9º Olhar de Cinema: A Metamorfose dos Pássaros

“Ao transformar a trajetória de uma família comum em um exemplar de como o cinema pode ser um espaço (e ferramenta) de acolhimento, Vasconcelos entrega uma análise vívida e pessoal sobre como é importante acessar nossa ancestralidade e herança familiar para compreender e unir-se ainda mais àqueles que dividem essa jornada. Através do duplo olhar como personagem e diretora, é possível encontrar a poesia de sua mensagem particular e a ótima condução narrativa de forma equilibrada, sem que uma anule a outra.”
Por Barbara Demerov

“Preenchendo as lacunas desta história de passagem de gerações, a diretora compõe um percurso encharcado de realidade mas também de licenças ficcionais. Afinal, a quem interessa saber ao certo se aquilo se passou exatamente assim ou não? As histórias não são assim mesmo, repletas de versões discordantes, de memórias complementares ou diluídas ? Que assim seja. O fato é que o filme é capaz de levar seus espectadores aos meandros do próprio passado, das próprias vivências, afinal, todos as temos parecidas com o clã Vasconcelos – inclusive, as perdas de mâes, um traço que une pai e filha…”
Por Neusa Barbosa

“Os pássaros e sua metamorfose do título estão nesse voar para se encontrar. A diretora se desloca entre espaços, da reencenação caseira à vastidão da paisagem, no céu, no mar, na terra, de detalhes cantados à definição visual de personagens. Acompanha de longe e se põe em cena. Num aproximar-se e afastar-se constante, que aprofunda percepções e sentimentos. Há luz, há espaço, há tempo, há conexão.”
Por Cecilia Barroso

“O maior mérito de A Metamorfose dos Pássaros (2020) é a convergência entre as esferas pessoal e universal. Seja quando ainda não se sabe do caráter autobiográfico do filme de Catarina Vasconcelos e a progressão da história daquela família retratada guia a narrativa com um ritmo praticamente ficcional. Ou mesmo a partir do momento em que a ciência disso não torna a produção portuguesa em uma obra somente personalista, mas suscita igualmente no público um relicário de memórias e sentimentos de sua própria genealogia.”
Por Nayara Reynaud

“A metáfora dos pássaros também traz poesia. Remete a capacidade de voar, desbravar caminhos. Um código em forma de conselho que a mãe tinha com os filhos. E que também pode nos fazer refletir sobre a necessidade de criar asas e não ficar dependente da proteção parental.”
Por Amanda Aouad

“É como se cada cena ou sequência encenasse de alguma maneira não uniforme, talvez apenas em um pequeno detalhe, aquilo que está sendo narrado e se esforçasse para traduzir em imagens e sons as experiências vividas (ou apenas sabidas e escutadas) com um tom de inventividade que vai da abstração à objetividade, lançando-se para não apenas uma, mas para uma série de possibilidades de significados partilhados com o espectador, na mesma medida em que tais sequências, ou tableau vivants, lançassem suas próprias proposições interpretativas que não carecem de ser aceitas, apenas entendidas como possibilidades de leitura.”
Por Rafael Carvalho

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