Dossiê 43ª Mostra SP: Conversas

Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou (Brasil), de Bárbara Paz

“Esteticamente, a cineasta adota recursos corajosos, em especial a homogeneização das imagens em preto e branco.”
Bruno Carmelo

“Ainda assim, é possível que ao fim do documentário não tenhamos aprendido mais nem sobre o diretor nem sobre sua obra. Porque não é disso que se trata. Babenco: Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer Parou é um belo exercício, por vezes tímido e hesitante, mas ao mesmo tempo intenso e carinhoso, sobre o morrer compartilhado.”
Isabel Wittmann

Casa (Brasil), de Letícia Simões

“É um filme de momentos, explosões, conciliações, percorridas em ondas, como um fluxo de vida, mantendo sua vitalidade ao seguir estas conversas, não raro doloridas, algumas exasperantes, tecendo o fio desta família toda feminina – os homens nunca são vistos, exceto em fotos, e constantemente mencionados nos relatos e cartas, material privilegiado para a construção desta narrativa.”
Neusa Barbosa

“Além das relações, há muito da coragem da diretora em expor sua figura ao se colocar em quadro. Ela assume os riscos, fala tudo o que sente e pensa diante da câmera. Embora atue – todos sempre atuam em um documentário, vale lembrar –, há muita verdade naquilo que ela quer descobrir em sua autopesquisa. E muita coisa é descoberta.”
Cecilia Barroso

Diz a Ela que Me Viu Chorar (Brasil), de Maíra Bühler

“O documentário tem o mérito de colocar em evidência essas pessoas, que normalmente são invisíveis ou, quando focalizadas, nunca têm sua humanidade reconhecida o suficiente. Aqui, não. São tratados como gente, ouvidos em suas queixas e com seus relacionamentos afetivos postos em primeiro plano.”
Neusa Barbosa

“Quando abre sua lente para expor aquelas pessoas, quando as propõe ao espectador como objeto conscientizador, há uma preocupação com a causa que talvez não chegue aos indivíduos. Aquelas pessoas expostas conseguem, principalmente quando sob efeito da droga, ter a real dimensão de o quanto elas estão aparecendo?”
Cecilia Barroso

Pacificado (Brasil), de Paxton Winters

Pacificado segue essa trilha, porém afasta-se do modelo narrativo consagrado por Cidade de Deus e Tropa de Elite, com hits musicais e estética de videoclipe, e tampouco envereda pelos longos planos-sequência comuns a obras do neorrealismo, revisitado por diretores do chamado cinema independente contemporâneo como Alfredo Cuarón ou Brillante Mendoza.”
Luiza Lusvarghi

“Há um certo fetichismo inegável sobre o olhar estrangeiro a respeito de problemas e condições tão típicos dos brasileiros. Porém, ao contrário do que se pode observar em Trash: A Esperança Vem do Lixo, por exemplo, a visão apresentada em Pacificado denota uma proximidade e um contato com a realidade muito mais factível.”
Robledo Milani

“Porém, o perigoso território explorado fica aquém de seu completo potencial pelo fato do diretor examinar fragmentos daquela atmosfera, e não a conjuntura. Mas, simultaneamente, é desta forma que o filme ganha pontos.”
Barbara Demerov

Três Verões (Brasil), de Sandra Kogut

“O espectador não é convidado a rir com eles, mas rir deles. Madá e seus amigos são ridicularizados – de modo paternalista, certo, com um sorriso no rosto e um tapinha nas costas, mas ainda assim, ridicularizados.”
Bruno Carmelo

“Enquanto lá ela encarnava um reflexo preciso das relações de classe no Brasil, do tipo de subalternidade familiar que é imposta às trabalhadoras domésticas, aqui, com um humor mais solto e piadas que por vezes se prolongam demais, se torna, por vezes, caricata. Às vezes parece que com isso se criam momentos em que se ri da Madá e não com ela.”
Isabel Wittmann

A Vida Invisível (Brasil), de Karim Aïnouz

“Em A Vida Invisível, as tintas do folhetim estão a serviço dessas questões, procurando produzir reflexão e subsidiar caminhos libertadores.  A novela não se coloca aqui como aplacadora, tranquilizadora ou apaziguadora, de uma vida de frustrações femininas.”
Antonio Carlo Egypto

“A câmera de Karim é terna, se coloca diante das atrizes de forma a registrar seus momentos e manter uma certa distância respeitosa, em especial nos momentos mais críticos da vida de ambas as protagonistas.”
Bianca Zasso

“Eurídice nunca está na sua própria pele, enquanto tenta, obedientemente, seguir as convenções sociais e aquilo que lhe é esperado. Segue assim por boa parte do filme: é a camisola com o busto que não lhe assenta, a alça do sutiã que cai pelos ombros e teima em nunca ficar escondida sob a manga, a combinação aparecendo, mais longa que a saia que deveria ocultá-la.”
Isabel Wittmann

Amazing Grace (Estados Unidos), de Alan Elliott

“É claro que o apelo primordial do filme é para fãs de Aretha, mas não deveria se limitar a eles. Amazing Grace (tanto o disco quanto o longa) tem o poder de transcender e ir além de um show de música gospel. O documentário é também uma maneira de compreender como o álbum fez tanto sucesso – merecidíssimo, aliás.”
Alysson Oliveira

“A opção por seguir uma linha narrativa simples foi certeira, pois coloca o espectador tanto na plateia como nos bastidores, acompanhando os principais momentos de glória das duas apresentações e também alguns preparativos, onde vemos uma Aretha concentrada e um tanto apreensiva sobre o que a aguarda no palco da igreja.”
Bianca Zasso

A Boia (Argentina), de Fernando Spiner

“No documentário La Boya, o diretor Fernando Spiner retorna à sua pequena cidade litorânea e focaliza o amigo nadador e poeta Aníbal, que lá permaneceu. Nessa investigação, que envolve seu próprio passado, Fernando constrói um filme que é pura poesia, como o seu retratado.
Antonio Carlos Egypto

“Trata-se de um cinema gentil, preocupado em criar ambientes agradáveis, imagens plácidas e narrações amenas.”
Bruno Carmelo

Cães do Espaço (Áustria, Alemanha), de Elsa Kremser e Levin Peter

“Enquanto imagina o corpo inerte de Laika dentro de uma cápsula espacial, sugerido pelo som, o espectador se depara com um balé magnífico de formas e cores, além de uma abordagem histórica pelo viés menos burocrático possível.”
Bruno Carmelo

“O acerto do documentário é conseguir estabelecer claramente os objetivos egoístas da humanidade e as relações entabuladas com outras espécies marcadas por um especismo latente.”
Isabel Wittmann

Cicatrizes (Sérvia), de Miroslav Terzić

“Então, novas ações vão trazer uma nova configuração ao conflito. Cicatrizes eternas, ao que parece. Um belo trabalho dramático, com um roteiro bem construído, que estimula o espectador a seguir a trama com interesse.”
Antonio Carlos Egypto

“As revelações que surgem em Cicatrizes, sempre de forma orgânica e sem se apegar à clichês melodramáticos, prendem o espectador, mas logo nota-se que, mais importante que descobrir se houve ou não o roubo da criança, é perceber o amadurecimento da força da personagem principal.”
Bianca Zasso

“Ora, o cineasta evita este caminho, preferindo uma abordagem muito mais árida. Não há trilha sonora, facilitadores de roteiro (como diálogos explicativos) nem choros fáceis. Os momentos de catarse são omitidos via silêncio ou sugestão, como se o grito ficasse eternamente preso na garganta…”
Bruno Carmelo

“Os dois primeiros atos são um mergulho muito profundo na mente de uma mãe que é desacreditada a todo o momento.”
Barbara Demerov

Dente de Leite (Austrália), de Shannon Murphy

“Marinheiras de primeira viagem, a diretora e sua roteirista, Rita Kalnejais, injetam sangue novo nas trilhas de um melodrama em torno de doença mas, não raro, desperdiçam energias em incidentes que nada somam à trama principal.”
Neusa Barbosa

“É possível até mesmo se acostumar com certas espertezas formais, como a divisão narrativa em pequenos capítulos que ganham títulos engraçadinhos e inusitados. Mas a força do filme está no desenho dos personagens, transformando suas neuroses e manias em empatia.”
Rafael Carvalho

“Aliado ao excelente trabalho de fotografia, que mescla cores frias com quentes como se elas dissessem como os personagens estão se sentindo, Dente de Leite administra bem todas as tramas que busca conectar.”
Barbara Demerov

Deus É Mulher e Seu Nome É Petúnia (Macedônia do Norte, Bélgica, Eslovênia, Croácia, França), de Teona Strugar Mitevska

“Ao se discutir se essa mulher teria ou não esse direito, pela tradição, pela religião e, quem sabe, até por alguma lei, o que se explicita é o patriarcado. Às mulheres é reservado um papel necessariamente de coadjuvante, seja qual for a importância do assunto, nesse caso, uma tradição que, evidentemente, poderia ser mudada ou reinterpretada.”
Antonio Carlos Egypto

Deus é Mulher e Seu Nome é Petúnia escancara, de forma simplista, mas sempre bem humorada, os pactos entre as diferentes instâncias de poder para reiteradamente excluir as mulheres socialmente.”
Isabel Wittmann

“Enquadramentos diferentes estão ali no longa de Teona Strugar Mitevska para destacar a dona do filme, Petúnia, a mulher que chegará para expor aquilo que já se sabe há muito tempo, mas se finge não saber.”
Cecilia Barroso

Devorar (Estados Unidos, França), de Carlo Mirabella-Davis

“O filme chega perto da sátira, mas é no suspense que o diretor finca o pé, resultando em momentos aflitivos e angustiantes. A jornada de Hunter não teria como ser de outro jeito, e, a cada passo, é um elo da corrente de opressão que vai sendo quebrado.”
Alysson Oliveira

“Se falta profundidade, porém, o modo como a estética vai se desconstruindo a medida em que a personagem vai se ressignificando é interessante, chegando ao naturalismo no desfecho e universalizando a mensagem que pretende passar.”
Cecilia Barroso

Um Dia Muito Claro (Islândia, Dinamarca, Suécia), de Hlynur Pálmason

“Sigurdsson é um ator excelente, navegando entre a brutalidade com os colegas e o carinho com a garotinha; entre a postura calada enquanto sinal de força ou de fragilidade. A câmera sempre busca seu corpo, seus olhos selvagens e literalmente o seu sangue.”
Bruno Carmelo

“Em uma estrutura narrativa quase elíptica alcança lugares como o machismo, a violência, a solidão, a velhice e a dor.”
Cecilia Barroso

O Farol (Estados Unidos), de Robert Eggers

“Há em cena mais do que o perceptível pelos sentidos básicos, obrigando tanto personagens quanto espectadores a trafegar pela fantasia e imaginação. Esse direcionamento, no entanto, não é imposto, muito menos reflexo de uma tomada de decisão impensada: é algo que se verifica naturalmente, como se fosse o único caminho viável.”
Robledo Milani

O Farol é um filme intrigante e de camadas, sobre ditos e não-ditos, sobre homens incapazes de viver em suas próprias peles, sobre violências e desejos (e violências dos desejos).
Isabel Wittmann

O Filme do Bruno Aleixo (Portugal), de João Moreira e Pedro Santo

“O caráter amador se justifica pela proposta de jamais se levar a sério. Visto que Bruno Aleixo constitui um personagem assumidamente absurdo, o longa-metragem busca representar esta mistura de estupidez e vaidade que contamina os amigos da gangue.”
Bruno Carmelo

“Falta ao filme olhar para o próprio umbigo e, além das mídias “clássicas” e hegemônicas, tirar graça do que se tornou a internet, desde que Bruno Aleixo surgiu neste meio, há mais de uma década.”
Nayara Reynaud

Fotógrafo de Guerra (Dinamarca, Finlândia), de Boris Benjamin Bertram

“É um perfil bastante agudo e honesto de um personagem ao mesmo tempo comum e extraordinário.”
Neusa Barbosa

“Grarup capta muito bem a dor das vítimas e familiares, mas Bertram não deseja saber quem são estes indivíduos reduzidos a condição de modelos fotográficos. Neste ponto, beira-se um perigoso fetiche da alteridade.”
Bruno Carmelo

Hálito Azul (Portugal, Finlândia, França), de Rodrigo Areias

“O apego àquela vida tradicional é evocado com saudosismo pelos mais velhos, que conferem ao resultado um curioso distanciamento.”
Bruno Carmelo

“Apesar da tentativa de poetizar o retrato, o que fica patente é que trata-se de uma cultura de masculinidade solitária, em que quase nenhuma mulher está presente. A natureza, da mesma forma que a feminilidade, é entendida como algo no âmbito do que necessita de tutela, e por isso passível de ser subjugada.”
Isabel Wittmann

História de um Casamento (Estados Unidos), de Noah Baumbach

“Se por um lado os embates entre marido e esposa oferecem o material adequado para que ambos possam explorar o melhor de suas capacidades dramáticas, além de criar o ambiente ideal para uma profusão de diálogos tão precisos quanto urgentes, por outro há a turbulência de um conjunto que luta para encontrar seu espaço, sem que isso seja alcançado a contento.”
Robledo Milani

“Aquilo que se vê na tela, e também o que não se vê, é facilmente identificado e isso traz uma grande força ao filme. Diferente do que pensa, Baumbach direciona o olhar para uma interpretação favorável ao seu ponto de vista. Aquela é a história de um homem quebrado.”
Cecilia Barroso

Mataíndios (Peru), de Oscar Sánchez e Robert Julca

“Com poucos diálogos e muitas imagens intrigantes, o filme procura resgatar o choque entre estes universos, o nativo e o estrangeiro, num cenário que encontra espaço também para o questionamento desta religião imposta mas que, aparentemente, não foi capaz de extrair todas as raízes da cultura nativa de dentro da população peruana.”
Neusa Barbosa

“Para um filme que prenuncia uma crônica do cristianismo latino-americano, a destruição de ícones certamente traria um significado forte. No entanto, a ferramenta estética é tão intrusiva que não chama atenção a nada mais do que a si própria.”
Bruno Carmelo

A Maratona de Brittany (Estados Unidos), de Paul Downs Colaizzo

“Se por um lado as motivações soam um tanto rasas, deixando de lado o cerne de suas complexidades, por outro os personagens aqui dispostos ganham em humanidade”
Robledo Milani

“Trata-se de uma protagonista que foge do óbvio e desafia o público tomando diversas atitudes errôneas, no entanto, capaz de gerar empatia justamente por se autossabotar não somente por orgulho, mas também por medo.”
Nayara Reynaud

Ninja Xadrez (Dinamarca), de Anders Matthesen e Thorbjørn Christoffersen

“O filme possui plena consciência de suas escolhas estéticas e discursivas, e talvez seja exatamente esta consciência que torne tão problemática a confluência do infantil com o adulto, do mundo das drogas e da prostituição com os dilemas do primeiro amor.”
Bruno Carmelo

“Violenta demais para crianças e com um discurso politicamente raso e infantil (além de equivocado) para adultos, Ninja Xadrez é de uma embaraçosa confusão ideológica e não parece saber o que realmente propõe dizer.”
Isabel Wittmann

“O maior deslize está em justamente misturar um discurso político extremamente atual e relevante dentro de uma trama infantil que não respeita suas próprias personagens.”
Barbara Demerov

A Odisseia dos Tontos (Argentina, Espanha), de Sebastián Borensztein

“Com humor bem dosado e doses precisas de adrenalina, prende a atenção sem exigir muito da audiência, principalmente por evitar o tráfego por zonas mais nebulosas. É tudo muito preto no branco, acrescido de uma moral óbvia, por mais entusiasta que seja.”
Robledo Milani

“Não é um filme que busca caminhos extravagantes ou originais, pelo contrário, a despeito do inusitado da trama, é bastante previsível em sua fórmula, desenvolvimento e acontecimentos, mas não deixa de entreter e divertir”
Cecilia Barroso

“Mesmo que a trama se estenda por demais no plano principal (com todas suas idas e vindas) e se apresse em um desfecho convencional (mas na medida dentro do cinema comercial), os personagens apresentados são reais o suficiente para que a empatia seja um dos sentimentos atribuídos ao roteiro”
Barbara Demerov

Papicha (França, Argélia, Bélgica, Catar), de Mounia Meddour

“Até nas sequências violentas, onde o barulho dos tiros retumba e parece quebrar a magia que uma simples conversa honesta entre mulheres pode ter, Mounia Meddour mostra um controle de seu estilo, um conhecimento profundo sobre a história que está contando.”
Bianca Zasso

“Em tempos em que o conservadorismo avança, a truculência predomina e temos que lidar com nossa própria versão de um uma proto-teocracia, Papicha emociona, indigna, mas também inspira.”
Isabel Wittmann

“O potencial da produção está em como uma história tão particularmente regional se comunica com as vivências femininas universais, apesar das diferenças em seus dramas semelhantes.”
Nayara Reynaud

Pertencer (Turquia, Canadá, França), de Burak Çevik

“Çevik tem um controle muito absoluto da narrativa e evita qualquer sensacionalismo no qual o filme poderia cair. É um trabalho respeitoso com a memória de sua avó, com a história de sua família, sem se tornar reverente ou condenatório.”
Alysson Oliveira

“É possível argumentar que toda obra cinematográfica implica numa manipulação das imagens e dos sentidos, porém este projeto vai além ao escancarar a manipulação, fazendo dela o verdadeiro objeto de estudo de Çevik.”
Bruno Carmelo

O Relatório (Estados Unidos), de Scott Z. Burns

“Competente, sim. Mas, ao mesmo tempo, redundante e autocentrado, confirmando-se como um todo incapaz de alcançar a mesma força que muitos dos seus elementos quando vistos separadamente.”
Robledo Milani

“Ainda que tenha alguns acertos pontuais aqui e ali, encontre a agilidade nos momentos cruciais, O Relatório seria melhor aproveitado se contasse com uma edição mais focada e se preocupasse menos com as excessivas e repetitivas explicações.”
Cecilia Barroso

Synonymes (França, Israel, Alemanha), de Nadav Lapid

“Evidentemente, há todo um discurso simbólico por baixo destes comportamentos, expondo as contradições entre o militarismo impregnado de religião que Yoav traz na bagagem israelense e a utopia que ele enxerga numa França republicanamente laica. É nesta fricção que o filme encontra seu maior sentido.”
Neusa Barbosa

Synonymes faz das suas imagens o seu real discurso, mais do que aquilo que é proferido em diálogos aparentemente banais, mas que encontram significados somente após muita reflexão. Parece estar ao alcance de todos, mas quando a confusão aumenta, é bom não se enganar: as distâncias continuam vivas, e os desafios são ainda maiores.”
Robledo Milani

“Ele chega a um dos grandes problemas da atualidade: a inadequação do ser humano com o seu ambiente, comum a todos os indivíduos e a todas as nacionalidades. Em um mundo globalizado e tão conectado, a hiper-individualização dos homens faz com que a noção de pertencimento esteja sempre muito distante.”
Cecilia Barroso

System Crasher (Alemanha), de Nora Fingscheidt

“Com o avançar da história, os eventos se tornam repetitivos e cansativos, uma vez que as situações apresentadas não apresentam soluções simples e nada parece mudar em um longo ciclo de múltiplas violências de todos os lados.”
Isabel Wittmann

“A diretora Nora Fingscheidt joga o tempo todo com a tensão, seja na formulação da vibração das cenas, com movimentos de câmeras, coreografias cênicas ou diálogos gritados, ou na construção das interações interpessoais, principalmente entre Benni, Micha e Bafané.”
Cecilia Barroso

Teerã: Cidade do Amor (Irã, Reino Unido, Holanda), de Ali Jaberansari

“Teerã: Cidade do Amor possui a esperteza de tornar todas as suas imagens evidentemente políticas sem traduzi-las em diálogos, ou seja, deixando ao espectador absorver o conteúdo destas subversões.”
Bruno Carmelo

Teerã Cidade do Amor é um filme sobre encontros e desencontros e a solidão e a desconexão da cidade grande que poderia se passar em qualquer lugar do mundo, e ao mesmo tempo não.”
Isabel Wittmann

“O filme, a despeito da relevância do tema da solidão e da inclusão de um personagem LGBT (o ex- campeão de fisiculturismo) objetiva mesmo o público externo. E seria um filme banal, ingênuo e déjà vu, não fosse ter sido rodado na República Islâmica do Irã, que vive desde 1979 sob um regime teocrático xiita.”
Ivonete Pinto

“Tendo em vista que o principal foco é o amor e suas vertentes, nada mais justo do que usufruir como resultado algo imprevisível e essencialmente sentimental. De modo satisfatório, o diretor não se limita a uma abordagem cheia de pontos de intensidade, mas sim no que está no hiato entre grandes acontecimentos.”
Barbara Demerov

A Verdadeira História da Gangue de Ned Kelly (Austrália, Reino Unido), de Justin Kurzel

“O embate final parece surgir direto daquele de Macbeth, e, mesmo sendo uma história conhecida, é acrescido de vigor, pulsação, em tons escuros entrecortados por prateados, do efeito estroboscópico, quase cegando-nos momentaneamente.”
Alysson Oliveira

“Kurzel demonstra ser um diretor vaidoso, certamente capaz de compor imagens deslumbrantes, e ciente demais de seu talento para perder a oportunidade de explorar ao máximo a amplitude simbólica desta lenda.”
Bruno Carmelo

“Em belíssimos quadros, cria uma espécie de ópera punk rock para contar a brutal história de Kelly, desde a infância até sua morte.”
Cecilia Barroso

“Kurzel constrói e desconstrói Kelly já no início, quando os letreiros que abrem o filme afirmam que nada do que o público verá em seguida é verdade. Tal abordagem é proposital e bem colocada”
Barbara Demerov

 

 

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