Longa de cineastas baianos discute dificuldades enfrentadas por mulheres

Divulgação: Igor Souza

Por Rafael Carvalho*

Dentro da Mostra “Esses Corpos Indóceis”, do Festival de Brasília, os cineastas baianos Maria Carolina da Silva e Igor Souza apresentaram o inédito longa-metragem “Diário de Classe”. O filme investiga o processo de alfabetização de jovens e adultos na periferia de Salvador. Para isso, aproximam-se de três personagens centrais, três mulheres que enfrentam barreiras distintas para conquistar uma formação escolar básica.

São elas: Vânia Costa, uma presidiária que espera o desenrolar de seu caso e luta para encontrar o filho desaparecido. A empregada doméstica Maria José, que há muito saiu de Cachoeira para tentar a vida na capital baiana. E a jovem transexual Tifany Moura, com um histórico de violência familiar. São todas histórias duras, mas que encontram no processo de aprendizado educacional um modo de resistência e afirmação frente a um sistema excludente.

A partir do encontro com essas mulheres, o filme se abre para uma série de questões que atravessam a problemática da educação e seus entraves. Estão lá as discussões em torno dos direitos das empregadas domésticas, as arbitrariedades do sistema penitenciário brasileiro e as questões sobre gênero e sexualidade.

“Diários de Classe é esse cotidiano de mulheres que lutam por dignidade, por respeito, por existir. O filme explicita a contradição de uma sociedade meritocrática que acredita que as pessoas não conseguem sair da condição em que se encontram por falta de dedicação e vontade”, refletiu a diretora Maria Carol que debateu o filme com parte da equipe e com o público presente no Cine Brasília.

E uma questão maior ainda se abre em torno dessas discussões: são todas mulheres negras que enfrentam mazelas já arraigadas na sociedade. A montadora Iris de Oliveira, também presente no debate, levantou a questão: “A gente tem assistido a muita coisa que provoca discussões sobre como os corpos de mulheres negras são colocados na tela, de onde vem essa fala e como problematizar essa subjetividade”.

A dupla de diretores faz um trabalho com projetos de cinema e educação, especialmente em cineclubes, e junta essa experiência para formar, com este filme, um painel amplo sobre as desigualdades de classe, raça e gênero que são tão mais acentuados na zona periférica de uma cidade como Salvador. O filme é repleto de questões cruciais e, longe de se apresentar inchado na sua apresentação, deve suscitar ainda muitas discussões futuras.

* Rafael Carvalho é jornalista e críticos cinematográfico. Texto originalmente publicado no Jornal A Tarde 

Outros textos do autor sobre o Festival de Brasília:
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