O Estranho Caso de Angélica – Dossiê Manoel de Oliveira

angélicaPor Filipe Furtado

A certa altura, a dona da pensão em que o protagonista de O Estranho Caso de Angélica reside descreve uma série de fotos que ele deixara dependuradas, misturando imagens da personagem-título com outras “assustadoras” de trabalhadores rurais empunhando enxadas. Imaginamos que a mulher, um tanto fofoqueira, está a exagerar, mas quando a câmera de Oliveira repousa sobre o estranho mural compreendemos bem o que ela quer dizer, já que as imagens dos trabalhadores sugerem todo um espetáculo físico agressivo que contrastam em tudo com serenidade sorridente do cadáver de Angélica.

Logo compreendemos que o fotografo Isaac está justamente tentando desesperadamente contrapor esta outra imagem ao sorriso de Angélica para impedir seu chamado. Pois todo este novo filme de Manoel de Oliveira está voltado para o equilíbrio destes dois extremos contidos no mural do varal. Não deixa de ser o mesmo equilíbrio que sempre moveu o cinema esta invenção ao mesmo tempo maravilhosa e terrível, tão capaz de nos fascinar quanto assombrar. Isaac é ele próprio um homem assombrado, um pouco como o detetive do Laura de Preminger, fascinado pelo quadro da personagem-título. No caso, Isaac teme o chamado constante do sorriso de Angélica, pronto para dissolvê-lo como a fumaça do cigarro, pronto para retirá-lo do mundo material e levá-lo para outra esfera que o maravilha e ao mesmo tempo assusta, pelo que tem de desconhecido.

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