Um balanço porque balanço é movimento

Cesar Zamberlan * Depois de ter visto, analisado e discutido com os colegas do júri todos os filmes que fizeram parte da mostra competitiva brasileira do É Tudo Verdade, chega a hora de fazer um balanço do panorama que nos foi apresentado e alguns pontos merecem ser destacados. Como os colegas já trataram do conjunto…

Balanço Curtas – ETV

Cássio Starling Carlos *   A visão em conjunto dos nove curtas-metragens da competição brasileira do É Tudo Verdade reitera a percepção, já registrada a respeito dos longas, de que a maior parte dos trabalhos selecionados tende a buscar moldes testados e garantidos. Resta descobrir se esta é uma perspectiva gerada pelos valores priorizados na…

Da relevância e do interesse

Camila Vieira * Eis um problema recorrente no documentário contemporâneo: confiar que basta tema relevante ou personagem interessante para realizar bom filme. Dentro da mostra competitiva de longas-metragens do 22º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, cinco dos sete títulos caíram nesta armadilha de se deixar seduzir pela pertinência temática de algum tema de…

Documentário sobre Guimarães Rosa será debatido em sessões promovidas pela Abraccine

De 24/4 a 25/5 o documentário “Outro Sertão” terá exibições e debates em dez cidades e quatro regiões do país; filme trata dos anos do escritor mineiro na Alemanha nazista. Em sua segunda edição, a Sessão Abraccine promove a circulação e o debate do documentário “Outro Sertão”, de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela. Resultado de…

Aquarius: inventário da memória

Ivonete Pinto* Fora temer que o cinema pernambucano diminua o número de produções, em função da possível futura falta de políticas públicas para o audiovisual, a qualidade segue como seu diferencial. “Aquarius”, o terceiro longa de Kleber Mendonça Filho, desde antes de seu lançamento ─ e turbinado pela seleção de Cannes ─, desponta como um…

Clara – a doença como metáfora em Aquarius

Luiza Lusvarghi* Nos primeiros longos minutos de “Aquarius”, percebemos, em meio a uma festa familiar, que Clara, a protagonista, vivida na juventude pela atriz mineira Bárbara Colen, e na maturidade por Sonia Braga, acaba de sobreviver a um câncer. E também que pertence a uma tradição familiar de mulheres ousadas e libertárias, que não se…

Aquarius

Carol Almeida* “Como eu poderia saber que esta cidade foi feita na medida do amor? Como eu poderia saber que você foi feito na medida do meu corpo?”, Ela pergunta em Hiroshima mon amour. No filme de Alain Resnais, é o amor entre duas pessoas o grande arquiteto da cidade, a régua que irá redesenhar,…

Clara e a resistência

Ângela Prysthon* Uma das recorrências mais marcantes do cinema de Kleber Mendonça Filho é a tentativa de ruptura com certo padrão de caracterização regional que tenderia ao folclórico e ao caricatural. Ainda que apareçam a “cor local”, o sotaque, a crônica urbana recifense, seus filmes evitam a celebração efusiva dos tipos regionais, o determinismo naturalista…

Uma mulher, suas memórias e o dever de resistir

Luciana Veras* “Aquarius é um filme sobre memória e sobre história, que não são muito valorizadas na nossa cultura”, define o realizador pernambucano Kleber Mendonça Filho. É, portanto, do acúmulo e da ação do tempo e das camadas de significados das lembranças – de uma mulher e seus objetos, de um apartamento, de uma cidade…

Serras da Desordem

Ricardo Calil O assombro causado pela primeira exibição de “Serras da Desordem”, na Mostra de Cinema de Tiradentes de 2006, é inesquecível. Os espectadores saíram da sessão parecendo mais desnorteados que Carapiru, o índio que vagou sem rumo por 2.000 quilômetros depois de ter sua aldeia dizimada por fazendeiros. Críticos balbuciavam palavras desconexas tentando dar…

Quase memória

Inácio Araújo* Antes de entrar no assunto “Já Visto, Jamais Visto” me parece pertinente esclarecer algumas coisas que tentei falar em Tiradentes e desenvolver um pouco no post anterior sobre Andrea Tonacci. “Bang Bang” trabalha a ruína de um cinema clássico a partir, em grande parte, de Godard. O que temos ali é um filme…

Já visto, jamais visto

Sérgio Alpendre* A vida também é feita de coisas deixadas pelo caminho. Muitas delas deixam de fazer sentido, ou se mostram inviáveis diante de nossas incertezas e contradições. Quem não teve de abandonar sonhos, desejos, projetos, é porque nunca sonhou, desejou, projetou, nunca quis entender para que diabos viemos ao mundo. Já Visto Jamais Visto…

Cultuado e esfíngico: o duplo jogo em Andrea Tonacci

Humberto Pereira da Silva* Andrea Tonacci (1944) é um, mas não mais que um… caso revelador de certas idiossincrasias no cinema brasileiro: processo criativo descontínuo, inconstante, exposto a humores distintos, de explícito diálogo difícil além de panelas fechadas, arredio a determinado contexto de produção e à submissão a ritos de conveniências do mercado exibidor, concebido em…

Tonacci caminha com o índio sem ilusões

Carlos Alberto Mattos* A primeira cena de Serras da Desordem mostra um índio nu sozinho na floresta (mais tarde saberemos que é Carapiru, o protagonista do filme). Meticulosamente, ele corta folhas de palmeira para fazer uma espécie de cama e produz fogo com pedaços de pau. Nada parece conspurcar aquele quadro idílico de um homem…

A bênção da fé

Daniel Caetano* Eu sou um sujeito cuja relação com a religião é típica do nosso tempo, sobretudo com o catolicismo que me batizou – me afastei completamente das questões da fé religiosa e, mais do que descrença, trato isso com a distância de um estrangeiro, ou melhor, de alguém que se afasta a ponto de…

Já visto, jamais visto

Alysson Oliveira * No começo dos anos de 1970, o diretor Andrea Tonacci balançou os alicerces do cinema com seu “Bang Bang”, um filme anárquico, divertido e ácido sobre o estado das coisas e da cultura. Em 2009, novamente, com “Serras da Desordem”, questionou os limites do documentário e da representação, colocando em foco a…

Serras da Desordem

Neusa Barbosa* Concluído em 2005, premiado com três troféus em Gramado em 2006 – melhor filme, direção e fotografia -, este aguardado trabalho do ítalo-brasileiro Andrea Tonacci chega ao circuito com a vocação de diluir fronteiras, reais e imaginárias. Para começar, “Serras da Desordem” problematiza sua classificação – é documentário, ficção, as duas coisas ao…