Dossiê: 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Entre os dias 20 de outubro e 2 de novembro de 2022, aconteceu a 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na capital paulista.

A Abraccine manteve sua parceria com a Mostra para a entrega do prêmio ao melhor filme brasileiro entre os realizados por diretores estreantes. Neste ano, o eleito foi “À Margem do Ouro”, de Sandro Kakabadze. Nosso júri foi formado pelos críticos Amilton Pinheiro, Beatriz Saldanha e Sérgio Rizzo. Saiba mais sobre a premiação aqui.

A seguir, você confere o dossiê com textos produzidos por associadas e associados da Abraccine que acompanharam a 46ª Mostra de São Paulo.

Boa leitura!

Aftersun

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“O que a estreia de Charlotte Wells proporciona é mais do que um projeto cinematográfico (mas nunca podemos esquecer que também o é), é um mosaico do tempo passado, aquele que nos escapou por entre os dedos durante as idades, e que está sempre sendo reconfigurado através de lembranças, fluidas, forjadas ou programadas.”
Por Francisco Carbone

“Aqui, a poesia não se transforma necessariamente em doçura, em atenuação. A diretora constrói uma simbologia terna, porém bruta e silenciosa ao mesmo tempo. Nada de trilha sonora junto às metáforas de céu e água; nada de planos próximos nas raras manifestações de sentimentos; nenhum clímax capaz de condensar as tristezas ou alegrias, ou de representar um expurgo emocional.”
Por Bruno Carmelo

Aftersun é a soma de muitos méritos que se mostra acima dos valores individuais reunidos, uma felicidade que poucas vezes se dá de forma tão precisa. Um filme a ser sentido, muito mais do que lido de forma racional ou matemática.”
Por Robledo Milani

Alcarràs

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“O filme desenvolve bem o clima dessa família em ação contínua e muito dedicada e efetiva. Explora esse ambiente rural, em vias de mudar, de modo bem concreto e até repetitivo. Coloca-nos naquele mundo e na vida dessas pessoas, trazendo-as para bem perto de nós.”
Por Antonio Carlos Egypto

Alcarràs é uma produção de teor indiscutivelmente político, que aborda o tal do ‘agro é tech, agro é pop’, pra mostrar de que lado esse tal agro está, no fim das contas; não que haja alguma surpresa a esse respeito, muito pelo contrário.”
Por Francisco Carbone

“[A diretora Carla] Simón cria, assim, um universo muito palpável em que o macro e o microssocial subsistem e se completam de forma muito orgânica. A família Solé pode ser vista como mais uma refém daquela estrutura agrária que começa a se modificar, mas cada integrante possui as suas particularidades, apesar dos conflitos de cada um não serem tão fortes assim, dramaticamente. Apesar de se apresentar como um filme ensolarado – cortesia da idílica fotografia de Daniela Cajías, beneficiada pelas belíssimas paisagens da Catalunha rural –, o filme possui um tom bastante agridoce.”
Por Rafael Carvalho

Aldeotas

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“Como exemplar moderno, Aldeotas escancara o fazer cinema. A encenação é habilidosa ao ponto de sermos transportados a uma dimensão falseada que faz todo o sentido, mesmo para além da apreciação do método. Marat Descartes carrega numa entonação de imitação, com a sua voz afinada para interpretar Elias, o menino angustiado que sonha em ser jornalista e viver na metrópole. Já Gero Camilo tem uma composição mais sóbria e natural de Levi, o rapaz corajoso, aspirante a poeta que precisa enfrentar as maledicências da comunidade agressiva por conta de sua homossexualidade.”
Por Marcelo Müller

“Um dos principais interesses decorrentes este drama provém da natureza teatral. Em se tratando de uma peça respeitada e premiada, de que maneira o diretor e ator Gero Camilo transporia à linguagem cinematográfica o conteúdo verborrágico, a interação de apenas dois personagens com os cenários e a artificialidade do dispositivo? Como fazer para que o texto honrasse o teatro, sem se limitar a ele, utilizando o cinema como ferramenta para ampliar o alcance do discurso, ao invés de traí-lo?”
Por Bruno Carmelo

All the Beauty and the Bloodshed

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“A primeira surpresa é ter como grande vencedor do Festival de Veneza esse documentário de denúncia social (claro que isso já aconteceu antes, mas não é mesmo comum que documentários estejam nessa posição). A segunda surpresa é que All the Beauty and the Bloodshed, logo nas suas primeiras imagens, pode se desvencilhar facilmente da pecha de “denuncista” (ou apenas disso) para se tornar uma bela reflexão sobre a arte de uma mulher e suas lutas atuais, além de uma dura constatação sobre o desamparo.”
Por Rafael Carvalho

All the Beauty and the Bloodshed, na tradução literal ‘toda a beleza e o derramamento de sangue’, é um mergulho sem máscaras num mundo onde as pessoas seriam conscientes e não teriam filhos. Não pelo argumento tradicional, de acordo com o bem estar dos filhos, mas protegendo a si próprio, já que seriam pessoas incapazes de qualquer ato empático em relação ao próximo, ainda que seja o próprio filho.”
Por Francisco Carbone

Armageddon Time

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“O centro da narrativa é o garoto Paul Graff (Banks Repeta), que cresce convivendo numa escola popular com um amiguinho negro: Johnny (Jaylin Webb). Percebe que o tratamento que recebe é diferente do do amigo, reconhecendo sem nomear a discriminação racista. Ele irá para uma escola de elite, de formação de líderes, engravatados desde já, mas não perde o contato com o amigo negro. Viverá, então, muito de perto, a injustiça.”
Por Antonio Carlos Egypto

“A culpa pelo que acontece na sociedade é ou não é dos indivíduos em particular? O que podemos fazer para mudar o quadro geral de horror que nos assola, esbarra e, ainda que de maneira menos direta, sim, nos prejudica? É sobre essa estagnação que ajudou a matar Rodney King um dia e outro dia George Floyd, que trata Armageddon Time, novo filme de James Gray, que adentra mais uma vez suas memórias familiares – aqui, de maneira frontal – para tematizar de maneira enfática o racismo da América, a mais profunda e a mais superficial.”
Por Francisco Carbone

“James Gray apresenta Armageddon Time como um conto um tanto adocicado a respeito de si mesmo, mais como ele gostaria que tivesse sido, e menos como supostamente teria ocorrido consigo e sua família. É uma memória afetiva e afetuosa, mas por demais particular para levar em conta questões de relevância social e política de modo prático e desenvolvido na medida em que devem ser encarados.”
Por Robledo Milani

“Este é certamente o filme mais político de James Gray. Seus dramas intimistas já foram mais intensos, em filmes anteriores como Amantes e Ad Astra, enquanto Armageddon Time possui uma estrutura mais clássica e uma cadência mais branda, mas nem por isso deixa de ser uma obra menor do cineasta. Gray usa a história de Paul – que se mistura às suas próprias lembranças quando criança – para observar um ponto de virada de uma sociedade e suas desigualdades latentes. É o retrato de uma época, um filme de formação, mas sobretudo um peça moral sobre os valores que queremos construir como coletivo social.”
Por Rafael Carvalho

Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades

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“Através da história do jornalista e premiado documentarista Silverio Gama (vivido por Daniel Giménez Cacho), prestes a receber um prêmio em Los Angeles por conta de seu trabalho de cunho social e denuncista, Bardo se mostra o filme mais pessoal de Iñárritu, uma vez que incorpora uma série de angústias que parecem ser do próprio cineasta, na medida em que Silverio incorpora o alter ego do diretor.”
Por Rafael Carvalho

“O cineasta que aqui se encontra é mais aquele que revirou conceitos e recheou sua narrativa de provocações em Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014), e menos o responsável por obras mais tradicionais, como Babel (2006) ou O Regresso (2015), apenas para ficar entre os seus trabalhos mais celebrados. Há algo a ser dito, é fato, mas reside mais no sentimento provocado e nas reações atingidas do que naquilo que possa ser compreendido ou racionalizado.”
Por Robledo Milani

Boy from Heaven

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“Travestido de uma espécie de ‘coming of age’ terrorista, aquele tipo de recorte que corre paralelo à trama policial de produções norte-americanas genéricas, Boy from Heaven sabe e quer nos enganar. Sua ideia de colocar em cena um jovem humilde de origem e fabuloso de possibilidades analíticas nos sugere o óbvio – essa criatura sairá de sua zona de conforto para transformar-se em líder criminoso. A inteligência do roteiro em driblar uma comodidade narrativa tão explícita joga a produção em uma espiral de parâmetros refrescantes, cheios de rumos bem mais intrincados do que imaginaríamos. Aos poucos, percebemos que estamos diante de uma trama de intrigas palacianas muito mais próxima de um Ligações Perigosas que de um filme da saga Jason Bourne.”
Por Francisco Carbone

“Enquanto enlaça o espectador na narrativa, o filme desnuda o sórdido esquema político, o jogo de poder que está por trás, onde não se vê verdade alguma, lisura, comprometimento espiritual e outras coisas que deveriam caracterizar uma instituição de ensino e formação religiosos. Veem-se as relações do poder político com o poder religioso, em confronto interno, por meio de suas linhas e divisões. Percebe-se que o diretor e roteirista, Tarilk Saleh, conhece bem os meandros dessa luta político-religiosa no Egito e nos ambientes muçulmanos, pelos elementos e detalhes que aparecem na trama.”
Por Antonio Carlos Egypto

Carvão

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“Numa realidade onde fake news se espalham como fogo num dia seco e o que há de pior no ser humano passa a ser discutido na mesa do bar como algo corriqueiro, fica difícil criar um roteiro criativo e crítico. Ter como base a realidade pode ser um ponto de partida interessante, mas sem uma boa dose de imaginação não se chega muito longe. Carvão, primeira aventura em longa-metragem da premiada diretora de curtas Carolina Markowicz, provoca risos nervosos e a nada agradável sensação de que, mesmo tratando-se de uma ficção, tudo que está na tela pode estar escondido embaixo de muitos tapetes que pisamos por aí.”
Por Bianca Zasso

“O cerne de Carvão — a chegada de um forasteiro que abala a ordem vigente — está presente em muitos filmes, entre eles outro filme famoso nacional dirigido por uma mulher: Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert. No filme de Muylaert, quem causa dissenso é Jessica (Camila Márdila), filha da empregada que vem para romper as hierarquias na casa onde a mãe trabalha. Em Carvão, quem causa dissenso é Miguel, que vai quebrar a rotina da família e cuja presença vai causar inclusive pequenos conflitos com os vizinhos. E aqui um detalhe curioso: é um homem que vem causar dissenso numa família tipicamente brasileira, isto é, chefiada por uma mulher.”
Por Letícia Magalhães

“Em seu primeiro longa-metragem como diretora, Carolina Markowicz é perspicaz ao mostrar essas sutis revoluções silenciosas que chacoalham as pessoas antes condenadas ao sofrimento em meio à pasmaceira. Sem desabonar as responsabilidades individuais, ela observa com especial atenção o meio ambiente que leva essa gente com suscetibilidades distintas a agirem de modo tantas vezes hediondo.”
Por Marcelo Müller

Carvão retrata um ‘Brasil profundo’, invisível para quem vive nos grandes centros urbanos, do qual se tem notícia esparsa por meio de matérias jornalísticas caricaturais. Um Brasil, de qualquer forma, em que as bizarrices mais improváveis podem acontecer.”
Por Luiz Joaquim

“O roteiro de Carvão demarca muito bem as índoles de cada personagem, a apresentação de tudo é própria para cada intencionalidade em cena. São tipos muito humanos, mas todos com suas particularidades e desejos, e motivações dentro do que suas amarras propõem. Vai tudo muito bem, até que percebemos que nada ali é exatamente tão límpido assim, e as curvas que cada um apresenta enriquecem a experiência como um todo.”
Por Francisco Carbone

Carvão convence, não só pelo roteiro e pela boa direção, mas pelo excelente elenco, que tem Maeve Jinkings, ótima como Irene, Rômulo Braga bem, como Jairo, o renomado ator argentino César Bordón como o estrangeiro e o menino Jean Costa, muito expressivo e também sabendo se conter, num papel que exige discrição do personagem.”
Por Antonio Carlos Egypto

Conto de Fadas

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“O ‘conto de fadas’ que o cineasta russo Aleksandr Sokurov orquestra aqui está mais para descida aos infernos. O encontro desses homens de poder, estadistas importantes para o século XX, só poderia acontecer num plano fictício e metafísico, muito embora a matriz utilizada seja muito real: Sokurov usa imagens de arquivo, via gravações antigas desses homens, e as edita dentro deste ambiente sombrio, quase como se recortasse personagens de um desenho animado e os inserisse em um contexto muito particular, por que inventado, costurando narrativas outras.”
Por Rafael Carvalho

“Sokurov mais uma vez olha para a realidade e cria um conceito a partir dela dentro de um esquema histórico, seja utilizando Dante Alighieri como inspiração, seja reescrevendo passagens desses déspotas para a apreciação e discussão do hoje. Rapidamente, os paralelos são levantados entre figuras da atualidade, com direito a uma recorrente brincadeira envolvendo a Rainha Elizabeth, tão genial quanto premonitória, e que nunca deixa de fazer graça e sentido.”
Por Francisco Carbone

Crônica de uma Relação Passageira

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“De inúmeras maneiras, um filme como Crônica de uma Relação Passageira consegue avançar em discussão cinematográfica muito mais do que muitas Palmas – incluindo a deste ano. Com uma levada, digamos, despretensiosa, está acontecendo Cinema quando Mouret filma as corridas de Vincent Macaigne e Sandrine Kiberlain pelas ruas de Paris.”
Por Francisco Carbone

“Existe uma tensão, devidamente cômica, impedindo os personagens de aproveitarem o relacionamento que afirmam apreciar. O roteiro se desenha como uma valsa: quando um personagem dá um passo adiante, o outro recua; e vice-versa. Guinadas bruscas no acordo entre eles são desenhadas como pequenos absurdos cotidianos, sujeitos a transformar tudo — o destino está ausente desta configuração caótica de corpos e afetos.”
Por Bruno Carmelo

Febre do Mediterrâneo

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“Amer Hiehel e Ashraf Farah brilham nos seus papéis e dão uma dimensão especial à narrativa. Os temas que vão aparecendo ao longo da história são psicológica e socialmente complexos, vão da depressão ao suicídio, passando pela possibilidade do assassinato, com diferentes tons de motivação e das transgressões diversas que se insinuam o tempo todo.”
Por Antonio Carlos Egypto

“Cria-se uma metáfora singela da guerra neste embate entre o sujeito pró-Palestina e o amigo anti-Palestina, ou talvez entre o homem frágil que sonha em defender a pátria, e o sujeito forte que não tem interesse nenhum em brigar por ela. Ambos estão deslocados de seus propósitos. É um prazer observar um retrato tão pungente da masculinidade frágil pelos olhos de uma mulher crítica e segura de seu posicionamento.”
Por Bruno Carmelo

A Filha do Caos

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“Juan Posada, como Sérgio Tréfaut, confessa ter formação filosófica. E propõe um filme com tema ambicioso. No quesito plasticidade, A filha do caos impacta. Um belo preto e branco e a sensação de uma tela de Van Gogh em sua fase holandesa, de Os comedores de batata: um foco de luz embaçada, a escuridão, o contraste entre sombras e luzes.”
Por Luiz Joaquim

“O que vemos durante seus 70 e poucos minutos é um quadro de tentativa e erro estético, sempre retornando a uma base segura de representação – lógico, seguro dentro do que cabe a um cinema mais radical. Mas a partir dessa livre criação sua e de sua atriz, o diretor tem em mente um caminho de retorno para sempre se cercar, e não construir um espetáculo vazio de intenções.”
Por Francisco Carbone

A Filha do Caos não é aquele tipo de filme em busca de respostas satisfatórias para perguntas claramente formuladas. É preciso que o espectador fure certos bloqueios armados pelos anos de consumo confortável de um cinema narrativo mais palatável para acessar o âmago dessa narrativa cifrada que se apropria não apenas das lógicas do expressionismo, mas também de algumas caras ao teatro.”
Por Marcelo Müller

A Filha do Palhaço

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“Se a princípio o título do filme causa uma estranheza quase incômoda, pelo tipo de atuação que Renato performa em cena, a entrada do personagem de Jesuíta Barbosa ratifica as muitas escolhas possíveis da produção. E mais uma vez [Pedro] Diógenes procura refúgio na arte; aliás, na Arte, porque a expressão artística é maiúscula sempre para o diretor.”
Por Francisco Carbone

“Demick Lopes é um ator tão completo que até seus parceiros de cena melhoram quando ao seu lado. O jogo que estabelecem, principalmente o que se percebe com Sutter, uma jovem dando seus primeiros passos nesse âmbito, é fundamental para que um inevitável despreparo ao abordar tantas e relevantes questões se torne mais acessível ao espectador, que desta reunião se vê frente a elementos que vão além da superfície.”
Por Robledo Milani

Os Irmãos de Leila

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Os Irmãos de Leila poderia muito bem se chamar “A Família Tresloucada de Leila”, porque ela não tem de lidar apenas com as inconstâncias dos seus quatro irmãos, cada qual perdido nos descaminhos da própria vida, mas também com a teimosia do pai e as reclamações da mãe. Esse título inventado, no entanto, poderia sugerir um tom de comédia que o filme até apresenta em alguns momentos, um humor tirado das desavenças e dos golpes sofridos pelos personagens no decorrer da trama, mas o filme revela sua verdadeira veia dramática ao aprofundar as crises que só começam a aparecer na vida deles.”
Por Rafael Carvalho

“Como há uma clara exacerbação de diálogos, na entonação do que é dito, na quantidade de vezes que é dito, na insistência com que cada intencionalidade é sublinhada, dita, e repetida a cada cena; soa cansativo e desnecessário na maior parte das vezes. Não há uma trajetória de sutileza que ao menos seja oposição a uma cena ou outra; Os Irmãos de Leila é um filme que pode ser definido como insistente, até que se prove um ponto.”
Por Francisco Carbone

Joyland

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“Há muitos motivos para comemorar a abordagem das afetividades em Joyland (2022). Em primeiro lugar, o filme paquistanês apresenta a jornada da dançarina transexual Biba (Alina Khan), com foco em seus afetos, sua liderança no ambiente de trabalho, o temperamento forte e a capacidade de inserir socialmente. Ela nunca será enxergada enquanto vítima sofredora, nem como mulher profundamente resistente. A artista possui qualidades e defeitos, virtudes e vícios, como qualquer um. Instaura-se um olhar mais horizontalizado do que na maior parte de dramas a respeito de personagens trans.”
Por Bruno Carmelo

“Saim Sadiq estreia em longas metragens com garra insuspeita, em uma produção que exala urgência e até uma certa exuberância, que não tem necessariamente algo a ver com a origem de ambos, filme e autor. Ainda que seja sim um ponto de interesse contínuo se debruçar sobre esse lugar ainda tão pouco difundido no Ocidente, principalmente em seu cinema, o que se ganha em Joyland é de caráter investigativo de seus processos autorais.”
Por Francisco Carbone

“Uma série de elementos compõe um universo, no mínimo curioso, em que a liberdade, o prazer e os desejos podem funcionar como elementos desagregadores, ao mesmo tempo em que abrem horizontes insuspeitados para todos os membros da família, tornando-os mais humanos.”
Por Antonio Carlos Egypto

Nada de Novo no Front

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“Como mensageiro, Nada de Novo no Front é eloquente. Ele reitera a ideia do quão absurdo é mandar gente à batalha em função dos joguetes militares e geopolíticos das nações. E isso é mais criticamente apontado nas vezes em que enxergamos os donos das altas patentes exercendo a sua arbitrariedade com a vida alheia enquanto se refestelam em banquetes pornográficos. Mas, exatamente por apenas reproduzir elementos de um clássico tão utilizado anteriormente como inspiração, ao ponto de estabelecer determinados lugares-comuns por sua importância, esse novo longa-metragem chega em 2022 como um museu de aparentes novidades.”
Por Marcelo Müller

“Difícil é precisar qual cena de Nada de Novo no Front ficará mais evidente na memória, sendo que o filme é construído dentro de um arsenal delas. Quando cito essas passagens que nascem inesquecíveis, isso se dá por um acréscimo interessante a uma narrativa que poderia ter aberto mão disso: as cenas ficarão porque seus personagens existem, é com eles que seguimos pela narrativa, e é deles nossa entrega. É graças ao quanto o filme nos conecta com seus elementos, emocionais ou físicos, que o sucesso desse imenso acerto da Netflix não parece em vão. Trata-se de uma nova versão para o livro do veterano alemão Erich Maria Remarque, finalmente chegando a uma versão alemã para esse sucesso literário.”
Por Francisco Carbone

Noites Alienígenas

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“Sérgio de Carvalho é um cineasta de carreira jovem, que escreveu o livro no qual se baseia livremente o filme que é projetado. Em ambas obras, até existe um ponto de partida no Acre importante para seu entendimento geográfico e emocional, mas logo vemos em cada detalhe um pequeno pedaço de um país em convulsão constante. Essa inquietação social não está sozinha, porque atrelada a questões de ordem pública e geracional acabam promovendo esse imenso barril prestes a explodir.”
Por Francisco Carbone

“A alternativa da criminalidade se apresentando a jovens periféricos, o martírio de mães que se sentem impotentes ao observar seus filhos enveredando pelo banditismo profissional, a religião servindo como área de escape, a recorrência do abandono paterno, tudo isso pode ser compreendido como algo universal. Ao elaborar bem esses assuntos, Sérgio de Carvalho aumenta a possibilidade de identificação de Noites Alienígenas, pois os tópicos citados estão infelizmente presentes em grande parte das periferias brasileiras.”
Por Marcelo Müller

As Oito Montanhas

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“Felix van Groeningen e Charlotte Vandermeerch são companheiros na vida real, mas os laços que os unem vêm de muito antes. Ele fora indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, pela Bélgica, por Alabama Monroe (2012), longa que ela, também atriz, colaborou no roteiro. Em As Oito Montanhas atuam juntos na escrita e na direção pela primeira vez, e a delicadeza de abordagem que demonstram faz paralelo com a excelência alcançada na ficção por dois atores com impressionante capacidade de troca.”
Por Robledo Milani

“Dois grandes atores italianos da atualidade estão na cabeceira de As Oito Montanhas em desempenhos sensíveis. Luca Marinelli (de Martin Eden) e Alessandro Borghi (de Rômulo & Remo) estiveram juntos antes, em Não Seja Mau, e a química já era evidente. Aqui, eles a repetem de maneira mais intensa, em uma relação que é fruto de um tempo que não existe mais, e que não consegue ser reproduzido de novo, que não por uma chave do passado.”
Por Francisco Carbone

One Fine Morning

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“Depois de ter colocado em evidência a separação de um casal no seu último filme, A Ilha de Bergman, a cineasta Mia Hansen-Løve resolveu investir no movimento inverso nesse One Fine Morning. É um filme sobre as possibilidades do amor, uma vez que a viúva Sandra (Léa Seydoux) reencontra um antigo amigo, Clémont (Melvil Poupaud), este ainda casado, mas em crise com a esposa. O filme não é apenas sobre isso (assim como o anterior pode ser desdobrado em demais questões), mas o interesse de Hansen-Løve nos movimentos de atração e repulsão a dois é evidente.”
Por Rafael Carvalho

One Fine Morning vive – e morreria, caso a escolha tivesse sido outra – nas costas de Léa Seydoux, uma atriz que a cada novo trabalho tem revelado uma versatilidade tão envolvente quanto reveladora. É difícil conceber que a Sandra que aqui aparece tendo que lidar com o banal da manhã ao anoitecer seja vivida pela mesma mulher capaz de despertar paixões com cabelos azulados, levar o agente secreto mais famoso do mundo a considerar a aposentadoria ou acabar com encantamentos dignos dos contos de fada.”
Por Robledo Milani

“Uma das maneiras de se elaborar um pensamento sobre One Fine Morning é a respeito do volume de eventos que sobrecarregam Sandra, que não é apenas filha. Ela é mãe, é uma profissional no mercado de trabalho, e de repente se recorda também enquanto mulher sexualmente ativa. A montadora Marion Monnier, habitual colaboradora de Hansen-Løve e que também esteve por trás de Personal Shopper, é extremamente hábil na manutenção do que é ritmo, estabelecendo uma ideia de quebrá-lo com situações contrárias, uma após a outra.”
Por Francisco Carbone

“A diretora francesa que nos apresentou o ótimo A Ilha de Bergman, na Mostra do ano passado, desta vez nos traz uma história de amor e de relações familiares. Em especial, a sempre complicada decisão de reconhecer a impossibilidade de que o pai idoso, embora com o gabarito de ter sido um intelectual, professor de Filosofia, esteja agora sem condições de realizar tarefas muito básicas, como encontrar e abrir uma porta.”
Por Antonio Carlos Egypto

Paloma

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“A igreja católica ainda é mais vilã que mocinha, mesmo nestes nossos tempos. A velha igreja continua sendo contrária ao aborto, intolerante quanto ao casamento de pessoas do mesmo gênero, impede que pessoas divorciadas recebam o sacramento da eucaristia e legam ao povo políticos ultraconservadores disfarçados de ‘bons cristãos’. O poder da igreja católica na Idade Média agora inspira as igrejas evangélicas, sedentas de poder político e principalmente de poder sob sua massa de fiéis. Claro, estamos aqui generalizando, colocando as igrejas como instituições perversas, mas sabemos — e isso é mostrado em Paloma — que há indivíduos realmente preocupados com o próximo dentro das igrejas.”
Por Letícia Magalhães

“A mise-en-scene de Gomes está especialmente abrilhantada aqui, e um dos aspectos que chamam atenção é sua concentração em divergir campo e extracampo. O filme vocifera elementos na imagem, que não estão presentes quando analisamos a alegoria externa, e vice-versa. É uma maneira de outorgar modernidade a um trabalho artesanal como o feito em Paloma, que não se isenta de apresentar complexidade em seus planos, reconfigurando suas intenções imagéticas, propositadamente.”
Por Francisco Carbone

“Marcelo Gomes e seus colegas roteiristas (…) agem sobre o desenrolar dos acontecimentos de Paloma de forma quase cirúrgica, equilibrando com cuidado tanto a necessidade de acolhimento e fantasia que a protagonista demonstra nessa ânsia por aceitação e entendimento, como também apontando os duros caminhos pelos quais suas decisões terminarão por conduzir o casal.”
Por Robledo Milani

“Ao invés de uma protagonista destemida impondo-se contra todos, ou de uma vítima sofrida (duas tendências hollywoodianas), Paloma (Kika Sena) se converte numa presença ausente, uma personagem que paira pelos espaços sem habitá-los, que transita por cenas e conflitos sem deixar traços. Há um aspecto fantasmático na mulher que se posiciona a notável distância da filha e dos familiares, sem outros objetivos a longo prazo, sem problemas financeiros pungentes. Ela possui um único desejo, apresentado desde a cena inicial: o casamento. “
Por Bruno Carmelo

“O filme explora muito bem a figura da personagem trans, num belo desempenho de Kika Sena, e aponta para a ambiguidade e a hipocrisia das pessoas e da sociedade, principalmente em contextos conservadores, em que as expressões só são toleradas se escondidas, enquadradas, ou então serão reprimidas.”
Por Antonio Carlos Egypto

Paterno

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“Em Paterno há, pelo menos, um par de cenas excepcionais entre Marco Ricca e Selma Egrei, a intérprete da mãe de Sérgio. Não deixa de ser indicativo de uma estrutura machista a forma como a matriarca reage à iminente morte do patriarca: tentando proteger o patrimônio econômico construído ao lado desse marido que escondeu um grande segredo ao longo da vida, para isso rechaçando a existência de outra mulher. Já Fabiana Pirro, atriz que vive a esposa de Sérgio, tem uma cena em que prevalece outro aspecto do feminino nesse entorno masculino. Seu indignado “me respeita” é um brado que retumba apropriadamente no ego fraturado do protagonista.”
Por Marcelo Müller

“No arranjo familiar observado, estamos diante de um grupo com tendências altamente mafiosas. No meio desse núcleo, temos uma parábola sobre o homem de meia idade em crise. As formas de resolver essas potenciais crises são as que eles mais alcançam, o sexo propriamente dito ou uma realização profissional, geralmente tardia. Sérgio se encaixa na segunda citação, em sua ânsia em mostrar serviço dentro de um quadro de reconhecida mesmice.”
Por Francisco Carbone

Plano 75

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Plano 75, de Chie Hayakawa, que está indicado pelo Japão ao Oscar de filme internacional, trata de um programa governamental de eutanásia voluntária, dirigida a cidadãos idosos, a partir de 75 anos. Uma coisa complicada porque, se se pode admirar o programa suíço de morte assistida como algo generoso e humanitário, o mesmo não se dá aqui.”
Por Antonio Carlos Egypto

“Os enquadramentos com profundidade de campo limitada, os rostos de olhares baixos e tristes compõem uma espécie de sonata triste a um país em perda de valores, tanto pela adoção deste plano segregacionista, quanto pela incapacidade de se voltar contra ele. Para o bem ou para o mal, Hayakawa observa o caos com a doçura e a compostura de um violinista do Titanic que segue tocando sua composição conforme o navio afunda.”
Por Bruno Carmelo

O Porão da Rua do Grito

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O Porão da Rua do Grito está bastante preocupado em resgatar um imaginário clássico e gótico do horror estrangeiro. Estão presentes o casarão mal-assombrado, com fantasmas nobres; os colares e joias dos mortos; os quadros dos aristocratas que morreram ali; a criança sombria que pode ou não existir de fato; o rapaz cujo encarceramento beira a crise de violência, em moldes O Iluminado; a avó doente cuja constituição remete à monstruosidade e reafirma a presença insistente da morte na casa. Os irmãos, em consequência, lembram mortos-vivos, zumbis pairando sem rumo.”
Por Bruno Carmelo

“Como nos grandes filmes de terror, O Porão da Rua Grito não sobrevive apenas de sustos e outras estratégias menos elaboradas. Há uma preocupação com o desenho da atmosfera que deve servir de moldura para lembranças angustiantes e convivências caracterizadas pela dúvida. A primeira metade do filme traz uma habilidosa apropriação dos elementos básicos do gênero.”
Por Marcelo Müller

Regra 34

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Regra 34 toca em tema espinhoso e muito pouco discutido no cinema nacional, inclusive de modo muito explícito e direto. Se no seu trabalho Simone precisa lidar com casos de abuso, misoginia e feminicídio, na sua sanha fetichista ela passa a enfrentar dilemas morais quando ela própria busca intensificar o seu prazer com práticas cada vez mais violentas e que infligem dor.”
Por Rafael Carvalho

“Como há uma disposição literal de reconfigurar todos os signos que já se apresentaram como antiquados, Regra 34 apresenta novas demandas de amor e afeto, ao não criar barreiras ou estranhamentos na hora de reerguer suas certezas. Quando Simone se aproxima de uma tendência arriscada de redescobrir a vida e o prazer, o filme se conecta ao gigantesco Um Estranho no Lago para refletir sobre o quão perto do fogo chegamos na hora de redescobrir algo tão primordial quanto o amor próprio.”
Por Francisco Carbone

“Julia Murat opta por uma encenação sem malabarismos visuais, numa pegada mais despojada e direta que não enfatiza, por exemplo, os imaginários do trabalho de Simone como cam girl. Nesse sentido, Regra 34 é muito diferente de filmes como Tinta Bruta (2018), nos quais o exercício dessa atividade remunerada ligada ao erótico é carregada de camadas de percepção distintas (realista, erótica, lúdica, etc.). Aqui, o importante é focar-se nas incompatibilidades entre os comportamentos íntimo e profissional de uma mulher atenta às exigências patriarcais.”
Por Marcelo Müller

Sem Ursos

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Sem Ursos, de Jafar Panahi, do Irã, nos remete ao cinema híbrido e inovador deste renomado diretor. O que ele mostra, atuando no próprio filme, é o que acontece quando ele se decide a viver por um tempo numa cidade interiorana, bem provinciana, na fronteira com a Turquia. O que poderia ser uma oportunidade de sossego e repouso se transforma numa complicação constante, dados os hábitos peculiares daquela comunidade. O simples ato de fotografar ocasionalmente um casal prestes a se unir envolve tantas coisas que, em poucos dias, tudo se torna insuportável. É melhor se mandar de lá, enquanto é tempo. “
Por Antonio Carlos Egypto

“Mais uma vez interpretando uma versão de si mesmo, ele está aqui em busca de descanso no interior do país, rodando um filme à distância. Quando acontecem intempéries mundanas durante esse processo, Panahi se vê em meio a dois casos de absoluta ausência de comunicação. Essa dificuldade, muito própria do melhor cinema iraniano (ou seja, aquele que não é histérico como Além das Paredes), motiva os casos a saírem de uma zona civil comum a adentrar a existência do próprio diretor, que tergiversa sobre sua situação através de seu roteiro e personagens. São duas histórias de amor interrompidas pela truculência, das leis e das tradições, ambas precisando com urgência de reformas; na verdade, a real atualização deveria partir mais dos seres que das instituições.”
Por Francisco Carbone

Triângulo da Tristeza

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“É notável como certo cinema que versa sobre o grotesco tem se destacado e sendo reverenciado no campo cinematográfico mundial. É justamente isso que faz Triângulo da Tristeza, novo filme do sueco Ruben Östlund, atual vencedor da Palma de Ouro em Cannes apresentado na Mostra de Cinema de São Paulo. E não é um feito a se desprezar o fato dessa ser sua segunda Palma, seguida à de The Square anos atrás, filme que segue o mesmo tipo de proposta ‘denuncista’ das falhas humanas.”
Por Rafael Carvalho

“O que está no centro do debate de Triângulo da Tristeza é o mesmo que move a sociedade capitalista: dinheiro. Östlund, no entanto, não trata a questão como se fosse algo recém-descoberto. Muito pelo contrário, aliás. É a válvula propulsora desse mundo de excessos e exageros, comandado por poucos e sustentado por muitos. Quem o tem, faz pouco caso. Quem dele carece, passa todo minuto na luta para consegui-lo. Essa inversão de valores afeta relacionamentos e percepções, tanto no âmbito profissional, como também na intimidade de cada um.”
Por Robledo Milani

“O vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes traz o diretor sueco Ruben Östlund em boa forma. Quem viu Força Maior e The Square sabe que seu trabalho é forte e polêmico. Mexe nas feridas da sociedade capitalista dos tempos contemporâneos. Em Triângulo da Tristeza ele aumenta o tom de comédia corrosivo, em que nada fica de pé nos pilares desse sistema, que emula o charme da moda, mas no final tudo se resume ao dinheiro, literalmente falando.”
Por Antonio Carlos Egypto

“Östlund já deixou o sucesso subir à cabeça faz tempo, e Triângulo da Tristeza fala muito mais sobre ele do que imaginamos. Um universo que vibra de egotrip em egotrip, com questões até interessantes que já renderam filmes recentes – todos melhores e mais centrados – mas que aqui só servem para provar um ponto. O diretor, ao final, não parece muito interessado em denunciar bom mocismo de internet, ou tribunal de redes sociais, ou misoginia em relações amorosas; seu interesse é em exterminar cada convenção e cada personagem. “
Por Francisco Carbone

Mais críticas

“À Noite Todos os Gatos São Pardos”, por Robledo Milani

“Agitação”, por Bruno Carmelo

“Além de Nós”, por Marcelo Müller

“Além das Paredes”, por Francisco Carbone

“Alma Viva”, por Antonio Carlos Egypto

“Os Anos do Super 8”, por Rafael Carvalho

“Até os Ossos”, por Francisco Carbone

“Belas Criaturas”, por Antonio Carlos Egypto

“Benção”, por Antonio Carlos Egypto

“Bratan”, por Antonio Carlos Egypto

“O Clube dos Anjos”, por Robledo Milani

“A Criança”, por Antonio Carlos Egypto

“Dalva”, por Francisco Carbone

“O Deus do Cinema”, por Antonio Carlos Egypto

“Domingo e a Neblina”, por Antonio Carlos Egypto

“Elis & Tom, Só Tinha de Ser Com Você”, por Antonio Carlos Egypto

“Estação Catorze”, por Antonio Carlos Egypto

“Esquema”, por Antonio Carlos Egypto

“O Filme da Escritora”, por Rafael Carvalho

“Fim de Semana no Paraíso Selvagem”, por Bruno Carmelo

“Fogaréu”, por Francisco Carbone

“Um Homem”, por Francisco Carbone

“Homens de Atos”, por Rafael Carvalho

“A Integridade de Joseph Chambers”, por Cecília Barroso

“The Kingdom Exodus”, por Rafael Carvalho

“Kobra Auto Retrato”, por Robledo Milani

“Leonor Jamais Morrerá”, por Antonio Carlos Egypto

“A Mãe”, por Marcelo Müller

“Magdala”, por Ivonete Pinto

“Marcha Sobre Roma”, por Antonio Carlos Egypto

“O Mestre da Fumaça”, por Marcelo Müller

“A Noiva”, por Luiz Joaquim

“Pacifiction”, por Francisco Carbone

“Palmeiras e Linhas Elétricas”, por Robledo Milani

“Peregrinos”, por Bruno Carmelo

“Pluft, o Fantasminha”, por Francisco Carbone

“A Porta ao Lado”, por Marcelo Müller

“Praia do Silêncio”, por Luiz Joaquim

“Propriedade”, por Francisco Carbone

“Quem os Impede”, por Antonio Carlos Egypto

“Raquel 1:1”, por Cecília Barroso

“Restos do Vento”, por Antonio Carlos Egypto

“Rodeio Urbano”, por Francisco Carbone

“Roza”, por Bruno Carmelo

“Tenho Sonhos Elétricos”, por Francisco Carbone

“Terceira Guerra Mundial”, por Francisco Carbone

“Terra de Deus”, por Francisco Carbone

“Tinnitus”, por Marcelo Müller

“Todo Mundo Já Foi Pra Marte”, por Marcelo Müller

“Transe”, por Francisco Carbone

“Vera”, por Francisco Carbone

“O Visitante”, por Cecília Barroso

“Visões de Ramsés”, por Francisco Carbone

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