
O Agente Secreto, novo filme de Kleber Mendonça Filho, começou sua carreira no Festival de Cannes 2025, onde realizou um feito inédito. Saiu de lá com os prêmios de melhor direção e de melhor ator, para Wagner Moura. De lá até aqui, tem crescido, chamado atenção pelo mundo e levou Wagner a um dos nomes mais fortes na disputa a uma das vagas do Oscar, embora conte uma história à primeira vista, é muito brasileira.
No Brasil, as reações dividem-se, há quem goste, há quem não goste nada. Há quem goste até certo ponto do filme. Fato é que o filme está na boca do povo e na ponta dos dedos também. Não faltam textos sobre ele, e vídeos ou podcasts. Aqui está um apanhado com as críticas dos nossos associados.
Aproveitem!
TEXTOS
“Mas a textura de O agente secreto tem uma brasilidade contagiante, em suas cores, seus personagens cheios de vida e, sobretudo, sua musicalidade (tanto as canções escolhidas quanto o jeito de se expressar das pessoas). E o longa tem cenas memoráveis.”
Bruno Ghetti, Revista Cult
“Essa maneira de voltar no tempo personaliza O Agente Secreto, um thriller político de época que evita o classicismo ao equilibrar nostalgia e ironia, estabelecendo um ecossistema que atravessa o gênero e o enriquece.”
Chico Firemann, Filmes do Chico
“O afeto por cada canto filmado no Recife continua uma marca registrada de Kleber, que declaradamente usa como alicerce para montar seu complexo retrato do país uma coleção de memórias muito vivas de pessoas, objetos, espaços, músicas e fotografias, costurando-os através do cinema de gênero (neste caso, ainda que de maneira tangencial, o thriller político)”.
André Guerra, Diário de Pernambuco
“Voltando aos personagens (vamos chamar assim) cordiais e amorosos, podemos dizer que Kleber deixa com O agente secreto uma marca definitiva – e talvez a mais bem resolvida até agora em sua carreira -, de criar um complexo de personagens que, cada um a seu tempo e modo, tem uma importância particular dentro do todo do enredo. Mais do que importância definidora para a trama, uma importância humana.”
Luiz Joaquim, Cinema Escrito
“Se o travelling é uma questão de moral como disse Godard no contexto de uma imagem em um campo de concentração, poderíamos dizer que o zoom no contexto de uma ditadura sanguinária é uma questão de esclarecimento. Ou seja, o filme aponta categoricamente para a imagem do responsável pela ditadura. O zoom a serviço da obrigação ética de pensar o Brasil de hoje relacionando-o com o Brasil de ontem. Não se trata do zoom brusco como quebra de linguagem que quer chamar a atenção para si. É estilo e é recado político.”
Ivonete Pinto, Cinema Escrito
“Rompendo com a divisão entre tragédia e comédia, misturando gêneros, recusando o arco narrativo fechado e a moralização final, o cinema moderno de Mendonça torna-se um exercício de paragem, reflexivo — autorretrato do artista e do próprio meio.”
Bárbara Bergamaschi, Jornal Público
“A relação do filme com os anos 1970 é, portanto, ambígua, uma combinação entre rejeição e afeto, entre a política brasileira e o universo fílmico norte-americano. O universo do cinema surge como refúgio possível, ou projeção como campo de fantasia, para quem preferir uma leitura psicanalítica.”
Marcelo Ikeda, Cinema Escrito
“Ousadia essa que se verifica não apenas nas escolhas narrativas, mas no uso das câmeras, na combinação de atores do elenco, nas diferentes camadas de leitura que se permite, na diversidade da trilha sonora e até mesmo na opção por um título tão hermético, quanto falsamente simplista, possibilitando diferentes interpretações, que vão da mais óbvia ao profundo desdobrar de significados..”
Robledo Milani, Papo de Cinema
“É um misto de prazer e rigor que emana do fluxo das imagens e sons e que “O agente secreto” desenvolve com a consciência de narrar difusamente uma história que em algum momento encontra seu centro.”
Marcelo Miranda, Letterboxd
“Kleber fala não apenas de desaparecidos políticos, como também recorre à fantasia para denunciar a linguagem sensacionalista da imprensa desviando a atenção da opinião pública.”
Marcelo Muller, Kinorama
“Em um contraste que não é falha, mas discurso, o scope largo dá lugar ao plano digital frio e o Recife ensolarado vira paisagem de marketing, assim como o cinema vira laboratório asséptico. O filme diz que o perigo real não foi somente a ruptura, o conjunto de ditadores ou o terrorismo de Estado, mas a aceitação silenciosa da História.”
Cecilia Barroso, Cenas de Cinema
“Vencedor de quatro prêmios no Festival de Cannes e candidato do Brasil a uma vaga no Oscar de filme internacional, este é um filme que desafia classificação, reunindo detalhes reveladores da sólida estruturação de uma obra que articula vários gêneros e tons, criando uma multiplicidade que aspira a sintonizar a própria complexidade do Brasil.”
Neusa Barbosa, Cineweb
“Apesar da obra ser claramente afiliada ao gênero conhecido como thriller político e criminal, apesar do tom jocoso de comédia de horror em alguns momentos, pelo seu ritmo e pelo desenvolvimento narrativo, evita discursos baseados na história oficial com dados.”
Luiza Lusvarghi, Site da Editora Polytheama
“Depois de inserir a sala de cinema de rua de Retratos Fantasmas na história, Kleber Mendonça Filho encerra o filme em duas etapas que surpreendem.”
Eduardo Kaneco, Leitura Fílmica
“O Agente Secreto é um filme em que o cinema se expressa com toda a inteireza e complexidade que ele tem. Começando pela justaposição e fusão de seus gêneros.”
Antonio Carlos Egypto, Cinema com Recheio
“O diretor mantém um ritmo preciso sem abrir mão de um olhar amplo e ambicioso sobre a realidade brasileira de cinquenta anos atrás, evitando qualquer tom didático ou simplificação.”
Jorge Ghiorzi, Janela da Tela
“Nem precisa ser citada nominalmente: o clima de medo difuso ou até de paranoia resultante da vida sob um governo autoritário impregna os ambientes das cenas e os relacionamentos entre os personagens.”
Ticiano Osório, Zero Hora
“Como em seus longas-metragens anteriores, Kleber Mendonça exibe aqui sua habilidade em criar pequenos desvios, breves digressões, que enriquecem a tessitura da obra sem perder a linha narrativa, a progressão rumo a um desfecho lógico. Sua história tem começo, meio e fim, mas não necessariamente nessa ordem, e dedica um tempo precioso aos acidentes do percurso.”
José Geraldo Couto, Blog do IMS
“O filme nos coloca dentro de uma atmosfera onde o silêncio é a linguagem do medo. Quando, no meio do filme, se desloca o foco com uma longa entrevista, o gesto é narrativo e político. É como se, enfim, alguém pudesse falar, e, ao falar, reorganizasse o tempo, devolvesse sentido ao passado.”
Gabriel Pinheiro, Medium
“Acho importante essa comparação para “O Agente Secreto” porque ela também deixa gritante as deficiências que começam a acometer o filme a partir da metade. O longa se diverte tanto com os pormenores que deixa a corda correr demais quando precisa amarrar as coisas, e essa troca de direção corrói a corda.”
Pedro Strazza, Aventuras no Cinema
“Nesse sentido, o novo longa do diretor é talvez a maior síntese de tudo aquilo que Kleber sempre acreditou e teve interesse em fazer.”
Victor Russo, Filmes & Filmes
“O espetáculo cinematográfico e semiótico é frenético e possibilita ainda certo contentamento durante a fruição, onde a fabulação perpetrada pelo cineasta dá conta de artimanhas como a que os jornalistas utilizavam para evitar os censores e denunciar os abusos policiais e crimes cometidos…”
Lorenna Montenegro, Kinemacriticas
“É uma tentativa de compreensão artística (não sociológica ou econômica) e, como tal, se permite intuições, mistérios, impasses, elipses, becos sem saída, contradições, sem que a espinha dorsal do projeto se comprometa. Para aproveitá-lo, é preciso jogar-se nesse rio, banhar-se nele, senti-lo, mesmo mantendo aceso o espírito crítico.”
Luiz Zanin Oricchio, Estadão
“É uma pena, então, que Kleber se entregue a duas tentações do cinema progressista brasileiro contemporâneo: usar o período histórico representado para forçar uma conexão com episódios recentes (a patroa negligente causadora da morte de uma criança pobre, referência irritantemente explícita ao caso célebre quase idêntico ocorrido no Recife em 2019) e chapar, social e moralmente, o núcleo positivo de seus personagens.”
Wallace Andrioli, História da Ditadura
“O título joga, então, com pistas falsas. Isso já foi discutido, escrito, falado e é algo que realmente chama a atenção. Ocorre que, para mim, esse jogo de pistas falsas contamina e dilui o que seria a esfera do político.”
Humberto Silva, mnemocine
“O Agente Secreto é um filme rico em camadas e rimas visuais. E elas são muitas. Isso permite que a cada nova ‘visita’ percebamos algo que nos passou batido na vez anterior.”
Marden Machado, Cinemarden
“Many may say that the ending is anti-climatic. But what is truly anti-climatic is that there are many people asking for a new dictatorship because the one chronicled in the movie ‘only arrested and killed communists'”
Letícia Magalhães, Cine Suffragette
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