A Associação Cearense de Críticos de Cinema (Aceccine) divulgou a lista dos melhores filmes de 2025. Em um panorama que atravessa o cinema cearense, o brasileiro e o internacional, a premiação foi distribuída em cinco categorias: Melhor Longa-Metragem Cearense, Melhor Longa-Metragem Brasileiro, Melhor Longa-Metragem Internacional, além de Melhor Curta-Metragem Cearense e Melhor Curta-Metragem Brasileiro.
Para as categorias de longas-metragens brasileiro e internacional, estavam elegíveis os lançamentos comerciais de 2025, exibidos tanto nos cinemas quanto em streaming. Nas categorias de Melhor Longa-Metragem Cearense, assim como nas duas categorias de curta-metragem, também foram consideradas produções exibidas em festivais e mostras presenciais ou virtuais.
Os premiados
O prêmio de Melhor Longa-Metragem Cearense ficou com Morte e Vida Madalena, dirigido por Guto Parente. O filme acompanha o percurso íntimo e artístico de sua protagonista, unindo maternidade, luto e o próprio fazer cinematográfico a partir de um olhar que mistura bastidores e experiência pessoal. Já o prêmio de Melhor Curta-Metragem Cearense foi concedido a Fogos de Artifício, de Andreia Pires, obra que acompanha um grupo de amigos na expectativa da virada do ano, apostando na força do coletivo e do encontro como motor dramático.
O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, foi eleito Melhor Longa-Metragem Brasileiro de 2025. O filme, que teve ampla circulação nacional e internacional, trabalha a memória entre elementos de thriller político e drama familiar, consolidando-se como um dos títulos mais discutidos do cinema brasileiro recente. Na categoria de Curta-Metragem Brasileiro, o destaque foi Canto, dirigido por Danilo Daher, narrativa contida sobre maternidade e trabalho, marcada pela observação atenta do cotidiano e pela recusa ao melodrama.
Entre as produções estrangeiras, o prêmio de Melhor Longa-Metragem internacional foi atribuído a Sorry, Baby, de Eva Victor. O filme se destaca pela abordagem sensível de experiências traumáticas e pelos caminhos possíveis de reconstrução emocional, explorados a partir de uma encenação inusitada e de um olhar intimista sobre seus personagens.
Para a presidente da Aceccine, Raiane Ferreira, a seleção deste ano evidencia a dimensão política e criativa do cinema. “Na seletiva deste ano, fui atravessada pela força do cinema como potência criativa e política. Entre as obras premiadas, emergem temáticas diversas que abordam a desigualdade no mercado de trabalho, situações de abuso e violação de direitos, o controle estatal marcado pela repressão vivida durante o regime militar no Brasil e a força das produções cearenses, especialmente na perspectiva do trabalho coletivo”, afirmou.
O ano de 2025 também foi marcado por obras que se destacaram nos meios da crítica e nos festivais de cinema em todo o país. Foi o caso do longa-metragem Oeste Outra Vez, de Érico Rassi, e dos curta-metragens Réquiem para Moïse, de Susanna Lira e Caio Barretto Briso, e Vermelho de Bolinhas, ficção especulativa dos cearenses Joedson Kelvin e Renata Fortes.
Ao refletir sobre a produção, o vice-presidente da entidade, Daniel Araújo, falou sobre a vitalidade do cinema brasileiro no período. “A riqueza e força das produções brasileiras é tão evidente que isso se reflete diretamente na potência de trabalhos que estiveram elegíveis na disputa do prêmio, ainda que não tenham sido a escolha principal da maioria dos críticos votantes. A representação desses filmes e a força narrativa que eles carregam são provas incontestes desse prolífico movimento”, concluiu.