele.
José Geraldo Couto, Blog do IMS
O primeiro motivo é estético mesmo. A elegância com que a câmera passeia pelo centro de São Paulo é uma espécie de declaração de amor a essa cidade áspera, porém dotada de encantos justamente onde não se espera encontrá-los.
Luiz Zanin Oricchio, Estadão
Se falta algo a Baby é um pouco de intensidade emocional, de instantes que eletrifiquem essa ciranda, então, meio morna de amores e experiências. Em parte, isso tem a ver com a repartição dispersiva das atenções entre Baby e Ronaldo, mais especificamente ao tempo de tela dispensado ao homem que faz da prostituição e do tráfico as formas alternativas de continuar existindo.
Marcelo Müller, Papo de Cinema
Em tempos em que nudez e sexo são objeto de crítica da geração contemporânea e conservadora, Marcelo Caetano não receia em introduzir os instantes de intimidade entre os personagens quando entende oportuno na narrativa
Márcio Sallem, Metrópoles
O roteiro de Marcelo Caetano, coescrito por Gabriel Domingues, aposta numa narrativa onde os diálogos são curtos e precisos, nunca repetitivos à imagem, sempre a alimentando com sugestionamentos e olhares.
Marco Fialho, Cinefialho
Caetano já havia abordado o mundo queer em seu trabalho anterior. Com Baby, ele volta a esse universo, no entanto, o faz de maneira ao mesmo tempo poética e direta, sutil e cruel, esperançosa e realista.
Marden Machado, Cinemarden
Sob um olhar sempre respeitoso para com a relação de amor e companherismo dos dois, o filme jamais tenta vilanizar este ou outro personagem da trama, fugindo da concepção maniqueísta do bem e do mal e transitando de maneira fluida entre tais conceitos, o que o faz ter predileção por focar na complexidade daqueles homens incompletos.
Messias Adriano, Tardes de Cinema
A construção estética de Baby, vencedor do prêmio de melhor filme no último Festival do Rio, subverte expectativas desde a primeira cena. Diferentemente de outros filmes que tratam da saída da prisão com tons sombrios e introspectivos, Caetano opta por uma introdução vibrante e irônica.
Paulo Camargo, A Escotilha
Baby é um filme contraditoriamente “à moda antiga” e contemporâneo, que, talvez por isso, não resista ao escrutínio da “nova política dos corpos”. Mas é um filme, no mínimo, de grande força e potência mobilizadora…
Pedro Butcher, Valor Econômico
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Narrativamente, Baby segue a mesma linha de Corpo Elétrico. São trabalhos que seguem pelo viés do naturalismo, a ponto de parecerem criados em cima de diálogos improvisados.
Rafael Carvalho, A Tarde
Baby resulta numa obra que habita a plúmbea República do Arouche com uma fotografia e direção de arte que é uma suruba de cores que nocauteia a cromofobia e por conseguinte, a homofobia.
Vivi Pistache, Geledés
Sem julgamento, Marcelo Caetano faz um retrato belíssimo, mas cru, real, sobre o encontro das duas gerações em questão a partir do match de dois personagens muito bem construídos pelo roteiro e defendidos por ótimos atores, a dupla João Pedro Mariano e Ricardo Teodoro.
Wanderley Teixeira, Coisa de Cinéfilo



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