A insistência de Manoel de Oliveira

o velho do restelo

O princípio da palavra

Por Ivonete Pinto
O português Manoel de Oliveira é um insistente. Insiste em fazer filmes que se movimentam na categoria do cinema de arte e do cinema de ensaio, quando a maioria prefere as facilidades do cinema dito comercial. Insiste em viver e trabalhar quando todos, na sua idade, já desistiram das duas coisas. A referência à idade é um lugar-comum, mas inescapável. Afinal, não é todos os dias que nos deparamos com um cineasta de 96 anos e ativo. Os desavisados que freqüentavam o lounge da 28ª Mostra BR de Cinema o viram, no escuro “boate” do ambiente, subir as escadas até o palco num ritmo que em nada denunciava a idade. E quando ele, lá pelas tantas em sua fala firme e articulada referiu-se à idade, ouviu-se um sonoro ohh da platéia.
Seguramente o diretor mais velho em atuação no mundo, Manoel de Oliveira, nascido no Porto em 11 de dezembro de 1908, não é o mais profícuo. Sua filmografia tem pouco mais de 30 filmes. Alguns apenas foram sucesso de bilheteria, mas todos, ou quase todos, trazem a marca de Oliveira através de roteiros e mise-en-scènes com arquitetura própria, com ritmo pessoal. Poucos títulos passaram no Brasil, justamente porque ele nunca foi exatamente um blockbuster e, talvez, porque ele seja um português. E o brasileiro, como se sabe, leva mais a sério as piadas de português do que a cultura lusitana. Uma lástima. Basta ver Viagem ao Princípio do Mundo (1997) para perceber que Oliveira é universal. Basta ver Um Filme Falado (2003) para perceber que ele se preocupa com a globalização, e mais do que isto, com a civilização. Porto da Minha Infância (2001) é possivelmente seu único filme de fato autobiográfico. Mesmo Viagem ao Princípio do Mundo, em que Marcello Mastroianni supostamente interpreta o próprio Oliveira (o nome do personagem é Manoel), fala de questões relativas a uma memória coletiva. Clique aqui para ler mais.

 

Manoel de Oliveira

Por Antonio Carlos Egyptoamor de perdicao manoel

Eu fui descobrindo a obra maiúscula do diretor português Manoel de Oliveira, pouco a pouco, a cada edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e ele, praticamente, esteve em todas as edições da Mostra, a partir da 3ª., há 30 anos, quando foi exibido Amor de Perdição (imagem ao lado), adaptação do romance clássico de Camilo Castelo Branco, de 1863, em filme de 1978.

De lá para cá, é sempre uma agradável surpresa aguardar pelo novo filme do centenário realizador. Ele já completou 100 anos de idade e continua produzindo um filme por ano, tirando todo o atraso que o regime salazarista de Portugal lhe impôs. Manoel de Oliveira busca sempre realizar adaptações literárias que tragam uma reflexão nova e original sobre o mundo contemporâneo, a história, as crenças e costumes, com base em contrastes e estranhezas. Clique aqui para ler mais.

 

O Velho do Restelo

Por Luiz Zanin

LISBOA. Numa sessão na Cinemateca Portuguesa, para poucos jornalistas e à qual estive presente, foi mostrado o novo filme de Manoel de Oliveira, O Velho do Restelo (imagem no topo). Também assistiu ao curta-metragem de 20 minutos o ator José Miguel Cintra, que participa de diversos trabalhos de Oliveira e, neste, interpreta ninguém menos que poeta Luis de Camões, autor do clássico da saga marítima, Os Lusíadas. Clique aqui para ler mais.

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