
Os Enforcados (2024) acompanha um casal inserido em um esquema de dinheiro e poder que mistura negócios, crime e relações pessoais.
Ficha técnica
Direção e roteiro: Fernando Coimbra
Elenco: Leandra Leal, Irandhir Santos, Irene Ravache, Pêpê Rapazote, Augusto Madeira, Stepan Nercessian
Direção de fotografia: Ulisses Malta Jr.
Montagem: Karen Harley
País: Brasil
Ano: 2024
Veja o que associadas e associados da Abraccine estão falando sobre o filme.
TEXTOS
Ao brincar com as possibilidades cenográficas dessa casa, que vão moldando o tom brutal da história em uma atmosfera gradualmente operística, o diretor, que revelou toda sua destreza no potencial de choque com O Lobo Atrás da Porta, faz deste seu novo trabalho um exercício mórbido de suspense que pulveriza sem rede de segurança as violências de que todos são capazes de aplicar — e receber.
André Guerra, Giro/Diário de Pernambuco
É evidente que Coimbra mira num raro tipo de comédia ridicularizando as classes opressoras, ao invés das classes oprimidas. Fugindo ao costume de rir das empregadas domésticas e porteiros — segmento preferencial de certo ramo da comédia nacional —, ele estabelece como alvo os patéticos homens no topo da pirâmide.
Bruno Carmelo, Meio Amargo
Sem nenhum espaço para condescendência, o filme provoca risadas a cada novo desdobramento bizarro. Em um conjunto de atores que criam tipos que beiram a caricatura – algo que, nesse universo farsesco, cabe perfeitamente – é em Leandra Leal que Coimbra tem, mais uma vez, o norte da trama.
Camila Henriques, Cine Set
Inspirado no maior dramaturgo de todos os tempos, Os Enforcados explora essa relação de forma quase teatral, construindo um jogo de cumplicidade e traição que se alimenta mais da ambição do que de qualquer afeto real.
Cecilia Barroso, Cenas de Cinema
No ótimo elenco, destaque para Leandra, que transita com fluência entre a ambição desmedida e a insegurança da personagem, e Irene, que domina o humor sem incorrer em excessos.
Daniel Schenker, O Globo
Fernando Coimbra, diretor de O Lobo Atrás da Porta (2013), volta ao filme policial dos crimes impactantes no seu novo longa Os Enforcados. Desta vez, num estilo mais ousado, que explora o humor sombrio e um notável viés artístico.
Eduardo Kaneco, Leitura Fílmica
Mas, são as reviravoltas da história o ponto alto do longa, porque elas são impactantes e a encenação brinca com a elaboração de suspensão. Coimbra usa a movimentação do elenco e a câmera parada para aumentar a atmosfera de medo, tensão e violência.
Enoe Lopes Pontes, Coisa de Cinéfilo
Os Enforcados não é só sobre a mais real e orgânica sobrevivências dos seres social, mas sim e também uma ode à fisiologia cognitiva da condição humana em estágios de emergência e de desespero.
Fabrício Duque, Vertentes do Cinema
Os Enforcados, também mais do que seu filme mais festejado, é um trabalho onde o drama e a construção de seus tipos parecem mais constituídos pela ação do que pelo psicológico. Entendam: isso não significa que seu material de roteiro é um suporte menor, e sim que o trabalho de direção de Coimbra conseguiu chamar a atenção por cima da narrativa, e ainda não tornando-a obsoleta ao que assistimos.
Francisco Carbone, Rota Cult
O tema não é tolo, a direção de arte nunca decepciona, a fotografia podia ser um pouco menos escura, mas, enfim, tudo bem. Mas os personagens se entregam a um jogo de enganos ingênuos, de crença não só cega como tola na família.
Ignácio Araújo, Folha de S.Paulo
Poucos filmes brasileiros recentes abordaram de modo tão franco e contundente a promiscuidade entre bicheiros, policiais, milicianos, políticos, empresários e escolas de samba.
José Geraldo Couto, Blog do IMS
O sangue, o sexo e a sordidez são amenizados em Os Enforcados por essa estilização que transforma a podridão em arma de perfuração superficial. Porém, o filme tem momentos fortes e alguns predicados.
Marcelo Müller, Papo de Cinema
Entretanto, o humor não é destrambelhado. Basta comparar instantes aparentemente parecidos – o fetiche de Valério e Regina e a violência que esta sofre – para perceber a maneira com que a direção sabe diferenciar, em termos de condução, cenas que tem propostas diferentes.
Márcio Sallem, Cinema com Crítica (Substack)
A parte cenográfica de Os Enforcados, mais do que fundamental, se faz um personagem sinistro para que adentremos na emaranhada trama de sexo, amor, violência, traição, assassinatos, confiança, poder e dinheiro.
Marco Fialho, Cinefialho
Há também uma forte inspiração shakespeariana, dos filmes noir hollywoodianos dos anos 1940, das obras policiais dos irmãos Coen. Por fim, a narrativa é carregada de uma veia humorística inesperada e bastante corrosiva.
Marden Machado, Cinemarden
Inspirado na sanguinária “MacBeth” e com empréstimo a “Hamlet” (irmão que mata irmão para herdar sua posição na estrutura de poder), o cineasta-roteirista engendrou trama para estômagos fortes. E, como fazem as séries contemporâneas (e os filmes dos Irmãos Coen), injetou ingredientes de comédia à narrativa.
Maria do Rosário Caetano, Revista de Cinema
Este longa de Fernando Coimbra é muito amado. Amor curioso, se considerarmos que no início parece uma espécie mais comportada de Que?, do Polanski, aplicado ao filme criminal. E um filme como esse, que gira em falso o tempo todo, ou se aceita e entra no embalo ou ele te escapa.
Sérgio Alpendre, casa alpendre
Coimbra também não tem medo de sujar as mãos na sua narrativa dos bobos da corte que quiseram ser rei, sua tragédia shakespeariana que preferiu ser farsa carioca.
Victor Russo, Filmes e Filmes



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