Prêmio Abraccine 2013: Melhores Longas Estrangeiros

tabuTabu

Saudade, palavra portuguesa, sobrevive melhor em película e preto-e-branco, território em que o cineasta português Miguel Gomes planta a onírica semente de Tabu, uma crônica vigorosa sobre memória, perdas, tempo e colonialismo. Não por acaso, as referências ao cinema mudo, contidas no título e no nome da protagonista, Aurora (Laura Soveral), são alguns dos muitos traços sutis por onde trafega uma narrativa que acompanha mulheres maduras, na primeira parte, e um homem velho, na segunda, ambos acertando as contas com uma profusão de sentimentos perdidos – mas não inúteis. A partir de seu intrigante introito, em que um explorador da África entrega-se à sanha de um crocodilo por desespero amoroso, Tabu percorre seus caminhos amparado na dualidade da velha Aurora, uma espécie de metáfora de Portugal, dividida entre a decepção solitária do presente e a vitalidade contraditória do passado. (Neusa Barbosa)

Adoro Cinema – Lucas Salgado

Andredib.com – André Dib

Blog Estadão – Luiz Zanin

Cinema com Recheio – Antonio Carlos Egyto

Coisa de Cinema – Rafael Carvalho

Filmes do Chico – Chico Fireman

Os outros quatro mais votados em ordem alfabética:

Amor

amorA equipe mais numerosa de Amor era a do departamento de arte, que montou o apartamento em que se passa praticamente o filme inteiro, sob o comando da esposa do diretor Michael Haneke. A proposta era reproduzir em essência o local em que seus pais viveram. Eles que foram artistas de teatro e cinema passaram pela mesma dolorosa situação narrada pelo filme e serviram de referência para o roteiro. Um casal de octogenários acometido pela presença da morte – para a qual nem os mais idosos se acham preparados. O trabalho de câmara e iluminação é soberbo, ao integrar com precisão os detalhes da cenografia aos pormenores dramáticos que marcam a evolução dos personagens. Dentre as atuações, destaca-se a Jean-Louis de Trintignant como responsável por exprimir em seu olhar desesperado toda a aflição de ver como a vida se faz mais curta ainda, diante de um longo e verdadeiro amor. (Luciano Ramos)

Cinema com Recheio – Antonio Carlos Egyto 

Cineweb – Neusa Barbosa

Adoro Cinema – Francisco Russo

Coisa de Cinema – Rafael Carvalho

Filmes do Chico – Chico Fireman

Azul é a Cor Mais Quente

azul é a corO diretor tunisiano Abdellatif Kechiche partiu do álbum em quadrinhos de Julie Maroh, avisando desde o título, mudado de “Le Bleu est une Couleur Chaude” para “La Vie d’Adèle – Chapitres 1 et 2”, e desde a mudança do nome da personagem central – de Clémentine para Adèle, porque boa parte do que foi usado de filmagem da atriz foi feito, na prática, nos intervalos das cenas. A história de amor entre duas garotas teve sua intensidade aumentada ainda mais no cinema, não só nas cenas de sexo, mas também no drama e na maneira como a câmera procura invadir o ser de Adèle a cada close da personagem comendo, dormindo ou chorando, com seu nariz escorrendo. É também uma história de amadurecimento – e o “capítulo 1 & 2” do título original sugere não necessariamente que será filmado um terceiro capítulo, mas que a vida continua após o fim do filme. Kechiche contou com duas jovens atrizes que se entregaram corajosamente a esse exercício de intensidade. (Renato Felix)

7marte – Daniel Medeiros

Adoro Cinema – Lucas Salgado

Cinematório – Renato Silveira

Cineweb – Neusa Barbosa

Filmes do Chico – Chico Fireman

Moviola Digital – Rafael Carvalho

A Caça

A cacaEm A Caça, Thomas Vinterberg coloca em discussão justamente o quão rapidamente nos apressamos em julgar os outros. Neste intenso filme, o que perdura junto ao público é sua mensagem, nunca entregue de forma fácil ou simplista. Lucas (Mads Mikkelsen, premiado como Melhor Ator em Cannes) é um homem buscando um rumo na vida que encontra um porto seguro no trabalho como professor. Porém, quando uma daquelas crianças o acusa de tê-la molestado, seu mundo vira de cabeça para baixo. Apesar de sabermos se ele é ou não inocente desde o princípio, esse não é o principal debate, e sim, em tempos como os nossos, sobre o quão ultrapassada está a afirmação “inocente até que se prove o contrário”. Evitando os clichês mais óbvios, constrói-se uma obra poderosa, que provoca com os elementos certos o questionamento em cada um na audiência: afinal, o que faríamos nós no lugar de cada um destes personagens? (Robledo Milani)

Adoro Cinema – Francisco Russo

Cinema com Recheio – Antonio Carlos Egyto

Cinematório – Renato Silveira

Cineweb – Neusa Barbosa

Filmes do Chico – Chico Fireman

Moviola Digital – Rafael Carvalho

Era Uma Vez na Anatólia

Once Upon a Time in AnatoliaUm homem foi assassinado e enterrado em algum ponto das estepes da região de Anatólia, na Turquia. Autoridades percorrem esse amplo espaço ao lado de  suspeitos do crime para resgatar o corpo. Em três carros circulam pela região chegando a varar noite e madrugada. O sítio geográfico percorrido é monotonamente repetitivo e as referências do local em que o corpo foi enterrado são apenas a proximidade de uma fonte e de uma árvore redonda. A paisagem bege amarelada dá o tom de um vasto e quase interminável caminho, cortado por longas estradas de terra. Ceylan mostra, por meio de belos planos gerais, a geografia da Anatólia e faz das luzes dos carros andando à noite um espetáculo visual. Sem pressa vai nos mostrando os  personagens em sua humanidade cotidiana.  Diálogos e atitudes aparentemente banais vão revelar aspectos novos e inesperados, capazes de surpreender e dar densidade à trama. (Antonio Carlos Egypto)

Cineweb – Alysson Oliveira

Filmes do Chico – Chico Fireman

Edição de texto: Chico Fireman

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