Homenagem a João Carlos Sampaio (1969-2014)

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Em sua página no Facebook, João Carlos Sampaio se intitulava “assistente do auxiliar de lanterninha na empresa Cinema”. Essa era o João, sócio-fundador da Abraccine, membro da 1gestão da presidência da entidade e amigo querido de todos. João faleceu na madrugada de 2 de maio, em Recife, cidade onde cobria mais um – de tantos de sua vida – festival de cinema.

Aos 44 anos, João era um dos principais críticos de cinema da Bahia – atuando como tal desde 1993, primeiro no extinto “Bahia”, e depois em “A Tarde”, desde 1995. João nasceu em Aratuípe em 5 de outubro de 1969.

Mais do que um jornalista envolvido com o cinema, João foi um apaixonado defensor da produção cinematográfica da Bahia, se envolvendo em curadoria e organização de mostras e festivais por todo o Brasil – como A Jornada de Cinema da Bahia.

Em um de seus últimos posts no Facebook, João comentou o filme português “E agora? Lembra-me”, que acabara de ver no CinePE, poucos dias antes de morrer, e o define: “Uma celebração quase religiosa do tempo, como se um dia inteiro coubesse numa tarde morna, acomodada em afetos demorados, intensos sentimentos e silêncios…”.

Que com essa homenagem da Abraccine celebremos João em sua alegria e sua paixão pelo cinema.

Homenagem a João no encerramento do CinePE

Assista aqui ao vídeo.

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João Carlos Sampaio media debate durante a 16ª Mostra Tiradentes em Minas Gerais

 

JOÃO CARLOS DA SILVA SAMPAIO

Um baiano de Aratuípe que dedicou sua vida ao cinema e ao Esporte Clube Vitória

Por Maria do Rosário Caetano

João Carlos da Silva Sampaio nasceu em Aratuípe, na Bahia, em cinco de outubro de 1969, e morreu em Recife, no dia dois de maio de 2014. Um enfarte fulminante provocou sua morte, quatro horas depois de assistir a dois filmes brasileiros (“Romance Policial”, de Jorge Durán, e “Muitos Homens num Só”, de Mini Kerti) no XVIII CINE PE – Festival do Audiovisual de Pernambuco.

Jornalista, crítico de cinema, cineclubista, pesquisador, curador de festivais, fotógrafo. Esses foram os principais ofícios de João Carlos Sampaio, sócio-fundador da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), instituição que o teve em sua primeira diretoria (2012-2013).

O  crítico – velado em Recife, Salvador e em sua terra natal, Aratuípe, a 220 Km de Salvador, onde foi enterrado – tinha apenas 44 anos quando morreu de forma inesperada, deixando centenas de amigos espalhados por dezenas de estados brasileiros. Apaixonado por sua terra, sua gente e, sobretudo pelo Esporte Clube Vitória, ele deixa duas passagens pelo cinema. Uma, atrás das câmaras: foi diretor-assistente de Sérgio Machado no curta-metragem “Troca de Cabeça” (1993), estrelado por Grande Otelo e Léa Garcia. E dois como ator. Ele foi atuou em “MPB – A História que o Brasil Não Conhece”, de André Moraes (2012) e em “Dimentípoli-Deneva”, de Eduardo Souza Lima, o Zé José (em processo de finalização).

No filme de André Moraes, um falso e satírico documentário, Sampaio interpreta um produtor de axé-music, que compara o mais badalado gênero musical da Bahia a um hit de Jorge Ben (ou Benjor). Espirituoso e bem-humorado, o personagem, que ostenta um enorme charuto entre os dedos, ironiza a grife “MPB”, que tudo pode, enquanto os cultores da Axé-Music são menosprezados. Sua participação no filme, feita como se ele desse um depoimento real, foi gravada no Hotel Golden Tulip, um dos cenários do CINE PE. O trabalho do “ator” João Carlos Sampaio foi tão convincente e divertido, que Sandra e Alfredo Bertini, argumentistas e co-roteiristas de “Danou-se”, projeto de longa-metragem de André Moraes, o escalaram para interpretar no filme um novo personagem – um apontador de jogo de bicho.

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João Carlos Sampaio, o comissário cubano em “Pimentípoli-Daneva”, filme ainda inédito de Zé José

No filme de Eduardo Souza Lima, o Zé José – “Pimentípoli-Daneva” – o barbudo João Sampaio interpreta um comissário cubano, em trama que mistura Guerra Fria e ETs. O cineasta conta que filme está “em processo”, mas deve ficar pronto a qualquer hora.

 

 

 

Curta MPB: A história que o Brasil não conhece, de André Morais, com  a participação de João Carlos Sampaio:

O jornalista e crítico baiano preparava-se, também, para integrar equipe de pesquisadores e roteiristas de um documentário de  longa-metragem sobre o Esporte Clube Vitória. Sua paixão pelo rubro-negro baiano era tão grande, que ele carregava uma camisa do time na mala, levava amigos, que o visitavam em Salvador, ao Barradão e assistia na internet a jogos, nos muitos festivais a que comparecia, país a fora. Recentemente, por causa da Copa do Mundo, o Barradão teve que replantar seu gramado, pois seria usado como campo de treinamento. O clube resolveu, então, vender simbolicamente pedaços da grama antigo aos fieis torcedores. João adquiriu a relíquia rubro-negra. Satisfeito,  contava aos amigos que regava seu “latifúndio vitoriano” todas as manhãs.

João Carlos Sampaio participou de diversos projetos coletivos de pesquisa cinematográfica. Formado em Comunicação, pela UFBa (Universidade Federal da Bahia), ele desenvolveu, com bolsa do CNPq, ao longo de três anos, pesquisa sobre o “Cinema na Bahia nos Anos 1950/1960”. Trabalhou no Setor de Cinema da UFBa, sob a coordenação do professor Guido Araújo, criador e diretor de 39 edições da Jornada de Cinema da Bahia. Atuou, na Faculdade de Comunicação da UFBa, como monitor e orientador de projetos em audiovisual de diversas disciplinas. Coordenou e apresentou palestras para o projeto “Evolução Cronológica”, do Cineclube da Bahia. Participou de mesas redondas em diversos festivais baianos. Atuou como membro do júri do festival A Imagem em 5 Minutos (Bahia, 1998) e em comissões de seleção de filmes para Jornada de Cinema da Bahia e outros eventos. Assinou a curadoria do CINE PE, em 2003, e várias edições do Festival de Vitória da Conquista, realizado no sudoeste baiano. Conquista é a terrra de Glauber Rocha. Sampaio ajudou, também, a estruturar os núcleos reflexivos de festivais como Cine do Futuro, comandado por José Walter Lima.

A carreira jornalística de João Sampaio começou no jornal Bahia Hoje (de 1993 a 1995). Depois transferiu-se para o jornal A Tarde, no qual trabalhou, desde 1995, até sua morte precoce. Ele estava no Recife cobrindo o CINE PE para o mais antigo e importante jornal diário baiano.

O pesquisador e crítico de cinema publicou artigos em diversos jornais e revistas de circulação nacional. Na Gazeta Mercantil, assinou reportagem especial sobre os bastidores de “Barravento”, filme concebido por Luiz Paulino do Santos e realizado por Glauber Rocha. Ele escreveu capítulo dedicado aos documentaristas e curta-metragistas baianos para o livro “ABD 30 Anos – Mais Que Uma Entidade, Um Estado de Espírito” (Instituto Terra em Transe e SAv-MinC, 2005) e analisou o filme “Quincas Berro D’Água”, de Sérgio Machado, no livro “Jorge Amado e a Sétima Arte” (EdUFBa, 2013).

João Sampaio por João Sampaio

Yale Gontijo (esq.) e João Sampaio no Festival de Brasília, 2012. Foto Irone Queiroz.

Yale Gontijo (esq.) e João Sampaio no Festival de Brasília, 2012. Foto Irone Queiroz.

A falta que ele nos faz

O torcedor

Depoimentos

O Autor

O crítico brasileiro

Edição: Alysson Oliveira, Chico Fireman, Tatiana Babadobulos e Yale Gontijo

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