Dossiê Cine Ceará: Coberturas

A Viagem Extraordinária de Celeste García, de Arturo Infante

A Viagem Extraordinária de Celeste García

“No fundo, a fábula diz menos sobre os outros do que sobre nós mesmos: a busca pela fuga definitiva (não apenas de país, mas de planeta) refletiria o fracasso do nosso conceito de civilização. Como em toda ficção científica, portanto, a imaginação do sobre-humano serve para espelhar medos e desejos bastante humanos. Bruno Carmelo

A Vida Invisível

“Encharcada de tons vermelhos e verdes, a fotografia de Hélène Louvart é a moldura ideal de uma história em que as sutilezas somam intensidade, evidenciando o ritmo dramático preciso do diretor nesta sua maturidade serena, mas também inquieta. A vida invisível é um primor em suas elipses, em seus não-ditos, em seus pulos temporais, sem que nada se perca, nada sobre fora do lugar e nenhuma pieguice se infiltre.” Neusa Barbosa

Canção sem Nome, de Melina León

Canção sem Nome

“Também é muito bom que Georgina ocupe mais o centro desta busca frenética, porque, ainda mais sendo mulher, é alvo de um tipo específico de discriminação. Pedro, por sua vez, tem seus problemas íntimos para torná-lo alvo de ameaça. Nesta aliança acidental de opressões distintas é que o filme de Melina León, que teve sua première em Cannes e venceu prêmio no Festival de Munique, forja a forte empatia que constroi com o público por seus deserdados da terra.” Neusa Barbosa

“Em meio a tantas mudanças de gênero, tom e linguagem, Canção Sem Nome resulta numa experiência surpreendente, ainda que pouco coesa. O espectador conhecerá pouco sobre Georgina, Pedro ou mesmo Léo, além de ignorar fatos essenciais sobre a repercussão do jornalismo, o funcionamento da gangue e as ameaças que pairam sobre os protagonistas. No entanto, terá a impressão de uma injustiça retratada de modo ao mesmo tempo bruto e fabular.” Bruno Carmelo

Luciénargas

“Luciérnagas se encerra como um belo drama sobre o não-pertencimento, utilizando a metáfora geográfica para falar de orientação sexual (ou seria o contrário?). Talvez o roteiro se beneficiasse de alguma cena de catarse em que tantos sentimentos reprimidos pudessem de fato ser canalizados, porém a direção prefere manter uma mistura de desespero e melancolia, de ternura e brutalidade na relação entre os personagens e seus próprios corpos e identidades.” Bruno Carmelo

Notícias do Fim do Mundo

“Todos os elementos desta salada visual e de referências estão devidamente diluídos numa montagem acelerada (do próprio Cariry) e embebidos numa trilha sonora pop, da autoria do jovem compositor João Victor Barroso. Esta abordagem estética, numa obra sucinta – apenas 70 minutos – surpreendeu muitos, especialmente os familiarizados com os trabalhos normalmente caudalosas de Rosemberg, diretor de filmes como Os Pobres Diabos (2013) e Corisco & Dadá (1996).” Neusa Barbosa

“Estamos no território do fake, do acessório, da liberdade em relação a qualquer expectativa de linearidade. Por isso, o conjunto se comporta de modo alegremente iconoclasta, e juvenil apesar de toda a experiência do diretor.  Isso também implica, em contrapartida, a impressão de aleatoriedade: quase tudo poderia acontecer, e de fato quase tudo acontece neste teatro do absurdo. A única coerência narrativa se encontra em sua incoerência permanente.” Bruno Carmelo

Ressaca, de Patrizia Landi e Vincent Rimbaux

Ressaca

“Ressaca aposta num cinema direto, que se cola à pele e à voz dos personagens, deixando que sua situação fale por eles. Não há discurso melhor para retratar a resistência frente ao descaso das autoridades estaduais do Rio diante de uma instituição como aquele teatro, que completou 80 anos e está ameaçado de tornar-se apenas um local para ser alugado a eventos – o atual governador Witzel o alugou para o concurso Miss Universo – , abrindo mão de produções próprias e forçando seus corpos estáveis a permanecerem inativos ou procurarem outros trabalhos.” Neusa Barbosa

O desprezo por alguns dos artistas mais qualificados do país produz uma revolta notável nos discursos e no filme de modo geral. Felizmente, muitos destes momentos se passam no silêncio, como na bela cena em que João, homem idoso que trabalha na recepção e bilheteria, admira o espaço suntuoso do Teatro enquanto se indaga sobre uma possível vida longe daquele lugar.” Bruno Carmelo

Se Arrependimento Matasse

“O sofrimento que afeta as protagonistas não permite que se recuperem ou que encontrem na história alheia uma reflexão sobre a condição feminina em geral. Pelo contrário, o quarteto fica preso às histórias individuais, repetindo clichês novelescos de teor anacrônico (a noiva abandonada no altar, a esposa chorando diante da carta de ruptura). É difícil acreditar na inserção destas figuras numa sociedade contemporânea, enfrentando problemas cotidianos para além dos sofrimentos psíquicos individuais.” Bruno Carmelo

Link para a cobertura completa de Neusa Barbosa

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