Dossiê 43ª Mostra SP: Ficções brasileiras

Abe, de Fernando Grostein Andrade

“É curioso o medo de uma geração de diretores em relação ao silêncio, visto como elemento de desconforto: é preciso divertir, entreter a qualquer instante, seja nos momentos felizes, seja nas cenas tristes.”
Bruno Carmelo

Ainda Temos a Imensidão da Noite, de Gustavo Galvão

“Um dos melhores aspectos deste drama é sua capacidade de captar o vigor juvenil dos personagens, bem representado em contraste com o rigor das linhas arquitetônicas de Brasília e com o silêncio das avenidas e praças diante dos esforços musicais de Karen.”
Bruno Carmelo

Alice Junior, de Gil Barone

“A linguagem do filme é dinâmica, fazendo uso de memes, elementos visuais que remetem aos aplicativos usados pelos adolescentes do filme que aparecem em tela, além da própria emulação da estética das redes sociais perpassam a tele, mesclados com a estética do seriado Malhação.”
Isabel Wittmann

Anna, de Heitor Dhalia

“O roteiro tem consciência de que essas relações de gênero são anacrônicas, mas não consegue se impedir de reproduzi-las. O resultado é um discurso autocondescendente, que demonstra tanto respeito pelo pensamento clássico (das artes e do conservadorismo social) que jamais rompe violentamente com o mesmo.”
Bruno Carmelo

Aos Olhos de Ernesto, de Ana Luiza Azevedo

“Sem defender o romantismo da correspondência epistolar, nem a inevitabilidade da tecnologia digital, o roteiro encontra um espaço de convivência entre opostos, exatamente como propõe aos personagens.”
Bruno Carmelo

Acqua Movie, de Lírio Ferreira

“Existe um conflito entre o cinema naturalista, com vocação a acompanhar seu personagem numa trajetória de descoberta, e uma inconsequência estética que lutam um contra a outra durante toda a projeção.”
Bruno Carmelo

Breve Miragem de Sol, de Eryk Rocha

“Rocha preza pelo realismo, algo percebido no despojamento dos diálogos, muito bem escritos e encenados, e também na aparência de uma cidade caótica, quente, incontrolável.”
Bruno Carmelo

Carcereiros – O Filme, de José Eduardo Belmonte

“Existe uma responsabilidade muito maior no retrato desta cadeia, embora Carcereiros prefira tratar todos os homens ali confinados como cadáveres em potencial.”
Bruno Carmelo

Depois a Louca Sou Eu, de Júlia Rezende

“Rezende impressiona pela tradução acessível de conceitos não imagéticos como a angústia e a ansiedade.”
Bruno Carmelo

Fendas, de Carlos Adriano

“A monotonia é certamente prevista e controlada pelo diretor Carlos Segundo que, no entanto, enfraquece o potencial de sua obra por não encontrar uma forma adequada ao conteúdo.”
Bruno Carmelo

Guerra de Algodão, de Marília Hughes e Claudio Marques

“Faltou, no entanto, trabalhar os tópicos de maneira fluida, sem se prender à disposição teatral da encenação nem aos imperativos fabulares da narrativa.”
Bruno Carmelo

O Juízo, de Andrucha Waddington

“O Juízo nunca se define ao certo em abordar o suspense psicológico e o suspense sobrenatural. Ao primeiro subgênero, falta investigação da psique humana, privilegiando o olhar dos personagens ao ponto de vista onisciente, e ao segundo, falta mesclar invisível e visível, fazer com que estes ex-escravos provoquem ruídos reais dentro da casa ao invés de simplesmente desfilarem pela paisagem.”
Bruno Carmelo

Macabro, de Marcos Prado

“Não adianta denunciar o preconceito racial num letreiro final se os criminosos têm suas individualidades ignoradas pelo filme, sendo filmados sobretudo como pedaços de corpos negros sem identidade”
Bruno Carmelo

Pacarrete, de Allan Deberton

“Mas nenhuma atriz melhor do que Marcélia para encarnar esta mulher às vezes engraçada, às vezes curiosa, às vezes patética, numa jornada solitária contra um mundo que se imbeciliza a passos largos – esta uma metáfora até política, num dos inúmeros caminhos abertos por essa história  de apelo universal, cujas camadas somente visões reiteradas do filme poderão contemplar.”
Neusa Barbosa

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