O Júri Abraccine na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo foi formado pelas críticas Lorenna Montenegro, Marina Costin Fuser e pelo crítico Paulo Santos Lima. O festival aconteceu de 16 a 30 de outubro de 2025, em São Paulo (SP).
O longa-metragem premiado pelo júri Abraccine foi “O Pai e o Pajé”, de Iawarete Kaiabi, codirigido por Luis Vilaça e Felipe Tomazell.
Leia as justificativa do júri e saiba mais sobre o filme:
MELHOR FILME: “O Pai e o Pajé”

Pela sua relevância artística e temática – que trata da evangelização dos indígenas e retrata uma resistência à assimilação religiosa, determinando a pajelança como uma tradição fundamental além da necessidade de coexistência entre os irmãos que não partilham da mesma fé; pela direção indígena que ressalta a poética cinematográfica ao evocar o trabalho do pajé como parte da mitologia fundadora dos Kawaiete, num momento de polarização política, que desloca a questão indígena e a igreja evangélica sem alimentar antagonismos, o filme escolhido é O Pai e o Pajé.
Sinopse do filme: Meu nome é lawarete Kaiabi. Este filme é minha busca. Uma busca por entender o que faz meu povo escolher o cristianismo e abandonar nossas tradições. Mais do que isso, um mergulho neste processo por meio da minha família, hoje dividida entre cristãos e não-cristãos. “O Pai e o Pajé” trata, partindo da minha história, da exploração a que meu povo está submetido. Missionários evangélicos ocupam o Território Indígena do Xingu, rasgando o tecido social das diferentes etnias que habitam essa terra.
